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julho 24, 2007

MEA MAXIMA CULPA

Edward Img688_K_p_013.jpg
Edward

Mea-culpa, mea maxima culpa, por tão corrosiva escrita aos homens endereçada. E logo vinda das minhas teclas, eu que de alguns sou amiga, a outros amo – fique entendido não ser o meu coração um Inatel que a excursões oferece guarida -, a muitos admiro e com os conhecidos prezo a cordialidade respeitosa. Arredando da colação o meu inexistente desencanto deles, escrevi o lido por serem uns queridos, conquanto adoravelmente ingénuos julgando-se finórios, e porem-se a jeito de suave ironia. E se agrados me concedem e mercês lhes devo...

Tive sorte – nem me atrevo a dizer o costumado “mais do que mereço”, não se dê o caso de julgarem a frase ardil para retorno elogioso -, muita sorte! Os homens a que me prendem doces laços de amor-família ou próximos do amor-romântico são riqueza de que fruo. Talvez pelos meus fortes apegos sou optimista, exauro dos dias o melhor e não configuro amanhã pela precariedade pendente sobre os humanos. De ontem e de hoje, ainda que uma seta perdida atingindo em cheio o ninho vital de um ser, fosse substituído por avião desgovernado que entra pela casa dentro, mata centenas viajantes e imóvel cidadão dormindo na sua cama.

Se a gramática geral desfavorece o bicho-homem, a da Igreja abençoa-o e exalta-o. Afora ave-maria, salve-rainha, homilia e epístola, nomes femininos, todas as demais denominações litúrgicas são vocábulos masculinos: sacerdote, te deum, agnus dei, angelus, benedictu, confiteor, lavabo, pater noster, pelo-sinal ou baptismo. Mais digo: desde o tempo avito, as religiões estão orientadas para os homens, das mulheres cuidando enquanto reprodutoras do rebanho, clientes fiéis das igrejas e laboriosas domésticas dos altares. Na linguagem comum, beata é termo pejorativo, beato um homem beatificado e a caminho da santidade legitimada pelo Papa.

Não me seja dada pena grave pelas minhas venialidades irónicas. Pela condição brincalhona, mereço absolvição e como penitência a sentida reza de um pater noster.


CAFÉ DA MANHÃ

Sem açúcar e bem cheio. Deliciosamente aromatizado também por leituras como estas:

- Afinal, Menezes avança. Com ar de prisão de ventre, mas avança. Avança para que não haja... «funcionários públicos perseguidos». Não é tocante? -

- «Está uma pessoa distraída na inocente ocupação de dizer mal do Marques Mendes, e eis senão quando é brutalmente confrontada com a aterradora eventualidade de ele poder vir a ser substituido por Luís Filipe Menezes.»

Publicado por Teresa C. às julho 24, 2007 10:00 AM

Comentários

Teresa, eu acho que por aqui arranjaríamos um Partido que realmente desse jus ao nome e partisse mesmo tudo o que há a partir. Da maneira como isto anda, com tanto candidato independente, um novo PP (Partido Partido) seria uma boa solução.

Gosto da tua escrita. Não me incomodo com as críticas, a mim como homem, não considero ofensivo nem tão pouco mais ao menos, é legítimo criticar, é preciso saber ouvir e ler (a perspectiva das mulhere... soa bem isto?)

Confesso que há uma coisa que eu embirro um pouco, e se calhar por ingenuidade, ainda não consegui perceber muito bem o porquê das "ladies night".

Publicado por: Sandro Franco às julho 24, 2007 01:46 PM

"Não me seja dada pena grave pelas minhas venialidades irónicas. Pela condição brincalhona, mereço absolvição e como penitência a sentida reza de um pater noster."

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Absolvida no que ao signatário toca (tocou) ... mas, por mim, pode escusar o pater noster

Publicado por: Minderico às julho 24, 2007 02:09 PM

O mal está feito, querida Amiga.
Quod dixit, dixit... E nada há que possa apagar as suas "corrosivas" palavras. Ingénuos? Sim, seremos. Uns queridos? Sim, julgo que também.
Mas, sem as nossas ingenuidades o que faria da sua "sarcástica" escrita? Ou da sua aparente tranquilidade perante a vida? É que, por mais que custe a algumas Amigas, nós somos um apetitoso complemento. Pelo menos, que o seja de longe em longe!!!

Publicado por: j às julho 24, 2007 03:06 PM

Bom, " J " lançou um repto à Teresa ( ... nós somos um apetitoso complemento - genial, caro J !!! )

Também o Sandro Franco manifestou, bem corrosivamente, a sua opinão -( ainda não consegui perceber muito bem o porquê das "ladies night" )

Teresa - tem a palavra novamente :-)

Publicado por: Minderico às julho 24, 2007 11:33 PM

Teresa, eu não estou contra nada. Não contesto as "ladies night", apenas acho estranho a intenção de algumas discotecas e bares. Acho que todos os ambientes precisam da presença das mulheres, e dos homens.

Eu quando quiser ser corrosivo, não será aqui concerteza. Este blogue não merece tal atitude ou estado de espírito.

É apenas uma discussão que lanço.

;)

Publicado por: Sandro Franco às julho 25, 2007 12:23 AM

Uma palavra apenas. Graça. Não em tom de gracejo. Em tom de elegância, encanto, sedução, espírito, quiça um dom sobrenatural rumo à salvação. Belíssimos posts.

Publicado por: Textículos às julho 25, 2007 02:59 AM

Caríssimos - sou lá «piquena» de fugir a desafios? Nos próximos dias regresso ao debate. Obrigada, Textículos.

Publicado por: Teresa C. às julho 26, 2007 11:41 AM

P'ra mim...ajoelhou...rezou...!!! Agora, tás perdoada!

Publicado por: Viajante às julho 26, 2007 07:01 PM

Viajante - Lol Eu não disse ter ajoelhado ;)

Publicado por: Teresa C. às julho 28, 2007 10:19 AM

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