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junho 05, 2007

FUMO SEM EIRA NEM BEIRA

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Chelin Sanjuan

Não é possível descrever como quem rasga a pele o que não se experimentou ou conheceu. Ainda menos se o veículo do registo for a palavra que, desenhada em solo alvo, é o que é – desenho significante se a palavra já o tiver. E quem a literatura aprendeu a amar, ainda que dela não faça saber específico, sente arrepio quando o brilho falso imita jóia genuína. Isto e muito mais retive da “Conversa Pessoal e Transmissível” com este Senhor.

Da cadeia das palavras prezo o gozo de as ligar sem que atrapalhem o fluir do pensamento. Com sentires passados e presentes, com impressivas observações dos quotidianos faço renda – jamais lhe aprendi os segredos, o que na minha escrita explica muita coisa! –, servindo de agulhas as teclas e de algodão o fio das ideias. Preciso do arrepio na pele para me debruçar sobre um texto. Todavia, como distingo a escrita ditada por conhecimento enraizado, daquele outro, fugaz, sugerido pela ocasião...

“Amo a liberdade; por isso, as coisas que amo deixo livres. Se voltarem foi porque as conquistei, se não foi porque nunca as tive!” – li isto em qualquer lugar que esqueci. Assim lido com as palavras. Largo-as para que juntas voem e desenhem no ar mensagem inteligível. Se o fizerem, por instantes foram o meu respirar. Pairando como fumo sem eira nem beira, é sinal as palavras não ter sabido preservar.

Publicado por Teresa C. às junho 5, 2007 07:21 AM

Comentários

Compreendo na perfeição os seus arrepios.
É curioso como as emoções são tão semelhantes, quando as circunstãncias são idênticas!
Só que os meus arrepios, ao aperceber-me "do brilho falso" das palavras ou das ideias, dá-me para me esconder, de vergonha. Enquanto que o arrepio provocado pelo belo, esteja este onde estiver, é equivalente a um repentino arrebatamento do espírito, que induz a um Amor profundo pelos objectos ou pelas pessoas...
As suas palavras, querida Amiga, não são "fumo sem eira nem beira". São centelhas de de Amor que iluminam as manhãs de muita gente.

Publicado por: j às junho 5, 2007 09:53 AM

Você continua a ter lampejos flamejantes (é pleonasmo?) que arrelampam o meu olhar
(deu-me vontade de pôr 'arrelampagam'...) .
Isto tudo para ilustrar a minha concordância; modestamente.

(Mas!
continuamos 'de costas voltadas', não é?
Amistosamente.
Por causa daquela conversinha mole...)

Publicado por: -pirata-vermelho- às junho 5, 2007 03:18 PM

J - não devo merecer as suas palavras, mas é Amor, sim, o que me leva a escrever.

Pirata-Vermelho - não estamos de costas voltadas, creia. Uma picardia é gosto do qual não abdico.

Publicado por: Tati às junho 12, 2007 06:11 PM

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