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maio 03, 2007
A MULHER, A CONCUBINA E A AMANTE

Alain Dumas
“Uma mulher não é tão boa como uma concubina, uma concubina não é tão boa como uma amante e uma amante não é tão boa como um affair.” Sendo ambíguo o conceito de «boa», tomá-lo-ei por mulher que ao macho apetece tirar da vertical e dela experimentar as delícias na horizontal. Que é como quem diz, em qualquer posição. Assim ele aguente, porque se a prosápia masculina existe, quão longínqua está, as mais das vezes, do factual.
Evitemos arrepelarmo-nos pelo insuficiente fascínio aos olhos dos nossos homens. Eles estimam-nos como bastiões da retaguarda que os referencia, e, ao dizerem amar-nos enquanto inventam o desaguar das coxas da secretária, são leais. As respectivas são amadas em doméstica quietude com ardor diminuído pelo hábito e legitimidade. As outras prometem viagem de circum-navegação. Promontórios e regatos desconhecidos. Oceanos de emoções. Marés altaneiras. Mar-chão e neblina incómoda se for cometido o erro da regularidade.
A andança em círculo, tão prezada por tantos, esquece o fundamental – o cansaço das legítimas. Família, casa, profissão, interlúdios com amigas, profissão, casa, família e companheiro desligado do caldo rotineiro dão fartança. De homens em primeiro lugar. De falta de amor-romântico. De insuficiência de sexo vulcânico – o da camisa para cima e pijama para baixo conhecem bem demais. Germina o afastamento do marido-vegetal. E, sem que a idade iniba a decisão, o divórcio anuncia (re)começos. Afinal, quantos de nós desejam ou aceitam vidas de remedeio?
CAFÉ DA MANHÃ
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Publicado por Teresa C. às maio 3, 2007 08:09 AM
Comentários
Muitos, demais até. Há quem aceita a vida inteira... sem nunca ser feliz
Publicado por: Moura ao Luar às maio 3, 2007 11:32 AM
Muito bem,
visto de qualquer dos lados da moeda
Publicado por: -pirata-vermelho- às maio 3, 2007 02:10 PM
Há dois provérbios de que me lembro sempre em conjunto:
- enquanto o pau vai e vem folgam as costas
- it's better the devil you know
Muitas vezes escolhe-se a dorzinha eterna, o incómodo familiar ao risco de levar uma paulada das grandes. Mas mais vale o desconhecido - nele estão todos os recomeços possíveis - que o mal familar que se aceita como derrota apaziguada.
Publicado por: anarresti às maio 3, 2007 05:07 PM
Moura ao Luar - E essa morte afectiva é a que mais me inquieta na pessoa. Obrigada pela visita e pelo comentário.
Pirata-Vermelho - A sua concordância é preciosa. Gostei!
Anarresti - Paz familiar à custa de anestesia emotiva, não obrigada. Que venha a dor, o alfinete cravado na alma, o silêncio dolorido. Sorriso bovino é que não.
Publicado por: Tati às maio 5, 2007 12:49 PM