« ALFARIM ANTES, CRUZAR O VOTO DEPOIS | Entrada | MÁ FAMA? BADAGAIO! »

julho 15, 2007

SALTAR DA CAMA PARA DENTRO DOS SAPATOS

Terry Rodgers beachvenus.jpg
Terry Rodgers

Estrila o despertador como clarinete desavindo com o sopro do tocador, pula da cama o cidadão como se fora recruta. Pode ensaiar horizontalidade na ronha, mas para quê? Para desvairado saltar da cama para dentro dos sapatos? A granítica rotina da maioria assalariada não tem dó, ou piedade. E torce, e enforma teimosamente até um trabalhador ser parafuso de poderosa engrenagem.

No estado adulto, aos atávicos traumas infantis, depois juvenis, acresce o da máxima produtividade com reconhecimento mínimo do patronato, da sociedade e da família, assim escasseiem mimos e o vivido for sobrevivente penúria.

Televisões e revistas impingem o despudorado sucesso como prioridade das vidas. No papel lustroso, os bem-sucedidos por mérito ou manha ou frivolidade são sorridentes protagonistas. Enquanto isto, sob o chapéu de sol na praia domingueira, jaze a arca frigorífica à mistura com as barbatanas e demais tralha de miúdos e graúdos. Quem pena a semana inteira espoja o corpo ao sol e abandona-se, ou nem isso pela insidiosa culpa do quase nada que sobra para si e para os filhos, pela canseira (des)esperada na segunda-feira.

Olhos vagueando por aléns que somente o próprio alcança, reconhece que no trabalho se esfalfa e resfolega sem da honestidade desistir. Logo, produz riqueza. Amealha um cêntimo? Não! E o convencionado sucesso? Nem a tanto aspira, embora, ocasionalmente, deslize na inveja. Aprendeu a ter por meta única uma vida responsável e séria. Finalmente, percebe do hoje o resumo – “Não luz? Não é ouro!”


CAFÉ DA MANHÃ

serpieri14 copy.jpg
Serpieri

Lisboa, a Cidade Branca (Dans La Ville Blanche) de Alain Tanner e das capitosas colinas, merece.

Publicado por Teresa C. às julho 15, 2007 09:18 AM

Comentários

Comente




Recordar-me?