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agosto 23, 2007
À PROCURA DO «HOMEM»

Julie Bell
Por todo o Ocidente as evidências assustam: violência conjugal associada a morte, elevadas taxas de suicídio masculino, particularmente de homossexuais, dificuldades escolares dos rapazes, jovens assassinos nas escolas, movimentos de pais contra a justiça(?) que os afasta dos filhos. Estes e outros dados – mudanças profundas nos papeis sociais e afectivos – sugerem como oportuno reflectir sobre a condição masculina.
Recuando quarenta anos, situaria o começo do declínio do patriarcado. Formal, por que à mulher eram reservadas competências no “lar” e educação dos filhos, seguramente tão decisivas e dominadoras como as atinentes aos “chefes de família”. O acesso generalizado à pílula contraceptiva e, posteriormente, ao divórcio para os casados pela Igreja Católica, a entrada massiva das mulheres no mercado do trabalho e o dinamismo dos movimentos feministas abalaram definitivamente as tradicionais estruturas do homem e da família – pai e mãe como iguais, diferentes, porém, quando a relação acaba e é atribuída a guarda dos filhos.
Se na condição feminina a clareza existe, a masculina é tíbia. Atentando em Portugal, embora o problema ignore fronteiras, trinta e três após a revolução de Abril é periclitante o sistema social, económico e político. Mudada a legislação, as mulheres rapidamente integraram atitudes e expectativas por outras conquistadas mundo fora. Existem abrigos e protecção para mulheres em crise. E quanto aos homens? Aceitam o mesmo ou prevalecem os preconceitos machistas (deles e delas)? Em 1995, as Nações Unidas empenharam-se numa análise diferenciada pelo sexo. Hoje, presta maior atenção ao sofrimento masculino.
Publicado por Teresa C. às agosto 23, 2007 09:09 AM
Comentários
Vou já mudar de neurologista. Mas as Nações Unidas não estão a ser um bocadinho machistas, por prestarem «mais atenção ao sofrimento
masculino»? Nada como "consultas mistas", é a minha esperança no futuro
Publicado por: fallorca às agosto 23, 2007 11:07 AM
"Existem abrigos e protecção para mulheres em crise. E quanto aos homens?" [pergunta-se].
De facto, sem tibiezes há que admitir a existência de fragilidades nos homens. Basta estar um pouquito atento na leitura de alguns blogs e respectivos comentários para nos apercebermos da "multidão" a precisar de "abrigo".
Por enquanto, no que a mim me toca, vou [mas é] precisando de protecção...! [esta da protecção é profunda , não é Teresa?!]
Publicado por: Viajante às agosto 23, 2007 12:50 PM
Posso emendar?
Se na condição feminina a clareza ainda existe, embora com crescente desfocagem, na masculina vai-se tornando cada vez mais tíbia.
Para usar palavras suas...
O princípio dos vasos comunicantes aplicado à sociologia (!) e que vai sendo visível em tudo, do mais epidérmico e aparentemente fútil ao mais decisivo e profundo.
É o preço que se paga (pagamos!) pela arregimetação das mulheres para a produção da riqueza de outrém, a cavalo na 'emancipação' e no reconheciamnto de uma igualdade de direitos perante a lei e certos costumes.
Publicado por: -pirata-vermelho- às agosto 23, 2007 02:06 PM
Querida Amiga,
Se eu mantivesse a pureza marxista, diria que tudo vem nos livros... Não há capitalismo sem a massiva arregimentação de mão-de-obra, quanto mais baratinha melhor, para a produção da riqueza de alguns, como muito bem afirmou outro assíduo comentador. A verdade é que, por todo este mundo de Cristo, se aprofunda a diferença e a desigualdade sociais, apesar dos ditos "denodados esforços" para a aproximação social e económica dos sexos.
Tretas! Como pode verificar qualquer cidadão a quem ainda resta um pouco de espírito crítico.
Se a questão se limitasse a ser esta, ainda poderíamos admitir que quanto maior a exploração maior a consciência social e cívica dos explorados...
O problema é que são muito mais trágicas as consequências desta evolução social, nomeadamente, aquelas que a querida Tati enuncia e que, no fundo, se resumem a uma mudança radical no posicionamento dos sexos no sistema económico.
Entendo que o empenho da ONU na análise social pelo sexo é um mero subterfúgio para esconder a realidade: o regime de exploração no mundo está a atingir o limite do insuportável.
Publicado por: j às agosto 23, 2007 02:39 PM
E se na imagem, o Homem (com H maior) tem cara de apanha estalos estúpido a mulher tem todo o ar de girosa de telenovela, estúpida (ela!) - as imagens como projecção de um (sub)inconsciente colectivo ou o princípio da conservação da energia e/ou! a segunda lei da termodinâmica aplicada aos processos conviviais?
Publicado por: -pirata-vermelho- às agosto 23, 2007 03:31 PM
Ah! não! A procura de um homem e logo será o Super Homem ? De roupa azul, capa vermelha e cueca sobre a calça ?
Cueca vermelha ainda por cima ?
Não minha querida. Homens que puxam a cadeira para a dama sentar,levam-lhe flores nas ocasiões festivas, abre-lhes as portas dos autos. Diz-lhe de sua beleza e altivez. Fala da suavidade de sua pele e voz. Capaz de ouvir e compreender seus mais diversos periodos e mudanças de humores. Acaricia seus cabelos e lhe é sempre atento, jamais poderia ser de outro planeta. Até porque de tão forte e poderoso, nem o fio de cabelo poderia-lhe a mulher fazer roçar.
Não. Os homens sempre foram e serão homens, na medida que souberem amar as mulheres. Nem mais nem menos. Até porque quem lhes cria e educa, quase sempre em última instância é a mãe. A qual ele ama ou odeia. Mas depende tão somente dela.
Sou homem por amar as mulheres, jamais por pelear contra o mundo.
Publicado por: Justo às agosto 24, 2007 02:29 AM
Pirata-vermelho, eu acho que o homem (com S na t-shirt) na imagem tem mais ar de Belarmino, ainda antes do Fernando Lopes o passar ao celulóide. Quanto a ela, subscrevo o que realça, mas não resisto à tentação de destacar um sobrancelhame digno de respeito e uma determinação nas garras que lhe desculpam a estupidez telenovelesca. A leitura diária deste blog anda a perturbar-me seriamente o recato, ao ponto de ontem ter passado boa parte da tarde a ler-lhe o histórico
Publicado por: fallorca às agosto 24, 2007 11:49 AM
Fallorca - havendo protecção instituída para as mulheres em crise, seja por violência doméstica, violações, abandono, maternidade não desejada, et cetera, porque não o mesmo para os homens? Se neles a violência e o desajuste crassa nos comportamentos sociais, a igualdade de direitos entre os sexos obriga a tomar medidas inovadoras. Quanto às «consultas mistas» serão sempre as preferidas. ;)
Viajante - Ainda se diverte com aquela minha tirada. Seu malandro!... Irei provar-lhe não ter sido desadequada ou condescendente.
Pirata-Vermelho - Aceito a correcção e com a razão apontada como uma das que alicerçam o problema. E, permita-me que lhe diga, adoro uma picardia. Zangar é que não tem muito a ver comigo. A imagem da Jullie Bell teve uma intenção: lembrar o ridículo dos estereótipos sobre o homem-protector-herói e a mulher orgulhosa do «macho», não do Homem, que a acompanha nos dias.
Justo - "Os homens sempre foram e serão homens, na medida que souberem amar as mulheres. Nem mais nem menos. Até porque quem lhes cria e educa, quase sempre em última instância é a mãe. A qual ele ama ou odeia. Mas depende tão somente dela. Sou homem por amar as mulheres, jamais por pelear contra o mundo." Perfeito! Que os deuses assim o conservem. :)
Fallora - Lol! Isso está a ficar sério! Se bem ler os meus despejos reflexivos será diminuta a substância a encontrar. Digo eu...
Publicado por: Teresa C. às agosto 24, 2007 12:21 PM
aldra!
Publicado por: fallorca às agosto 24, 2007 05:41 PM
J. - Peço-lhe desculpa meu Amigo, por ter deixado para o final o seu comentário. Estou convicta de ser o vil metal o móbil de quase, todas?, as (des)conjunturas que aos humanos e ao planeta fazem sofrer. As "putas têm aquele aspecto porque andam na »vida», ou andam na vida por terem aquele aspecto"? Em português popular e menos vernáculo é a "pescadinha de rabo na boca". O poder, na minha ignorante opinião, é o que está em causa. Até nas relações afectivas o problema se põe e o dinheiro, frequentemente, está arredado da questão. O domínio, a posse dos bens e seres, e, mais do que tudo, das consciências. Por isso este burburinho sobre os transgénicos me deixa boquiaberta. Já os engolimos há um ror de anos, e só agora alguns ruidosos o perceberam? Mas... dormiram até aqui? Tiveram o entendimento em coma? Há outra explicação, é evidente: a deficiente divulgação e informação científica do nosso povo.
Publicado por: Teresa C. às agosto 24, 2007 07:55 PM