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maio 31, 2007

AMOR SEM FIOS

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John Falter

Amores telefonados. De presença por atacado, sempre curta demais. Quando a despedida dos corpos acontece, resta a voz, um ou outro e-mail, mensagens se urgência da alma fractura o trabalho. Um lá, outro além. Quotidianos de miudezas cuja partilha parece ociosa. Como se da sucessão dos instantes somente os grandiloquentes dignificassem de um a imagem no outro amado. Amado? Quais os parâmetros que distinguem o amor real – o idealizado, por que sublime, difere dos demais pelos intocados contornos que o dia-a-dia não perverteu – da necessidade de disfarçar nostalgias por sarar, da desesperança mascarada de ilusão, da urgência de um futuro que confira significado ao presente? É isto o amor?

Amor tem de ser fogo que queima e se vê, inquietação serena que contradiz a paixão, ânsia de partilha dos espíritos e dos corpos os fluidos, da pele e dos cheiros, fala muda de olhares e gestos isentos de culpa ou condenação. Amor exige confiança, ciúme que o senso filtre, descompasso do coração, desejo de futuro em que o «nós» conserve, plena, a significação. Obriga a força dobrada na guerra contra os medos, que vença o sentimento de precariedade e convença ser a vida como a Terra – firme, evolutiva, frágil se o descuido a esquece, rica, diversa, cruel na gestação de catástrofes, poderosa pelos (in)finitos recursos, majestática ao lembrar dos mortais a pequenez, bela por que somatório de inumeráveis (im)perfeições.

Ao amor empobrecem os fios ou as invisíveis luzes que a fala e os factos transmitem. Porém, amor. A conjugação da primeira pessoa no plural das decisões, omissões e vontades não carece de tecto comum, assim as luzes das tecnologias transfigurem sussurros e letras em abraços fortes.


CAFÉ DA MANHÃ

O "Almocreve das Petas" completou ontem quatro anos. Parabéns pelo necessário e magnífico trabalho.

Publicado por Teresa C. às maio 31, 2007 08:14 AM

Comentários

"Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
(Camões)

E eu convencido que este Luis era quem melhor falava de Amor?!
Claro que, no seu tempo, não Amor sem fios... Não sei, por isso, o que tal situação lhe poderia sugerir.
Mas assim, desta forma tão bela, nem Camões me pode ajudar a acordar nestas manhãs em que a sua presença é tão sublime.

Publicado por: j às maio 31, 2007 09:48 AM

um abraço

Publicado por: troblogdita às maio 31, 2007 12:46 PM

Quando a esperança renasce voltamos a amar. - Stendhal em Do Amor.

Publicado por: JG às maio 31, 2007 05:42 PM

J., Troblogdita, JG - orgulho-me de merecer a atenção de comentadores com sensibilidades tão próximas da minha. Que significado teria este espaço sem vós?

Publicado por: Teresa C. às junho 3, 2007 09:38 PM

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