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agosto 18, 2007
A MINHA FRÁGIL TRASEIRA

Alexandra
Considero os automóveis os electrodomésticos mais caros que já possuí. Por eles desembolsei balúrdios para a serventia que lhes dou. Atestados, são em tudo diferentes de um camelo – só têm uma bossa e escoam sem parcimónia o alimento. Piores que um gigolô por conta, presumo, por jamais lhe ter utilizado os préstimos. Perdoado me seja o desvio, mas gostava de saber à conta de quê se valorizam os “acompanhantes encartados” quando a canasta sexual não é opção. Serão cultos e galantes? Lindos e polidos? Sendo tudo isso, o que, além do dinheiro, os motiva na «profissão»? Aos bovinos de espírito não há «V» corporal que compense. Para satisfazer cliente lasciva, bem podem acartar nos bolsos leite condensado e chocolate líquido – li isto algures e pasmei. Fosse comigo e, ao ver tal fornecimento, levava o homem para a cozinha e punha-o a bater claras após testá-lo na separação das gemas. Mediana mousse dali havia de sair, porque artifícios na cama pretextam-me farta risota. Sem ofensa, juro!, mas o “Nove Semanas e Meia” já lá vai há um ror de anos e ainda sobrevivem resistentes apegados ao chantilly ou ao iogurte de morango.
Como condutora sou sofrível. Dou para os gastos, como soe dizer. Odeio buzinas, sou rabina e expedita, sem mimar por aí além os cavalos e a carroça. Circulando em auto-estrada, irrita-me sentir veículo colado à traseira. Vai uma honesta cidadã empenhada numa ultrapassagem a 130km/h – ouvi serem dez quilómetros margem de consentida tolerância -, a via da direita repleta e um energúmeno pressionando a dianteira contra a minha frágil traseira. É lá coisa que se faça? Fartei-me! Adeus aceleração de cedência à pressa alheia. Que esperem. Que aguentem. Que esbracejem. Apenas regresso à direita quando a segurança avisto.
Publicado por Teresa C. às agosto 18, 2007 09:07 AM
Comentários
Vejo aqui duas, pelo gozo puro que me dão
1 - "Mediana mousse dali havia de sair, porque artifícios na cama pretextam-me farta risota."
2 - "Adeus aceleração de cedência à pressa alheia. Que esperem. Que aguentem. Que esbracejem."
... et voilá!
Publicado por: -pirata-vermelho- às agosto 18, 2007 02:02 PM
É uma situação irritante essa de alguém a querer "tocar-nos" no tardoz, em plena auto-estrada.
Fico sempre com a sensação de que criaturas tão "aproximativas" são potencias violadores, sei lá!
Publicado por: Minderico às agosto 18, 2007 07:19 PM
Também detesto ataque à traseira que normalmente na estrada são assinalados à distância com os irritantes sinais de luzes.
Normalmente são jeeps, com condutores de camisa branca e óculos escuros, ou BMW essa espécie de novos ricos, predadores da estrada
Pronto Teresa mais um pro Blorganaizer
Publicado por: Luis Maia às agosto 18, 2007 11:18 PM
Pirata Vermelho - A razão é simples: com o tempo fica esgotada a paciência para ociosidades nas cambalhotas. Na estrada também.
Minderico - Essa do "tardoz" esteve brilhante. Há muito não me lembrava do termo. Empresta-mo?
Luis Maia - Conheço-lhes a farda, as peneiras, a foleirice de emergentes de meia-tigela. Pronto, zanguei-me! Não é meu hábito ser assim tão rude, mas quer?, uma «piquena» não é de ferro.
Publicado por: Teresa C. às agosto 20, 2007 11:13 AM
É foleiro, pouco íntimo, sim senhor, atacar o tal "tardoz" em plena auto-estrada. Mas como os meus veículos são cardíacos e só sabem trotar as nacionais e o corridinho das estradinhas algarvias, deparo-me com um outro cenário que evito a todo o custo: a menina do carro que está a retocar a maquilhagem a indicar-me que lhe passe por cima. Marafadas, maganas, onde já se viu tamanho desaforo?!
Publicado por: fallorca às agosto 21, 2007 12:25 PM
Fallorca - Ai nem me fale disso. Então não é que nos semáforos ponho rímel, bâton e blush? Sou por isso uma marada ou magana?. Garanto que mal o verde surge, acelero. Tenho lá tempo a perder, se uma bica e um croissant simples, estaladiço e gostoso, me espera meia hora antes do trabalho? Sou pontual, caríssimo, e não será a maquilhagem a atardar-me o caminho
Publicado por: Teresa C. às agosto 22, 2007 01:47 PM
Não é "maradas", essas serão outras... É marafadas, mecinha, na me estrague o "algarvês", déme!
Publicado por: fallorca às agosto 22, 2007 02:12 PM
Por causa da traseira... vim aqui bater ;-)
No modelo antigo! Será que vai chegar ao destino?
Serviu para lhe conhecer os hábitos hehehe
Publicado por: zeka às julho 2, 2009 03:15 AM
Zeka - Claro que chegou ao destino. E vai-me conhecendo muito bem... ;)
Publicado por: Teresa C. às julho 2, 2009 11:12 AM
Eu estranho que chames electrodomestico a um carro. A meu ver, não são domesticos e por enquanto, a maioria deles são alimentados a gasolina. Mastubação verbosa é uma doença comum hoje em dia.
E quanto a tua opinião... mantem-te na faixa da direita
Publicado por: Jorge às agosto 20, 2009 04:48 PM