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junho 14, 2007
DO CORRIERE DELLA SERA AO NEW YORK TIMES

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Em média, os ambientes fechados retêm cerca de 80% da nossa vida. No quotidiano urbano, o valor sofre acréscimo substancial – saímos de casa pelos subterrâneos das garagens, confinados ao automóvel, e entramos nos serviços que nos tomam cerca de oito horas diárias. O regresso repete a ida, com alguns acréscimos - enfiamo-nos nos estacionamentos cavados no chão dos ginásios, dos centros comerciais ou supermercados. O condicionamento do ar, pequeno-almoço ou outra refeição fora de casa, soma riscos à servidão que temos por civilizada – combustões de cigarros ou equiparados, as necessárias para transformarem alimentos crus em sabores e texturas que o palato aprove e processem a digestão, expõem-nos a poluentes de concentrações superiores às do tráfego urbano.
Portugal ainda é, juntamente com o extremo norte da Europa, um paraíso ambiental no que concerne à qualidade do ar. A zona da Lombardia, tendo como fulcro Milão, e a do Ruhr são hematomas feios nos já de si poluídos países da Europa Central. Naquelas regiões, um cidadão tem diminuída a esperança de vida aproximadamente trinta e seis meses, enquanto no coração europeu a redução ronda os vinte e quatro meses. Pois bem: a Comissão Europeia prepara-se – finalmente! – para legislar a concentração máxima das MP 2.5 (ver texto do dia 1 de Junho). Tudo aponta para que o valor legislado seja de 25 mg/m^3. Portugal, um dos oásis europeus, apresenta concentração média de exposição a aerossóis de 60 mg/m^3. Decorrem daqui urgentes mudanças nas regras sociais e, principalmente, afinar a consciência crítica, a solidariedade e a cidadania.
A contaminação atmosférica traduzida em doenças graves alertou a comunidade médica. Por estudar, do ponto de vista clínico, estão os resultados da última investigação promovida em Portugal pelo CITIDEP através do EuroLifeNet.Science e de que deram conta jornais nacionais, poucos!, o Corriere Della Sera e o New York Times entre os de renome mundial. O valor de 500 mg/m^3 atingido na cozinha de um dos jovens prestadores de serviços na investigação enquanto a mãe preparava um jantar de grelhados, dá que pensar. Julgo estar certa se predisser, a médio prazo, uma revolução nos hábitos sociais.
Publicado por Teresa C. às junho 14, 2007 08:12 AM
Comentários
Confesso que estou relativamente desfasado da realidade "requisitos legais" versus "indicadores de monitorização" ambientais, principalmente no que se refere à proveniência das emissões.
Parece-me, no entanto, que a redução de 60 mg/m3 para 25 mg/m3 será utópica em Portugal, dado que isso representará uma mudança significativa no parque automóvel e nas empresas mais poluidoras.
No sector automóvel, é conhecida a resistência alemã (não sei se os franceses também alinham pela mesma filosofia) e, por isso, não sei até que ponto a Comissão Europeia conseguirá legislar e fazer vingar indicadores tão leoninos…
No sector empresarial, a Licença Ambiental constitui um requisito legal importante para garantir a prevenção e o controlo integrados da poluição proveniente das instalações de cada empresa. Sem esta licença, será impossível às empresas industriais já instaladas obterem a necessária licença de exploração. Foi publicada legislação nesse sentido em 2000, mas todo este processo atrasou-se escandalosamente. Já devia estar concluído e, ao fim de 7 anos de marasmo, através do Decreto-Lei nº 183 de Maio passado, talvez reconhecendo a habitual preguiça portuguesa para mudanças em tempo útil (não ligaram ou deixaram tudo para perto da data limite, porque nem se aperceberam que o processo de licenciamento é complexo), foi declarado que os estabelecimentos industriais existentes à data de aplicação do diploma sem licença de exploração industrial devem regularizar a sua situação, no prazo de dois anos a contar da data da sua entrada em vigor, ou seja, até 9 de Maio de 2009. Até lá, a gestão ambiental continuará como até aqui, isto é, à balda… Depois dessa data logo se verá… Talvez prorroguem de novo o prazo…
Com este panorama como e quando é que vamos reduzir os impactes ambientais para menos de metade?
Estou pessimista, portanto.
Publicado por: Nilson Barcelli às junho 14, 2007 10:19 AM
Nilson Barcelli - Entendo o seu pessismo pela actualidade e pelo passado recente. O lóbi industrial é poderoso e assenta no lucro assente na agonia do planeta. Porém, a decisão da comunidade europeia contrariando as múltiplas e conhecidas pressões é luz que ilumina a calota espessa e negra que nos tem envolvido a cada dia mais.
Publicado por: Tati às junho 18, 2007 03:42 PM