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agosto 05, 2007
DA CABANA DO PAI TOMÁS AO SILENCIAR DOS GRILOS

Alain Aslan
O remanso estival não é à toa esperado o ano inteiro. Não que dispense outras pausas. Uma saída deste jardim atlântico – sim, ainda o é, e já por aqui o fundamentei em recentes estudos científicos - quando a estranja ainda não foi contaminada com seres minorcas, parafernália de foto e vídeo a tiracolo, arrulhando em bandos, é interlúdio no trabalho que não olvido. E estou com este Senhor na malquerença com a feira da Portela. Levem-no para a Ota, para Alcochete, ou qualquer outro sítio que prove vir a prestar pelo menor custo os melhores serviços. Poupem-nos ao pinderiquismo arriscado da cabana do Pai Tomás que serve Lisboa. E os milhões que acabaram de ser lá enterrados entre betão e cimento?
A leitura enviesada dos blogues que mais aprecio merece tolerância. Por este tempo, jardinar, chapinhar descalça nas poças do lajedo de granito enquanto a rega mata a sede da terra e dos verdes e das rosas e gerânios que o ar serrano perfumam, são alguns dos muitos prazeres que me oferta a Beira dos meus enraizados amores. Daqui a distracção da entrevista ao embaixador do Irão feita pela Márcia Rodrigues em Lisboa, com véu, vestida até à nuca de escuro e com luvas pretas. O tratamento da notícia, que só o é pela patetice da season, por esta brilhante Mulher tem muito que se lhe diga. Louvo e aplaudo o que li. Aqui, o comentário foi uma delícia: "Iria a jornalista apenas coberta por uma tanguinha feita de missangas e pulseiras de conchinhas nas pernas se o entrevistado fosse o rei da Suazilândia?” Com parceiras assim, dispenso culpabilidade pelas frivolidades que por estas bandas tenho publicado – como se eu fosse de me penitenciar por gozos merecidos!...
Não fora um gato que adoptou canto térreo para miados de gente que sofre do Inferno as penas, e das noites que suave brisa arrefece o corpo do insano calor do dia, não me queixaria. Mas o bichano, há duas noites, seja pelo cio, seja pela desventura – tenho para mim que os animais contam da vida os arrepios -, não cessa os lamentos depressivos. Do meu quarto, no andar cerce ao jardim, tive o desgosto de me ver obrigada a semicerrar as portadas durante as noites cálidas. E o gato geme, e conta dos desamores e do reumatismo as dores, quase silenciando os grilos.
Nota – as Senhoras cujas leituras hoje recomendo que me desculpem. Mas as rosas e os verdes e as missangas e o nada da tanguinha estava a pedir o revivalismo atrevido do Alain Aslan. É um apontamento de apetecível frescura.
Publicado por Teresa C. às agosto 5, 2007 09:20 AM
Comentários
Pois é Teresa depois admire-se das criticas puritanas. Esse tema do cio dos gatos tem que se lhe diga.
Essa coisa do cio e das lutas dos gatos pelas gatas é só uma questão de ver quem chega primeiro mais tarde ou mais cedo todos lá chegam. Numa mesma ninhada uma gata pode ter filhos de vários gatos.
Enfim, umas malucas é o que é. Já viu em que é que se meteu ?
Bom mas para que não me acuse de bordejar o assunto, a Marcia voltou a dar um exemplo da saloice nacional, em Lisboa não tinha que se "equipar"á moda iraniana.Se o dito embaixador recusasse a entrevista problema dele.
A fotografia que vi é a do início da decadência ? Nesse caso eu já sou uma ruína
Publicado por: Luis Maia às agosto 5, 2007 04:58 PM
O que é que a Teresa tem... que a Antónia não tem??? [conhecem a música?]. Pois é! Felizmente nem todas as mulheres são iguais [{umas são mais invejosas que outras!]. Quanto ao resto...coisas quentes de Verão. E quanto a este, toca a aproveitar que já se faz tarde...!
Publicado por: Viajante às agosto 5, 2007 09:54 PM
Luis Maia - Com puritanismos posso eu bem; pena é, usualmente, trazerem no pacote raciocínio curto. E sim, foi despropósito da Márcia que às mulheres em nada dignifica. Quanto ao resto - graçolas e fotos e disparates -, mais há que rir, porque levar isto a sério seria tontice.
Viajante - E eu sei lá? Mas olhe, fiquei a cantarolar a música. :) Bora lá aproveitar um estio que só promete coisas boas.
Publicado por: Teresa C. às agosto 6, 2007 04:18 PM
Tome lá beijos
"que s'eu fosse deus mandava fazer duas! Uma pra mim e outra pra quem a quisesse..."
(ouvido por mulher bonita em praia brasileira. sou espectador.)
Publicado por: -pirata-vermelho- às agosto 7, 2007 12:55 AM
Apetecível frescura, pois, e eu que me amanhe com a gataria, que me transforma o telhado em pista de dança (gosto do termo...) e perverte o erudito WMP num portátil de feira
Publicado por: fallorca às agosto 7, 2007 09:39 AM
Luis Maia - O puritanismo não me incomoda se a mim for enderaçado. Enquanto modo de estar que as pessoas, em geral, atinja, aí... bom!, aí odeio.
Pirata Vermelho - Um enorme sorriso estival :)
Fallorca - Ainda bem que apreciou a «frescura». Já quanto à dança da gataria em nada posso ajudar.
Publicado por: Teresa C. às agosto 8, 2007 11:11 AM