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junho 24, 2007

A RÉGUA DO NARCISISMO

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Autor que não foi possível identificar

Narcisismo – “estado psicossexual em que o objecto de amor é o próprio ou um objecto com o qual o sujeito se identifica.” Freud, Dr. Sigmund Freud, dava como aceitável dose equilibrada de narcisismo que à pessoa conferisse gosto por si; Morrisson defendia saudável aquele que confere ao adulto discernimento das suas necessidades relativamente aos outros.

A separação de entes importantes na pessoalidade das vidas fractura, quantas vezes!, um caminho no antes e no depois. Afastamento compulsivo, por que o escolhido pelo indivíduo não cabe na asserção. O luto imposto faz soçobrar muitos, a outros permite reavaliar o trajecto percorrido e pensar criticamente o presente, a quase todos debilita o tónus narcísico e emocional. A privação do elo-substrato-de-estabilidade agudiza o luto e exacerba o sentimento de rejeição em quem excede o nível dito “normal” de amor por si próprio.

Dado como precário para todos os humanos o equilíbrio psíquico, convirá não cair na vã tentação do receituário bem intencionado de conselhos avulsos, porém inábil ou supérfluo, prodigalizado a quem atravessa período denso. E, tendo consciência da fragilidade psíquica dos humanos, dou graças por não padecer de síndromas depressivos, os “males da alma” ou “nervos doentes” de antanho. Quando a insidiosa maleita se anicha no «eu», quer reactiva a esporádica e séria agressão, quer crónica e sem cura à vista, respeito profundamente quem sofre. A noção do transitório bem-estar é, por isso, mais precioso. Anavalha-me a sensibilidade o chavão: “tem tudo para ser feliz, mas é um(a) fraco(a) ou não se deixaria ir abaixo assim. Tanta gente com cruéis motivos para dores íntimas, que resiste!”

O sentimento de perda é holofote que ilumina o passado e presente. Os narcísicos lidam com o abandono como veleiro perante o Adamastor, incoerentemente vendo-se como navio a que pouco adianta a potência das máquinas. E é a humilhação que agudiza o sofrimento. A (in)consciência de valendo tanto à luz centrada no umbigo, ser diminuta a cotação no mercado dos afectos. Cair no egoísmo empedernido e cínico é o passo seguinte. Aniquilar com um gesto ou frase de gelo um mundo de amor e verdade que o outro abriga. Não fora a solidariedade devida a quem sofre, e apeteceria repetir o chavão – tantos a quem a alma dói e conservam a bondade.

Publicado por Teresa C. às junho 24, 2007 01:14 PM

Comentários

Até parece que o teu post é, em certa medida, uma resposta (?!) ao meu comentário de 17 de Junho [a propósito da Luisinha]. É que a sensação de perda pode assentar numa enorme complexidade de variáveis que balizam as nossas vidas. Bom domingo, Teresa!

Publicado por: Viajante às junho 24, 2007 05:22 PM

Viajante - E foi, sim. Um excelente meio de semana para si!

Publicado por: Tati às junho 27, 2007 12:10 PM

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