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junho 20, 2007
TÓS, BETOS OU NELOS

Mark Young
De baptismo, António. Poderia ser Alberto e para os amigos Beto; Nelo se fosse Manuel a vontade dos padrinhos. Mas não!, calhou-lhe o Toninho de que se desfez mal atingiu a idade do querer. Por apelido Santos, podia ter sido mais um Pereira entre milhões. Santos Pereira sendo conjugação de pai e mãe. Na certidão de nascimento um mangas-de-alpaca assentou António Santos Almeida, Tó para os compinchas. Duas letras que o descreviam na perfeição – à uma, era curto, calhando com a preguiça do (sobre)viver, às duas, nome inteiro era coisa de gente com mais posses e pretensões, negada pela esquerda radical que, sem um gesto, afirmava defender.
Da infância dolorida e da adolescência ao Deus-dará, poderia ter surgido homem bom. Não foi o caso – iniciou nas fumaças os desvios, derrapou para adicta escolha, recuou, caiu no álcool, curou-se e foi andando menos mal. Da juventude à idade adulta fez-se biscateiro e apurou o talento de «bater couros» a incautos fosse no estudo, nos empregos precários ou na matreirice a que sujeitava as pessoas em geral. “Está-lhe na massa do sangue”, diria o povo ao encolher os ombros, rematando sem dizer: “não vale a pena gastar cera com ruim defunto. Assim é, assim será!”
Com a argúcia e inteligência, preciosos bens herdados, poderia ter investido positivamente na vida. Ora, isso obrigava a cuidados, disciplina, esforço, tudo razões de alergia para quem encasquetara prover ao respectivo sustento pela atávica preguiça gerida a partir da cama. Optou pelo estatuto mais simples e para o qual obtivera licenciatura, mestrado, doutoramento e pós-graduações várias: exímio larápio de almas e dinheiros. “Mas respeito valores”, jurava, cruzando os dedos de ambas as mãos e deixando soltos os pés para rasteirar desavisado que o acaso aproximasse.
Está bem na má vida que conhece. Os ventos correm de feição aos cabazes de Tós que na horizontal ziguezagueiam entre os pingos da chuva. Indo molhado o início do adiado estio, uma coisa sempre peço aos santos da minha devoção – “tende piedade!, não me deixeis escorregar em laje puída ao alcance dos Tós, Betos ou Nelos deste mundo. Amem.”
CAFÉ DA MANHÃ
Para quinta-feira adio a resposta ao comentário que ontem publiquei. Não sou «piquena» de ceder a uma vagina pintada sem arengar um pedaço.
Publicado por Teresa C. às junho 20, 2007 08:07 AM
Comentários
Amen.
Publicado por: -pirata-vermelho- às julho 3, 2007 11:29 PM
Amem.
Publicado por: -pirata-vermelho- às julho 3, 2007 11:30 PM