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junho 01, 2007

FUMADORES VERSUS GRELHADOS

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Michael Mobius

Os aspiradores passivos das MP 2,5 culpam cada baforada dos fumadores. É justa a queixa pela levada de doenças respiratórias e alérgicas que o vício engrossa. Os inocentes passivos que na legislação antitabágica se revêm, reclamam para os «nicotinodrogados» proibições, coimas e segregação social. Esquecem que a humana necessidade de alimento obriga diariamente a cozer, assar, grelhar ou fritar. Acedendo às relações gráficas entre a exposição às MP 2.5(1) e o quotidiano, a perplexidade abalaria certezas – o uso da frigideira ou da saudável(?) grelha produz tantas partículas nocivas como o ardente cigarro, ambos muito destacados dos níveis produzidos pelo tráfego urbano.

As MP 2.5 uma vez inaladas, fazem escala nos alvéolos pulmonares e partem daí para a circulação sanguínea. Asma, bronquite crónica, rinites, alergias e o cancro são alguns dos males que, aninhadas no organismo, cultivam. Diminuir a emissão de gases poluentes é importante, porém que não sejam acossados somente os fumadores. Em Portugal foi o CITIDEP - Centro de Investigação de Tecnologias de Informação para uma Democracia Participativa – que promoveu o EuroLifeNet.Science(2) Centenas de estudantes nacionais e estrangeiros, avaliaram em simultâneo e durante semanas, os níveis de exposição às MP 2.5 através de um medidor móvel e localizados por um GPS que transportavam no quotidiano. Os resultados obtidos serão divulgados no II Encontro Internacional EuroLifeNet que hoje e amanhã decorre. Veteranos e jovens investigadores apresentarão os resultados das campanhas de recolha de dados. Veremos se a comunicação social descobre carne neste osso.


(1) O conceito material particulado (MP) denomina uma mistura de partículas sólidas e gotas de líquidos em suspensão no ar. As de maior dimensão MP 10 (micrómetros) são retidas nas partes superiores das vias respiratórias e a respectiva concentração está legislada. De fora ficaram as de dimensão igual ou inferior a 2.5 micrómetros – milionésima parte do metro.

(2) O objectivo do programa EuroLifeNet é testar uma metodologia inovadora de recolha de dados (exposição pessoal a partículas, poluente atmosférico com graves efeitos na saúde), em condições de rigor e fiabilidade que contribua para a consciencialização cívica dos cidadãos, em especial os jovens, da sua responsabilidade social no problema e na sua solução.

CAFÉ DA MANHÃ

- Um milhão de visitantes é feito que merece ser celebrado. Muitos parabéns minha querida!

- Um texto magnífico a não perder.

Publicado por Teresa C. às junho 1, 2007 07:21 AM

Comentários

Há muitos anos que fumo respeitando o direito dos outros.
O cigarro só me sabe bem ao ar livre.
Bom fim-de-semana, beijinhos.

Publicado por: Nilson Barcelli às junho 1, 2007 11:44 AM

Comecei a fumar aos 14/15 anos, para ser gente crescida, como a maior parte da garotada, nesse tempo. Fumei armazéns de cigarros e tabaco de cachimbo, toneladas de erva e hashish(an), e pasmo com as punições destes cuidados sanitários que se abolotam com não sei quantos por cento em cada onça de tabaco. Como a eternidade deve ser um tédio, continuarei a fumar enquanto me der prazer - prazer, exactamente - e com um cacilhinho aceso nos lábios enquanto assisto à inevitabilidade de ver começar a encolher 1.64 metro que atingi.

Publicado por: fallorca às junho 1, 2007 01:05 PM

Uma vez perguntei a uma máquina de calcular quantos cigarros fumei e ela respondeu-me em notação científica ao ponto de pensar que estivesse avariada.
Lembei-me então que já fui ao funeral de alguns médicos que não fumavam e descansei.
Se num Restaurante eu não puder fumar então também não deverei ser importunado por jaquinzinhos, remelentinhos, reprovados crónicos de cabeça rapada com chapeu de basebol com a pála para trás, "clientes" cretinos com menos de 1,20m que não pagam a conta.
Se o Estado abdicar dos seus 51% na Tabaqueira então terá dado o 1º passo para me persuadir.
A minha geração fez o 25 de Abril para terminar proibida de fumar e obrigada a usar preservativo.
A PIDE era menos hipócrita: pedia apenas a Licença de Uso e Porte de Isqueiro.
O que dirá a Lei sobre os vapores rutilantes inalados por um soldador a soldar a Argon? Multa-o por fumar coisas esquisitas?
Tenho passado uma boa parte da vida por essa Europa fora e asseguro-vos que não houve comerciante que que não arranjasse uma forma expedita de permitir que se fume; tudo dentro da máxima legalidade, claro!

Publicado por: JG às junho 1, 2007 02:09 PM

Muito obrigada pelo elogio, é sempre bom receber. ;)
Beijinho grande

Publicado por: Luna às junho 1, 2007 04:56 PM

Obrigada, Tati! Beijinhos!

Publicado por: Charlotte às junho 2, 2007 05:16 PM

Nilson Barcelli - E sabe uma coisa? Em termos ambientais, um cigarro fumado ao ar livre tem na saúde impacto menor do que se o mesmo acontecesse em espaço confinado.

Fallorca - Ora bem! Assim desmente o epicurismo e pelo que vejo tem-se dado bem com isso. De resto, sabe que mais?, é um modo de estar tão respeitável como qualquer outro.

Luna - O seu texto divertiu-me e tem conteúdo para muitas reflexões. Beijinho.

Charlotte - E há lá coisa boa ou má que suceda
áqueles de quem gosto que eu não deseje partilhar? Um beijinho com muita saudade.

Publicado por: Tati às junho 3, 2007 09:51 PM

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