« HADDOCK, TARENTINO E OFFSHORES | Entrada | DAS PAIXÕES, A CEGUEIRA »
maio 24, 2007
SEXO SEGURO

Autor que não foi possível identificar
Mulher que pretenda ser levada a sério “deve” ter fala circunspecta, disseminar na conversa referências culturais inquestionáveis, soltar indícios atentos ao In & Out intelectual. “Não deve” ser muito bonita, ainda menos vistosa – para muitos sinónimo de vulgaridade –, evitar arrojos na apresentação e dominar pela portentosa distância e pelos silêncios de onde pendem as «pérolas». Excepto na boniteza, este é o retrato oposto do meu.
Tivesse paciência ou vontade de impressionar, peroraria sobre íntimos e valorosos prazeres espirituais, voláteis indignações – o professor que o não é, dizendo o que não disse perante amigos que o não eram, e sob a alçada de uma directora com o pior das galinhas e sem prometer boa canja. As pulverizadas candidaturas à presidência da Câmara de Lisboa ou os alçapões do poder ou a metafísica criativa do ministro Mário Lino dariam temas «In» se condimentados com citações dos clássicos e garantia de elevação. Problema: dispenso ossos roídos e prefiro da vida o acontecer.
Os humanos têm apertos mentais que nem o ilustre António Damásio ainda vasculhou. Sem carecer de levantamento estatístico, larga percentagem de homens emparceirados em sociedades binominais afectivas consideram ter sexo seguro se a(o) respectiva(o) estiver fora da cidade. Chegada a exaltação da libido, gesto que retarde a penetração dos corpos é escusado. O preservativo não sai da gaveta ou do bolso do casaco, “se a (ele me) emprenhar logo se vê, porque a pensar não vou lá e isto é bom demais.” E não adianta informação, nem sisudez intelectual ou o bom senso costumado – ala que se faz tarde porque a maré é tão boa como o marinheiro e a embarcação já ondula na líquida fantasia. O amanhã? Por agora que se lixe, mesmo se o depois for lixado.
Publicado por Teresa C. às maio 24, 2007 08:17 AM
Comentários
Você é uma super mulher
primo- pela boniteza de que se vangloria; mas olhe que a boniteza vem de dentro a de fora é como disse - capa de revista!
secondo- porque nunca mais ninguem ultrapassará o poder de significação da boutade, 'homens emparceirados em sociedades binominais afectivas';
terço- pela verdade nua, sabedora e crua; apesar de a capinha de borracha lambida não ser método senão nas coisas da 24deJulho. É que, às tantas da manhã, naquela circunstância tão bem descrita por si, depois de usada a terceira capinha de borracha... com'é que se faz!?
Não 'se faz'? Lava-se com cuidado a última que ficou ao ali, atirada para o chão e tenta-se...?
Há que ter uma perspectiva 'estratégica' da coisa que permita alguma segurança nas coisas.
É uma questão estatística.
Publicado por: -pirata-vermelho- às maio 24, 2007 03:28 PM
pirata vermelho, entendeu a frase da boniteza ao contrário. Se voltar a ler vê que ali a Teresa Castro faz o contrário de vangloriar-se.
Teresa, o preservativo é obrigatório, nestes dias.
E se não se tiver, o melhor é ficar mesmo pelo beijo e pelo amasso.
Publicado por: troblogdita às maio 24, 2007 04:26 PM
Pirata-Vermelho - Sei que sou arreveada na escrita como o prova a frase da «boniteza». Se bem ler, outro será o entendimento.
Troblogdita - Quanta fortuna por ter leitores assim! Descomplicam o que compliquei e revelam entendimento do que sou. Beijo.
Publicado por: Tati às maio 24, 2007 09:36 PM
Errata - «arrevesada» em vez de «arreveada».
Publicado por: Tati às maio 24, 2007 09:40 PM
Minha senhora e meu senhor,
parecemos espelhos falantes - eu também digo o contrário do que parece terem lido.
De resto, no contexto do descarado elogio que fiz nem faria sentido... não é?
Leiam lá, então, por favor.
Publicado por: -pirata-vermelho- às maio 24, 2007 11:49 PM
Pirata-Vermelho - Ando lerdinha de todo! Agora, sim, «li» o que escreveu. Grata fico por me ter chamado a atenção.
Publicado por: Tati às maio 25, 2007 12:03 AM
pirata-vermelho, certíssimo. ao contrário li eu. um abraço.
Publicado por: anarresti às maio 25, 2007 01:23 AM
Diria mesmo, arrevesadamente feminina... o que parece em vias de extinção. Como diria o meu alter ego César Monteiro: "adorei... adorei... a-d-o-r-e-i...»
Publicado por: fallorca às maio 25, 2007 03:55 PM
A maravilha está em pensarmos cada um pela sua cabeça.
O que o pirata-vermelho escreveu é um "contradicto in adjecto"; quando for grande ainda hei de compreendê-lo ...ou talvez por essa altura isso já não me ocorra sequer.
Publicado por: JG às maio 25, 2007 11:41 PM
JG - Aí que esse latim soa melhor que tango argentino ou sussurro em italiano... ;)
Publicado por: Tati às maio 27, 2007 09:41 PM