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julho 22, 2007
UNS "CABRÕES"?

John Luce
Quando, entre mulheres, a frivolidade apetece, o efeito é devastador. Nem adianto para quem, por ser fácil de antever. Das nossas peculiaridades sabemos, com as deles construímos enciclopédia, tendo a inteligência de somente a abrir e usar entre mulheres. Os clichés masculinos sobre o gineceu achamos tão delirantes que nos brotam lágrimas de tanto riso. Estereótipo comum é o das varonis criaturas acharem que nos defeitos e manias somos clones. Comum e revelador por repisarem coisa antiga e, em menos de quase nada, termos o desprazer de confirmar a rasante imaginação. Axioma com recorte tão fino como o anterior é o de a eito asseverarem não passarmos de malvadas umas para com as outras. Quando, distraídas, recalcitramos, depressa chega o cansaço. Algumas, mais generosas, condescendem, para que de alimento para a boca ou para o ego nada lhes falte.
Os nossos estereótipos mirando a condição masculina – e se os temos! – diferem na infinita variedade e na feição de lidarmos com eles. Aliás, são matéria secreta e cifrada que recusamos confessar mesmo sob efeito de banho com espuma cheirosa, champanhe bebido a meias mais oleada e sábia massagem envolta em luz difusa. Porque não me entendo traidora, o que a voz disfarça e o olhar assassino significa quando homem sem o menor sentido de oportunidade interrompe conciliábulo feminino, calo. Luísa D. - minha querida, perdoa-me! -, irei contigo ao Lux três vezes seguidas, juro, mas uma coisa revelo: como não rir perdidamente quando te referes aos homens como uns “cabrões”? “Todos!, excepto os da família”, acrescentas.
Publicado por Teresa C. às julho 22, 2007 09:19 AM
Comentários
Achas mesmo que os homens são todos uns cabrões?...E consegues entregar-te, de quando em vez, a um cabrão?...
Publicado por: Viajante às julho 22, 2007 10:55 AM
Você é uma delícia... Vá lá ao Lux com a Luísa, que eu até gostava de ser mulher para para poder partilhar o seu riso quando ela disser que nós somos todos uns cabrões... excepto os da família ahahah
Publicado por: fallorca às julho 22, 2007 04:46 PM
se fosse só por detectar incoerência, nada acrescentaria em comentário
mas começar por "eles" - caramba, um atropelo de generalização... - caírem na tolice de considerar injustificadamente que "elas" são todas iguais em defeitos femininos e concluir, por interposta cúmplice (e aqui cedo um eventual trunfo argumentativo sem ceder filosoficamente no que respeita ao princípio) que "eles" são todos ...
bem mais fundo que a inconsistência (perfeitamente aceitável num postal de blog, como de resto em seus bloguíferos comentários apêndices, como este mesmo...) é a falta de novidade, mesmo que meramente formal, que me leva a reagir
o "Sem ..." é interessantíssimo, por vezes de altíssimo nível, digamos, literário, quase sempre bem apessoado de pontos de vista certeiros, que importa se aqui e ali frívolos, frequentemente caprichados mais que caprichosos, por isso me escapa o sentido últil do recurso ao chavão - espero ao menos que não seja referência a margaridiana literatura de cordel onde se repetem vezes sem conta que "...os homens são uns c. para as mulheres" de conteúdo nulo
a afirmação, mesmo se romanceada, continua a ser vazia e inversamente proporcional ao predicado que é suposto pressupor a quem se arroga atirador de tal pedra
poderá valer como piscar de olhos a algum namoro - ná, a manietação da ida ao Lux não me parece martírio a ombrear com amor sincero - por via do éter, recado edital, bilhetinho cibernético - ia dizer digital, mas isso é bem outra coisa
pode ser código, como as núvens o podem também ser de quem as saiba ler, mas seria tamanha inibição desmerecedora de reparo e atenção
nem tudo pode ter poesia, a exigência que olhe para a terra como o Poeta pede ao Rei Sebastião, mas ao menos simpatia pede-se à compreensão
então será favor ? paga ? prece ?
só sei que não é o que parece e está por nascer mera tolice neste blog
ah já sei, é bom afecto
ou pseudo-simpatia ?
espero não ofender
salve
Publicado por: ora&labora às julho 24, 2007 12:18 AM
Viajante - recomendo segunda leitura do texto.
Fallorca - lá terá de ser; a inconfidência pior ainda me reservou.
Ora&labora - estupfacta é como me sinto! Entende-me bem demais. Madre mia! Que terei feito para merecer comentadores tão argutos e gentis?
Publicado por: Teresa C. às julho 24, 2007 08:03 PM