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maio 30, 2007

QUE VENHA A BORDOADA!

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Pearl Frush

Em cinco minutos e sem experimentar comprei na minha gruta de Ali Babá uma delícia de alças, nervuras, flores campestres, saia rodada, fita enlaçando a cintura e decote debruado com pirilampos de vidro. Mais – chegada a casa enfiei o vestido e caiu lindamente no corpinho de pobre que tenho a sorte de possuir. Isto sim!, é prova da minha lucidez. E não me venham com retóricas sobre o novíssimo escândalo das Provas de Aferição. A coisa é fácil de entender.

As provas de aferição servem para o que indiciam – aferir. São dois os níveis de informações obtidas – qualitativas e quantitativas –, e muitos os objectivos que logram atingir; o formativo não é despiciendo, nem restrito a provas iniciáticas. Ponderemos: a maioria dos nossos estudantes pouco ou nada se afastou do nível médio da iliteracia das gerações que os antecederam. Juntar letras e da palavra entender o significado não é o mesmo que ler. Da iliteracia advêm consequências danosas para o desenvolvimento individual e para qualquer abordagem científica. De resto, o raciocínio lógico que alicerça a leitura eficaz é semelhante ao da Matemática, ambas indispensáveis às Ciências em geral.

Uma prova de aferição traduzida quantitativamente, como qualquer outra que obrigue à conversão numérica dos resultados, obedece a rígidos critérios de correcção. Ora, se o conteúdo a testar é a compreensão da língua expressa num texto, julgo adequado dispensar factor de análise que, por si, nada tem a ver com interpretação. Mais adiante na prova, o aluno será avaliado pelo respeito da ortografia.

Incluir na avaliação final do estudante o resultado quantitativo por via desta aferição não configuro decisivo, conquanto seja opção aceitável se considerada como mais um parâmetro num processo de avaliação continuada. A sujeição ao rigor de um teste escrito nacional, a consequente comparação de resultados entre pares que propiciam o desafio do aluno com ele próprio, a habituação a um formato diferente do usualmente testado durante o ano lectivo, a motivação extra fornecida aos docentes para também eles subirem degraus na qualidade do processo ensino-aprendizagem, são os bens maiores. E que venha a bordoada, escrita ou silenciada pelos leitores, cada um aferindo a indignação pelos sítios pouco jeitosos para onde o respectivo desejo apeteça enviar-me.

Publicado por Teresa C. às maio 30, 2007 07:20 AM

Comentários

Confesso que não tenho opinião formada sobre o assunto.
O que ouvi, pareceu-me muito primário e nada científico, e nem sequer baseado em conceitos pedagógicos suficientemente sólidos.
Os teus argumentos, por outro lado, são consistentes e fazem todo o sentido. Mas gostaria de ver uma opinião contrária com o mesmo nível da tua.
O que acho estranho neste caso, é que o detalhe de uma prova de aferição seja assunto de discussão pública. Revelará a nossa pequenez? Claro que tem aspectos positivos, mas parece-me mais uma atitude persecutória à Ministra da Educação que outra coisa qualquer.
Beijinhos.

Publicado por: Nilson Barcelli às maio 30, 2007 11:30 AM

Não é dispi!cienda, a concordância com o sujeito e as categorias da informação obtida teriam, cada uma, os seus níveis... mas não se percebe qual a sua intenção, o que quis dizer.
Não é bordoada, não sei é se está enganada; é que, não se percebe se escreve com o significado que deseja...

Quando andei no liceu (Camões! Uma escola fo... desculp! lixada) também não gostava de Português; frete! pincel! lusíadas...! mas obrigaram-me a saber que 'nebulosidade' vem de 'nebula/nebulositate' e nada tem a ver com uma 'nubelusidade' de jornalista-licenciado moderno (sim, sim... já vi!) que pensará talvez que vem de 'nuvem'; e outras coisas... que me permitem hoje ler com intenção e resultado, gostar de ler e gostar de pensar a língua e ter por natureza e necessidade entrado pela linguística sem que seja essa a minha área natural, de formação.

Nem pense que se avança sem a mesma exigência de rigor, aplicada ao estudo e manipulação da língua materna, que são aplicados ao estudo e manipulação da matemática - basta experimentar enganar-se na escrita (no grafismo, apenas)de um sinal qualquer; o resultado é desastroso e sem emenda; não como se escrevesse 'discipiendo' (vê-se que é gralha e entende-se o que significa) mas, grave sim, se escrever frases sem verbo, como é frequente nas escolas; ou sem sujeito, à l'américaine, qu'ainda é mais giro, nas escolas, também!

Publicado por: -pirata-vermelho- às maio 30, 2007 07:50 PM

Gostei da aula de filologia que precede o meu comentário; fiquei a saber que é grave escrever como Boris Vian o fazia; porém o escritor surrealista continua a ser um ícone e o comentador acima um ilustre desconhecido o que em abono da verdade não é grave.

Publicado por: JG às maio 31, 2007 09:35 PM

Uma coisa não invalida a outra, caro JG,
e não sou ilustre, nem mesmo no anonimato; ond´é que foi desencantar uma ironia tão fina?

Publicado por: -pirata-vermelho- às maio 31, 2007 11:00 PM

Nilson Barcelli - Quanto ao seu fundamentado parecer sobre a nossa pequenez, estou plenamente de acordo. Outro ponto de vista bem diferente do meu, teve-o do Pirata-Vermelho. Conservo, porém a minha abordagem. Agradeço-lhe os comentários sempre com significante conteúdo.

Pirata-Vermelho - neste caso estamos em desacordo. Mais acrescento - veria com maus olhos um estudante não interpretar um texto apenas por recear dos erros a penalização.

JG - Não sabia que nos unia o apreço pelo Boris Vian. À "Espuma dos Dias" é impossível resistir. E engenheiro, sublinho, para aqueles que julgam os provindos da ciência incapazes de voos literários.

Publicado por: Tati às junho 3, 2007 09:20 PM

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