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abril 12, 2007

TRÊS DIAS DE BARBA

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Roger Payne

“Reino – Animalia. Filo – Chordata. Classe – Mammalia. Ordem – Primatas. Super-família – Hominoidea. Família – Hominidae. Género – Homo. Espécie – Homo Sapiens. Estado de conservação – super populosa.

Recapitulação de matéria dada e esquecida. Importante é os chimpanzés e os gorilas partilharem a super-família dos humanos. Peludos portanto. Eles e nós. Se de excesso de pelagem não me queixo, salvo na demora em secar tanto cabelo, a que me coube em sorte é, ainda assim, incómoda. Corrigir sobrancelhas, conservar as pernas macias dos pés até aos joelhos – daí para cima os deuses foram amigos –, e a supressão de intimidades, constituem ritual periódico de desconforto e demora. Aceites pelo intervalo de prazer que proporcionam. Pior estão os homens, obrigados a rapar a face, cortar pêlos do nariz e dos ouvidos, chegando os mais audazes à tortura da depilação do torso e dos cinco membros.

Das mulheraças de outras eras - fartas de peito, ancas, buço e axilas selvagens - restam poucos exemplares. Uns anos mais e homens feitos serão querubins engelhados. Apreciando a dignidade do corpo, sublevo-me contra a obediência cega a ditames de moda sem tradução no bem-estar pessoal. Dado este por certo, resta a subjectividade do gosto. E não gosto. Peregrinação dos lábios que depare com barba de três dias por todo o corpo querido, é lixar um ímpeto afectuoso.

Publicado por Teresa C. às abril 12, 2007 08:40 AM

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