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junho 07, 2007
COSE DELLA VITA

Eric Christensen
Sabes do meu gosto por vozes encorpadas como bom vinho que me serves após baile no teu copo e a demora púrpura escorrida no vidro. Delicia-me o jeito discreto de lhe sentires o aroma e ler-te aprovação. Gosto de vozes cheias, lembrando noites longas de tabaco e whisky, prostradas por desmandos dos sentidos que a manhã sonolenta confirma. As vozes de clarinete evito por sugerirem finura dos corpos e funis da vida. Serão nossas por estes dias as vozes e os dias cheios e o cristal pintado de purpura ou dourado se este for escolhido pela tua adivinha do meu desejo. Inventas apetites que me serves sem receio de engano – por que antecipas o meu agrado, enriquecemos o pecúlio íntimo.
Rumaremos aos sítios do absinto. Respeitaremos o ritual de o beber - água gelada vertida com vagar sobre cubo de açúcar que, numa colher, encima o destilado cheirando a anis, funcho e ervas várias. Absinto clareado e opacidade adquirida, é o momento de o degustar. Lembraremos Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire e Toulouse-Lautrec que dele conheciam o prazer e a má-fama, enquanto o sol pinta de dourado a pele e as hastes dançarinas das palmeiras trazem ao mar cheiros de alfazema e açafrão. Por essa altura, pousaremos no regaço os livros e, em silêncio, os dedos entrelaçados recitarão um poema. Com ele faremos coro em italiano – “Sono cosa della vita ma la vita poi dov'e” - e em inglês – “Some for worse and some for better but through it all we've come so far”. Sabemos que “They're just human contradictions feeling happy / feeling sad / these emotional transitions / all the memories we've had / yes, you know it is true.” “Sono cose della vita vanno prese un po'cosi.”
Publicado por Teresa C. às junho 7, 2007 12:31 PM