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maio 23, 2007
HADDOCK, TARENTINO E OFFSHORES

Michael Godard
Afirmas não ser vinho - “combinação química colorida e agradável de beber.” Admitiste que o palato esvaziou a garrafa e soltámos o riso pela insólita escolha. Entendi o repente e percebi também as razões do Hergé preferir o Capitão Haddock e achar difícil caricaturar mulheres – como reduzir a traços os infinitos cambiantes femininos? Aceito que o improvável coelacanto dos oceanos tenha sobrevivido à catástrofe que fez extinguir os dinossauros e, como fóssil vivo, desde há quatrocentos milhões de anos teime em resistir. "Neptuno das águas que um dia procurou solo firme e quis caminhar, nadadeiras como incipientes patas a contradizerem o corpo coberto de escamas" foi a descrição do Fernando Alves nos Sinais. Mesmo sem ver o último de Quentin Tarentino que seduziu Cannes - “À Prova de Morte” onde jovens voluptuosas terminam cruelmente assassinadas no asfalto por um psicopata -, compreendo o quase certo triunfo e a tranquila afirmação do realizador: “a única lista mais prestigiosa do que a dos ganhadores da Palma de Ouro é a dos perdedores.” Se de algumas coisas percepciono as razões, inferioriza-me nada entender de offshores nas Ilhas Virgens Britânicas, Cayman ou Bahamas. Não vou além de os ter por édens fiscais de habilidosos que sonegam os bens à colecta de impostos para que o cidadão comum os pague em vez deles. Ora, sendo infinita a minha ignorância e tendo em vista o bem comum, não é viável o extermínio destes fósseis humanos?
Publicado por Teresa C. às maio 23, 2007 06:28 AM
Comentários
Já viu o que representou para a história do nosso mundo a extinção dos dinossauros?
Pois, o desaparecimento compulsivo destes novos fósseis constituiria, sem dúvida, uma convulsão maior. Provavelmente, só possível com a destruição de todas as formas de opressão. Nestes tempos, acho que a pobre humanidade não está preparada para isso...
Contentemo-nos, então, com os capitães Haddock que, de capitães, apenas têm o ad hoc...
Publicado por: j às maio 23, 2007 09:37 AM
Não, não é. Não por falta de preparação; é antes uma questão de poder primário.
Publicado por: -pirata-vermelho- às maio 23, 2007 04:11 PM
J - Tudo se passa como se o magnete que faz girar Terra e os humanos com ela, tivesse por nome próprio Dinheiro e apelido Expoliação. Não acha fantástico que o talento (ou a vontade?) do Hergé não chegasse para caricaturar de forma consistente uma mulher?
Pirata-Vermelho - se o diz...
Publicado por: Tati às maio 24, 2007 09:28 PM
É consabida a misoginia de Hergé. Ou seria a culpa do Tintim?!
Vá lá saber-se agora!
Mas lá que é difícil caricaturar uma Mulher, isso é. A menos que façamos apelo ao meu outro grande Milo Manara!
Publicado por: j às maio 25, 2007 09:40 AM
J - Outro em que coincidimoS - Milo Manara. Que traço!
Publicado por: Tati às maio 27, 2007 09:25 PM
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Publicado por: drpozj às maio 27, 2009 03:27 PM
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Publicado por: cdlfcqgw às setembro 18, 2009 05:24 PM