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julho 19, 2007
MUITA PARRA E UVA MEIA

Robert Anderson
Muita Parra e uva meia. A colecção Berardo será o que os olhos virem. Aos meus é como a Madeira que o homem viu nascer – tem picos e baixios. Mais destes do que daqueles. Colorida como as flores exóticas que na ilha o calor húmido germina. Com manchas de pobreza, emergente na maioria, escassa em nomes gloriosos. Não deslustra ou é incoerente com o que de João Berardo esperava. O gosto é um dom passível de educação, embora na distribuição pelos humanos os deuses sejam sovinas. O investimento de milhões em arte teve méritos: como detentor de fortuna pelo próprio engenho alcançada, ao Joe conferiu projecção e credibilidade. Por si só, diz a minha subjectividade, os baús de moedas dos donos contam pouco. A forma de os utilizar, essa sim, é delatora.
A mostra embevece quem chega e do átrio principal a vislumbra pela cor anunciada. No sala-após-sala, e são muitas!, é agradável rever uma Paula Rego de eleição, um Warhol que as sucessivas litografias banalizaram, um Magritte interessante, o delicioso Miró e delirante Dali. Do Picasso e do Bacon exibe o possível. Possuir trabalhos de qualquer deles é privilégio de muito poucos.

Mel Ramos
O Surrealismo tem representação condigna. A Pop Art, um dos movimentos da arte contemporânea que me enfeitiça pela alucinante técnica de colagens e pintura, é crítica irreverente e humorada do american way of life. Mel Ramos, frequentemente escolhido para ilustrar estes textos, tem exposta uma das minha obras preferidas. Encontrei pobrezinha a recolha do Minimalismo.
Na esplanada do terceiro andar do CCB, descansei o olhar de tamanha dose de cor. O brilho das águas do Tejo, a lonjura aparente da Ponte e do Cristo-Rei, pacificaram a sensibilidade enquanto digeria o almoço e o visto.
CAFÉ DA MANHÃ
Magníficos textos! Quem me dera escrever assim...
Publicado por Teresa C. às julho 19, 2007 07:46 AM
Comentários
Para quem pouco entende de escolas, de técnicas e de tendências como eu, fica a definição simples e completa do que é o belo dada por S. Tomás de aquino: "Pulchra sunt quae visa placent"...
O que significa, para meu consumo, que vi muita coisa bela que me agradou.
Publicado por: j às julho 19, 2007 09:37 AM
mas vale a pena.
cumpz
Publicado por: Pensar Custa às julho 19, 2007 08:38 PM
minha querida, obrigado pela gentileza.
mas quanto à tua escrita, é um prazer que me desafia e surpreende de cada vez.
bela e mordaz, subtil e afinada, inteligente e irónica, poética... assim é a escrita e a escritora.
abraço forte.
Publicado por: troblogdita às julho 24, 2007 03:52 PM
O Mel ramos que lá está exposto pode revê-lo aqui
http://contadordeviagens.blogspot.com/2007/06/fast-and-food.html
Publicado por: Fado Alexandrino às julho 26, 2007 06:22 PM