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abril 03, 2007

SHAKESPEARE E A TERMODINÂMICA

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Morrissey

P. Snow contrapôs Shakespeare e a termodinâmica, afirmando sinal de incultura o desconhecimento de um e outra. Ilya Prigogine (investigador do «tempo» e Prémio Nobel da Química de 1977) afinou pelo mesmo diapasão ao dizer que o desenvolvimento da física moderna ajuda a compreender Shakespeare. Arriscou a tese de que o que é válido para a complexidade químico-física é útil para a complexidade estudada pelas ciências humanas - a sociologia, a história, a filosofia. Bohr, o pai da concepção moderna do átomo, utilizou o castelo do Hamlet como metáfora de na mecânica quântica a realidade depender do observador. “Não é estranho como este castelo muda quando imaginamos que Hamlet viveu aqui? Como cientistas, acreditamos que um castelo consiste em pedras e admiramos o modo como o arquitecto as reuniu. As pedras, o telhado verde devido à pátina, a talha de madeira na igreja, constituem o castelo. Nada disto devia sofrer alteração pelo facto de ter sido habitado por Hamlet, e, no entanto, é completamente modificado. Subitamente, as paredes e as muralhas falam outra linguagem. Tudo o que sabemos sobre Hamlet é que o seu nome é referido numa crónica do século XIII. Mas todos conhecemos as questões que Shakespeare colocou, as profundezas humanas que revelou, pelo que Hamlet também tinha de ter um lugar na Terra, aqui em Kronberg.” (citação retirada da tradução inglesa Order out of Chaos, Man´s New Dialogue with Nature, Bantam Books, 1984)

Somos tentados a considerar inútil a ciência incapaz de gerar recursos que objectivamente melhorem o nosso quotidiano. Quando surgem, o mérito é atribuído à tecnologia, esquecendo a aliança entre ambas e a ociosidade da pergunta “o que apareceu primeiro, o ovo ou a galinha?”. Ao confundir aprendizagem do conhecimento científico com brincadeira aliciante para os infantes, foi esquecido o essencial: toda a aprendizagem envolve esforço e disciplina. A própria noção de autoridade foi baralhada com a de companheirismo. O pedagogo e a família têm por obrigação dar exemplo de empenho e rigor (distinto de intolerância). E se foi notícia a relação directa entre alunos de Medicina e a formação superior dos pais, merece a pena voltar a P. Snow e a Prigogine – educar também é presença-chave na abertura de múltiplos horizontes, aprender sempre para responder à curiosidade juvenil e considerar que na pedagogia não há determinismo. A realidade é incerta, depende do observador e tão relativa como a noção de espaço ou tempo.

Publicado por Teresa C. às abril 3, 2007 08:40 AM

Comentários

ACHO QUE DEVEM CONTINUAR ASSIM
BEIJOS GRANDES

Publicado por: MARTA às abril 12, 2007 04:38 PM

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