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junho 06, 2007
MULHERES DE ATENAS

M. L. Garmash
Comentando o texto “As Mulheres Secam? Cedo?”,Alba escreveu: “Credo, Teresa! Este post, transcrevendo algumas das ideias feitas sobre as mulheres com mais de 40 anos que por aí circulam, deixou-me perturbada. Talvez por me ter apercebido da perversidade contida em alguns pensamentos, bem atrás da aparente admiração e generosidade...Afinal, muitas vezes recebemos as ditas frases em mails ilustrados com belas imagens e sempre com a intenção de "fazer uma mulher inteligente feliz". A ideia com que fico dos 8 chavões é que as mulheres de mais de 40 anos são mais discretas, mais requintadas, mais calmas. Certo. E a quem é que isto beneficia mais, ou de outra forma, serve melhor? A elas? Não creio. Sabe, de forma muito oblíqua lembrei-me das "Mulheres de Atenas" cantadas por Chico Buarque, das que não têm sonhos, só têm presságios... Será que estas mulheres de mais 40 anos dos emails generosos têm sonhos? Ou são tão sensatas e tolerantes que já se conformaram com muita coisa? Certo, não fazem cenas, são discretas, pegam na bagagem e retiram-se em quase silêncio, conduta tão diferente das raparigas mais "nervosas", que gritam e exigem... Tanta coisa para pensar, Teresa!”
Sabe?, Alba, quero acreditar que após os quarenta ou cinquenta ou as décadas que vierem, os sonhos existem e suavizam os dias de homens e mulheres. Por que anular os sonhos é o mesmo que acoitar desesperança e, sem ela, quem poderá viver inteiro? O filtro com finos poros por onde passam as escolhas e o requinte de serenos, porém intensos, modos de estar, beneficiam, em primeiro lugar, as pessoas, neste caso mulheres. É patamar que os verdes anos não configuram atingir. Contempla a sabedoria amores tranquilos e generosidade pelas gentes, parceiros, filhos e pais? Tanto melhor! A conformação pode provir da argúcia para o conveniente, para o possível, e ser pungente limite à esperança que impõe rebeldia perante status quo borolento. Sabedoria é outra coisa – conhecimento das prioridades da vida que o «ser» desafiam a cada novo dia. Os chavões que pela «rede» rodopiam, tendo como alvo e correio o gineceu, salvo os de fino humor, confrangem leitores, sejam homens ou mulheres. E sim, Alba, é verdade, além de sonhos, ilusões e dádiva temos presságios. Não de fatalidades irrecuperáveis, antes de quadro antecipado dos riscos atentatórios da matriz pessoal e do querer. Por que a sabedoria reside num valor a que três letras dão significado: paz!
Publicado por Teresa C. às junho 6, 2007 07:41 AM
Comentários
Insisto - porquê '40'?
Foi nos'preceitos', lá atrás e é agora, aqui, no dizer de Alba...
Fica-se com a impressão que são as... ALGUMAS! mulheres que delimitam, que estabelecem fronteiras de qualidade ou valores de referência.
As pessoas não são 'avaliáveis' pela idade, como os carros usados! Nem 'arrumáveis' em gavetas de cima ou de baixo... como as camisas do jogging ou as d'ir à missa.
Há uma grande grande distinção a fazer entre o aforismo 'as mulheres secam; cedo', literalmente tomado e uma valorização das pessoas em função de encantos, competências ou predisposições atávicas ou de construção; ou mesmo da sua ausência.
Os afectos presidem. Ou deveriam presidir, juntamente como os direitos e a distribuição dos privilégios.
Publicado por: -pirata-vermelho- às junho 6, 2007 02:26 PM
Vejo a “Mulheres de Atenas” como um aviso às mulheres contemporâneas que ainda vivem de acordo com um padrão de uma sociedade tendencialmente patriarcal, apesar de tecnicamente extinta (ou em vias de extinção) à época da canção, em finais da década de 80 do século passado.
Entretanto, dizem, muita coisa mudou a nível colectivo e pessoal. O movimento feminista produziu conquistas inegáveis, principalmente nos anos 60/80, e a mudança da condição feminina reformulou a postura geral da sociedade, no sentido de uma maior igualdade na partilha de tarefas profissionais e familiares.
Mas existem (no mundo ocidental) homens e mulheres que ainda não apreenderam essa mutação nem a importância do seu papel na sociedade actual.
Para além disso, há mulheres que são o que são por força das circunstâncias, nomeadamente pela dependência económica do marido.
Outras há, no entanto, que apesar de terem todas as condições externas para poderem afirmar que “após os quarenta ou cinquenta ou as décadas que vierem os sonhos existem e suavizam os dias de homens e mulheres”, insistem em secar como as mulheres de Atenas…
Nestas, como noutras coisas, o espelho ajuda imenso… principalmente quando isso contribui para a paz que se sente num reflexo autêntico da vida, onde os sonhos sem conivências descabidas do saber pela maturidade representam uma mais-valia da qualidade de vida que temos.
Publicado por: Nilson Barcelli às junho 6, 2007 05:56 PM
Obrigada pelo post, Teresa. Foi tão bom ler os seus argumentos, tão sábios e serenos!
Eu fiquei, de facto, a pensar no seu texto "As Mulheres Secam? Cedo?" e a pressentir que algo tinha escapado à minha interpretação imediata. Talvez por me encontrar perto dessa idade tão mitificada e esteja muito defensiva relativamente a generalizações, como aquelas que foram referidas.
Claro que há que saber receber essa energia própria dos "anos da paz". E honrá-la com toda o orgulho das mulheres que somos e seremos!
Publicado por: Alba às junho 6, 2007 08:18 PM
Antes de mais parabéns pelo blog!
Excelente conteúdo,continue!
Convido-o agora a visitar:
http://aguia-de-ouro.blogspot.com/
Futebol e política num só!
Obrigado!
Publicado por: Tó às junho 7, 2007 01:02 AM
Pirata-Vermelho - Tem razão. Dou a mão a palmatória; porém, todo este chorrilho de textos à volta do mesmo teve por origem o tal rosário que pela «rede» circula e nos quarenta se detinha.
Publicado por: Tati às junho 12, 2007 06:14 PM
Nilson Barcelli - que acrescentar a tão sensato comentário ao texto? Talvez... Obrigada por me ler e ter a generosidade de comentar assim.
Alba - tenho-a como parceira de pensamento semelhante ao meu. Por isso me deleita ler o que escreve.
Publicado por: Tati às junho 12, 2007 06:17 PM
Pois é, Teresa....
Pois é, Alba....
Quem entende de mulher não são vocês, não.
Homens não entendem n a d a DAS mulheres.... Mas entendem DE Mulher!
O mais duro são as "aborrecentes". Depois disso... entre Balzac e Chico Buarque, quem de vocês sabe o que ocorre na alma, corpo, mente?
Os homens não sabem de nada.
Mas intuem tudo, sem saber nem como.
GARANTO (intuitivamente como todo homem, então não indaguem qual a fonte do Saber) que a Mulher, seus sonhos, desejos, esperanças, quereres, vivência humana, nunca tem nada que pereça. Apenas se transformam.
Os homens, mais raro.
Geraldo
Publicado por: Geraldo Facó Vidigal às junho 19, 2007 10:02 AM
estava esperando encontrar uma RESPOSTA PARA UMA PESQUISA MAIS VCS PARA ME AJUDAR NUM COLOCARAM NADA QUE PRESTACE
coloca coisa que presta pra não me fazer comentar aki atoa e PERDER TEMPO
AFFFF
Publicado por: Anonimo às novembro 13, 2008 09:13 PM