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junho 15, 2007

ANA, MARIA E O ESQUIFE

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Autor que não foi possível identificar

Quando do gosto surgiu o amor, ele declara, solene, vassourar poeiras do que daí em diante seriam enganos ou memórias ou exercício disperso da libido. Não entesourara, dizia, enleios duradouros em que o ser vive e morre na ondulação. Afirmava-os fogachos que uma varridela a preceito apagaria no momento. Ela acreditou – não se despedira da candura de nos humanos depositar fé. Por ela julgava os outros. A ele também.

De um aparente arbusto pode nascer tronco e copa de árvore enfeitada por atractiva folhagem resistente às borrascas de Março, ao granizo de Abril, ao vento de Maio e às noites frias de Junho. Assim julgava ela o sentido laço de que uma ponta apertava; a outra, supunha, estaria firmemente presa no coração ou o que o físico músculo simboliza e a ele pertencia. E tinha paz.

Entre embaraços que o embaraçavam e depois a confrangiam, teve por incerta a certeza da casa arrumada e do chão limpo que somente os pés femininos dela pisariam. Determinada, tirou a limpo a dúvida. Havia a Ana e a Maria, mais o que ela julgara um esquife e de onde pulava, ligeiro, um ido. Olhos secos e sem tremura na voz quis entender a razão da pacífica(?)convivência entre verdade e mentira. E percebeu – a matriz de alguém a meio tempo clandestino endeusa a lua que na noite ilumina gestos míticos e vadios, enquanto teme e recusa e foge ao brilho do sol que a realidade expõe sem ocultar imperfeições. De todos, dela e dele. Aceitou o que entendeu por nobre. O resto? Adormeceu.


CAFÉ DA MANHÃ

“Que Nojo!” – O começo desta nova rubrica não poderia ter sido mais exemplar. Congeminava eu um texto, sobre o mesmo, para um dia mais corrosivo – que os tenho, olá se tenho! – e esta Mulher-Menina, sempre atenta, antecipou-se com a singeleza rara que a caracteriza.

Publicado por Teresa C. às junho 15, 2007 09:32 AM

Comentários

o sol é amigo do olhar e da lucidez
abraço amigo,
nuno

Publicado por: troblogdita às junho 15, 2007 12:21 PM

Quantas vezes nos damos por felizes quando escolhemos aquela metade do mar despojada de temporais? Conhecemos a nossa alma. Sabemos quanto dor e desordem ela pode acolhar. Para quê perturbá-la com tempestades, naufrágios e adamastores que tantos danos lhe causariam? Se a luz do sol nos ameaça fixemos o luar. O luar e as luzes pouco intensas permitem a magia, como dizia a pobre Blanche Dubois, que renegava altivamente todo o realismo. E o sol pode ser tão cruel para uma mulher...

Publicado por: Alba às junho 16, 2007 01:24 AM

Troblogdita - Outro com muito do teu infinito sol

Alba - minha querida, registemos alegremente a nossa primeira discordância não no que à magia da noite e das estrelas e da surreada e da lua concerne, mas sim quanto à crueldade do sol para uma mulher. Jamais o tive por cruel - afaga-me, beija-me, mima-me o cabelo e a pele, devolve-me a energia que o quotidiano julga poder surripiar-me. Mas luto, e teimo, e tiro os óculos de sol e afronto-o como se dissesse - "vens por bem. Aqui me tens!#

Publicado por: Tati às junho 18, 2007 03:52 PM

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Recordar-me?