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agosto 16, 2007

A CARICATURA DOS SEXOS

Robert Mcginnis 68.jpg
Robert Mcginnis

"... Há mais tolerância machista, há menos arrogância feminista... E, sobretudo, há uma maior lucidez na análise de composição psíquica dos sexos. (...) Isto é, nem há homens só machos, nem existem mulheres apenas femininas. Em todos nós, seres humanos, há uma certa dose de mistura. Por mim, aprecio o racionalismo macho, mas não deprecio o meu lado feminino. E nem me envergonho de o afirmar.” – J (comentador)

Estendo a mão à palmatória e reconheço ter cedido vezes demais à ironia, quiçá sarcasmo, ao perorar sobre a condição masculina. O filtro da objectividade frequentemente dispensei e foram decantes frívolos algumas dissertações.

Ao contracenar no palco da vida, na essência não distingo homens e mulheres. Neste particular, os acasos da fortuna têm sido generosos. Negar desencontros no carreiro dos meus dias seria mentira. A tal me escuso. Todavia, pelo crivo da exigência a que, em primeiro lugar, me obrigo e por onde também peneiro potenciais amores e amigos, deixo cair quem do préstimo leal duvido. Racional, sim, apaixonada sempre. Uma cartesiana emotiva. O pecúlio de incoerência salta à vista.

Com a ciência aprendi a evitar o «sempre» e o «nunca». Que os extremos conceptuais são limites a que a natureza foge. Ela mescla, destrói para criar, não desperdiça, conserva matéria e energia. Que dos convencionados atributos psíquicos masculinos e femininos todos possuímos, dou por certo. A caricatura corrosiva dos sexos resulta de atavismos históricos. Pela correria da evolução social não é tarefa fácil a integração dos novos papeis e desafios que sujeitam homens e mulheres. E baralhamos e ensaiamos e recuamos e avançamos. Por que a harmonia existe, o refúgio nos clichés, ou em retaliações por contra-poderes, é absurdo que evito. Porém, uma certeza tenho – o gozo pela minha condição de mulher é infinito.

Publicado por Teresa C. às agosto 16, 2007 08:57 AM

Comentários

Em tão poucas palavras, tanta letra pra quê?
'Anda tudo' equivocado...
nem sei se a entendem inteiramente, apesar da linearidade;

e que se me desculpasse a aparente petulância!


( outra vez o ditirambo! gosta? )

Publicado por: -pirata-vermelho- às agosto 16, 2007 12:21 PM

"Estendo a mão à palmatória e reconheço ter cedido vezes demais à ironia, quiçá sarcasmo, ao perorar sobre a condição masculina. O filtro da objectividade frequentemente dispensei e foram decantes frívolos algumas dissertações. "

Bonito o "mea culpa"

Melhorou :-)

Publicado por: Minderico às agosto 16, 2007 01:22 PM

Ainda bem que o seu espírito científico a leva à dúvida sistemática (para além da curiosidade, a mãe de todo o conhecimento), à relatividade das coisas e das pessoas e também à humildade que caracteriza quem tem a perfeita consciência de que tão pouco sabe.
Ainda bem, digo eu, porque a todos nos agrada satirizar um pouco os assumidos defeitos ou virtudes do outro lado de nós. Quem não sorri com anedotas de loiras que procuram levar ao extremo "defeitos" totalmente irreais? Ou quem não goza abertamente com a incapacidade masculina para atender simultaneamente duas solicitações?
Por isso, prefiro falar em defeitos-virtudes, já que não é difícil demonstrar os motivos genéticos para certas propensões.
Estou longe da petulância de alguns, mas mais longe ainda famigerada superioridade feminista (faço distinção entre feminista e feminina, como deve já ter reparado).

Publicado por: j às agosto 16, 2007 04:23 PM

O tema de hoje faz-me lembrar uma equação química de neutralização: ácido + base - sal + água.
A digníssima editora [que muito aprecio, diga-se] é tal e qual! Dito de outro modo: com toda a parcimónia e medida q.b., dá uma no cravo e outra na ferradura. É assim que eu gosto! Neutralizando... fica sempre uma pitadinha de sal!
Bjo

Publicado por: Viajante às agosto 16, 2007 05:56 PM

Não resisto, pronto. Pensem o que quiserem, mas não resisto à metáfora de "dar uma no cravo e outra na ferradura". Como é que a esforçada Teresa consegue acertar, quando se encontra rodeada de uma corte de comentadores que não conseguimos estar quietos com a pata?

Publicado por: fallorca às agosto 17, 2007 12:39 PM

Um plural majestático, caro fallorca; não é?

Publicado por: -pirata-vermelho- às agosto 17, 2007 03:07 PM

Pirata Vermelho - é sensata a sua observação, mas que quer? Gosto de esmiuçar o meu ponto de vista e viro prolixa. Grata pela chamada de atenção.

Minderico - Os rebates da consciência não costumo ignorar. E pedir desculpa ou retratar-me não custa ao meditar no que de mau faço.

J. - As tiradas feministas, bem vistas as coisas, nem vão comigo. Simplesmente sou solidária com tantas mulheres que vejo injustamente sofrer à conta de machos descarnados. Irei voltar a este assunto um dia destes.

Viajante - E sabe que mais? A pitada de sal não enjeito. Sem ela fica o palato empobrecido pelo alimento ensosso. Mas gostei da sua correcta deambulação química! ;)

Fallorca - essa não entendi, meu caro! Acertei em quê, posso saber?

Publicado por: Teresa C. às agosto 17, 2007 03:33 PM

Teresa, e andou vc em Coimbra. Não se lembra ou nunca ouviu a velha história do juiz que diz ao réu: vc dá uma no cravo e outra na ferradura. E responde o réu: Vxª não está quieta com a pata...

Publicado por: fallorca às agosto 17, 2007 04:01 PM

Fallorca - É isso mesmo, meu caro. Não consigo mesmo! Mas olhe que essa da velha Coimbra não conhecia. Começa a «topar-me à légua»...

Publicado por: Teresa C. às agosto 20, 2007 11:00 AM

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