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maio 12, 2007
DO SONO, AS VIRTUDES

Jeremiah Patterson
Somos o povo que menos dorme. Estudos validados comprovam que vamos para a cama demasiado tarde. Talvez por isso dormimos acordados. Talvez por isso andamos rezingões, invejosos, maldizentes e desconfiados – o desaparecimento da Madeleine, que hoje faz quatro anos, é melhor investigado que o das crianças nacionais. Pela tensão acumulada que o curto sono não compensa, corremos o risco de encimar a lista dos povos mais chatos do planeta. Ou o mais perigoso na estrada: 83% dos acidentes fatais na estrada são devidos ao adormecimento do condutor e a principal causa de morte a figurar nos índices de mortalidade rodoviária. Os picos da sinistralidade ocorrem durante a madrugada, por volta das 4 ou 5 da manhã – altura em que ocorrer uma redução espontânea da vigília, perdendo o condutor capacidades de decisão fundamentais, o que o leva a cometer mais erros. E os portugueses engordam, diminuem a memória, adoecem com hipertensão, diabetes e fragilizam o sistema imunitário – consequências directa das horas de repouso rapinadas. O corpo defende-se com o ritmo biológico – são cíclicas as manifestações primárias de fome, alegria, sede e período e frequência própria. Temos uns genes parecidos com os dos bichos da fruta que comandam o ritmo individual.
O maior militante anti-sono de todos os tempos foi Thomas Edison. Inventou a lâmpada eléctrica e alterou, definitivamente, o ciclo biológico humano ao criar a luz no meio da noite. Em 1910 as pessoas dormiam, em média, nove horas; hoje, a média é de sete horas e meia. Edison dormia no máximo cinco horas, e, talvez por isso, tenha criado a luz artificial. Já Napoleão era conhecido por lhe bastarem menos de seis horas de sono para se sentir repousado. Einstein precisava de nove horas de descanso, sobrando-lhe vigília genial para esticar o tempo, curvá-lo, brincar com ele e a matemática.
Faltam-nos horas de sono nocturno e a sesta. Não parecendo que a implacável economia dos dias de hoje venha a prevê-la no ritmo laboral, melhor é deitar cedo e cedo erguer. Para mim tenho que o contencioso português com a produtividade, a matemática e o optimismo aliviava de vez.
Publicado por Teresa C. às maio 12, 2007 11:22 AM
Comentários
Ufa... passei um tempinho sem passear no blog... Complicações do LABOR... Tenho refletido sobre essa virada da vigília... Eu.. não durmo pouco..Mas meia noite é quando tuso parece que ainda vai começar... mas é isso mesmo 00:00 é quando começa o outro dia.. Porém, as minhas manhãs são sempre a partir das 10:00. Confesso: o meu cérebro só entra em ativdade a partir daí. Mas será que ele entra mesmo? Rssssssss... Tudo que faço antes disso... eu nem lembro... Salvo as atividades que se realizam com a cabeça complementar (exclusividade masculina)... mas essa cabeça também não pensa. Enfim, coisa da modernidade ou da já pós-modernidade (Baudrillard que resolva isso).. Quanto às virtudes... nossa... que virtude...Grande virtude quem tem um corpo assim... muito virtuosa (na hora certa, no lugar certo...e aproveitando as portunidades...). Rssssssss.
Bom dia das mães.... Xi, esqueci que você não mora no Brasil.Até!!!!
Publicado por: Francisco Araujo às maio 12, 2007 05:23 PM
Francisco Araújo - Adoro a fogosidade do seu discurso coloquial. Gente tropical é diferente, para melhor neste particular. O Dia da Mãe por estas bandas foi no início de Maio o que não tira mérito à sua lembrança. :)
Publicado por: Tati às maio 16, 2007 12:00 AM