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junho 30, 2007
PROCISSÃO DE NADAS

Autor que não foi possível identificar
Separar das trevas o dia pela feitura da luz terá sido a primeira obra do Criador. Luz primordialmente entendida como marcha atinada de corpúsculos, depois como onda veloz, hoje sabida como procissão de «nadas» que ondulam energia pura e nula massa – os fotões.
Para o deleite do visto a existência de luz é condição comum. Seja diurna ou nocturna a fracção do dia, o iluminado é protector; o negrume inspira temores pelo perigo que pode esconder. Nas paisagens visuais é assim e são as que privilegiamos. Outras há para afinados sentidos como o cheiro, o tacto, o ouvido e o sabor. Percorrendo trilho avulso com olhos vendados, que paisagem olfactiva reteríamos das silvas, canas, morangueiros silvestres, violetas, dentes-de-leão ou funcho? Um a um comporiam o desenho olfactivo do lugar, ou reteríamos soma confusa sem as parcelas nomear? Quem diz visão, diz olfacto, diz paisagens tácteis, gustativas ou sonoras. Num bosque – jamais entendi porque abundam no mundo e por cá se resumem a bouças, matas e matagais – palpados os caules, as folhas, o chão, a que detalhes resumiríamos a descrição?
A Exposição Universal de Paris em 1900 – megaevento para comemorar a mudança do século - foi provavelmente o derradeiro sonho iluminista de um mundo ordenado e controlado, apto a ser representado e transmitido também pela sumptuosa luz que a Torre Eiffel inaugurou e derramava a si e ao homem glorificando. Haja luz! E o mundo não mais foi o mesmo.
Publicado por Teresa C. às junho 30, 2007 02:02 PM