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agosto 31, 2007

DESPEDIDA DE AGOSTO - TATI (DIA 6º)

Giorno

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Gil Elvgren

Tapadinha sem descurar a elegância, que o lugar é cosmopolita, respeitoso e repetido. Dispenso o dálmata como guia.


Após o jantar

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Gil Elvgren

Repouso e a tranquilidade de um livro. "Buona sera"!

“Concurso Veneno com Açúcar” - correio electrónico concursotati@hotmail.com Tema: “Despedida de Agosto”. Bases do concurso publicadas no dia 25 de Agosto.

Publicado por Teresa C. às 10:15 AM | Comentários (0)

agosto 30, 2007

DESPEDIDA DE AGOSTO - TATI (DIA 5º)

Mal o sol raiou

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Gil Elvgren

Regalo più meraviglioso!... Grazie veramente.


Finda a tarde

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Gil Elvgren

“Arriverdeci, amore mio”! Que a noite de todos os jogos e desafios comece. A nenhum me escusarei.

“Concurso Veneno com Açúcar” - correio electrónico MartineTati@hotmail.com Tema: “Despedida de Agosto”. Bases do concurso publicadas no dia 25 de Agosto.

Publicado por Teresa C. às 09:34 AM | Comentários (0)

agosto 29, 2007

DESPEDIDA DE AGOSTO - TATI (DIA 4º)

Todo o santo dia

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Gil Elvgren

“Um calor de ananases.“ (...) Entrei no quarto atordoada, com bagas de suor na face. (...)

Eça de Queiroz, A Correspondência de Fradique Mendes


Antes do jantar

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Gil Elvgren

Duche demorado e remediei os estragos. A noite prometia.

“Concurso Veneno com Açúcar” - correio electrónico concursotati@hotmail.com Tema: “Despedida de Agosto”. Bases do concurso publicadas no dia 25 de Agosto.

Publicado por Teresa C. às 10:10 AM | Comentários (0)

agosto 28, 2007

DESPEDIDA DE AGOSTO - TATI (DIA 3º)

Era a manhã menina

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Gil Elvgren

Tratei de vestimenta compostinha - os costumes dos nativos não toleram ousadias femininas.


Dormido o sol

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Gil Elvgren

Ambiente feérico para esta humilde aprendiz de Sherazade

Publicado por Teresa C. às 10:45 AM | Comentários (0)

agosto 27, 2007

DESPEDIDA DE AGOSTO - TATI (DIA 2º)

Dia meio

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Gil Elvgren

Um acordar preguiçoso. Somente após calcorrear de fio-a-pavio o que pude, serenei.


19h

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Gil Elvgren

Esmerei os preparativos - vestido coleante pouco acima das himalaicas sandálias, a cada passo revelando as pernas, o atrevido! Estiquei a noite de mil sons e luzes, até sobrevir o cansaço.

“Concurso Veneno com Açúcar” - correio electrónico concursotati@hotmail.com Tema: “Despedida de Agosto”. Bases do concurso publicadas no dia 25 de Agosto.

Publicado por Teresa C. às 10:06 AM | Comentários (0)

agosto 26, 2007

DESPEDIDA DE AGOSTO - TATI (DIA 1º)

Bem cedo

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Gil Elvgren

Despeço-me das nuvens zangadas e subo até onde o sol brilha. Na descida, a luz e a calmaria estão certas.


Pelo meio da tarde

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Gil Elvgren

“Concurso Veneno com Açúcar” - correio electrónico concursotati@hotmail.com Tema: “Despedida de Agosto”. Bases do concurso publicadas no dia 25 de Agosto.

Publicado por Teresa C. às 09:35 AM | Comentários (0)

agosto 25, 2007

UMA BELDADE REBITEZA

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Michael Parkes

Ao Sarkozy tenho por cromo. Ou sabidão. Ou francês banal que ainda hoje se pergunta porque artes do demo chegou ao Eliseu. Como presidente, claro, porque para bajulador moço-de-fretes tinha perfil. A mulher, uma beldade «rebiteza» de sua graça Cecília, dizem ser a única que lhe faz frente. Desde a adolescência habituada a ser senhora do seu perfeito nariz, não perdeu uma das aventuras que a vida lhe proporcionou. Fugiu com um amor, marcou casamento com outro que trocou por nova paixão que a conduziu à Mairie de Paris. Contrato civil oficializado pelo Sr. Sarkozy, casadíssimo, pai de família, que no mesmo instante jurou aos botões do fatucho Armani ficar com aquela mulher. E ficou - quatro anos depois casavam.

Se ao homem entendo o gosto – além de inteligente, é soberba e troca a nacionalista casa Chanel pela jovialidade italiana da Prada – não faço a menor ideia do que a Cecília viu nele. Mistérios por quase todos experimentados. Passada a euforia romântica, olhamos o ai-jesus que no tirou do sério e quedamo-nos boquiabertos perante as íntimas razões que nos promoveram suspiros. Facto é que a “primeira-dama francesa” – termo delicioso que obrigaria o companheiro a ser “primeiro-amo” – bate o tacão e o respectivo faz-lhe continência. A última foi nos States escolhidos pelos Sarkozy como destino de férias. Pequeno-almoço com o casal Bush, protocolo, segurança, imagens de circunstância e uma ausência notada: a da insubmissa Cecília. O marido divulgou uma amigdalite grave como razão da falta. No dia seguinte, os paparazzi fotografavam-na bem disposta e à l’aise na exclusiva Walfeboro que ao clã acolhe nas férias. Honni soit qui mal y pense!”


CAFÉ DA MANHÃ

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Greg Horn

Bases do “Concurso Veneno com Açúcar”

1 – Os trabalhos enviados devem ser originais e inéditos, com um máximo de 2.500 caracteres. É aceite um único trabalho por participante.

2 - O Júri será composto por amigas da autora deste blogue e por ela própria. Membros do Júri (ordem alfabética): Aida, Anabela, ”Ela”, Isabel, Joana, Lucília, Paula (4 com formação superior na Língua Portuguesa, 3 em Filosofia) e Teresa C. (a ovelha-ranhosa das ciências).

3 - O tema é “Despedida de Agosto” (versando ou não a Tati). Os trabalhos devem adequar-se à sequência das pinturas publicadas a partir do próximo dia 26 e até 2 de Setembro, inclusive. Serão eliminadas do concurso as obras que não respeitem o tema.

4 - Os textos devem ser enviados para o correio electrónico concursotati@hotmail.com com o assunto “Concurso Veneno com Açúcar” até às 24.00 horas de dia 9 de Setembro de 2007.

5 - Os três finalistas serão anunciados no dia 17 de Setembro e o vencedor do concurso a 18 de Setembro. Nos dias seguintes, os trabalhos dos finalistas e do vencedor serão publicados no “Sem Pénis, Nem Inveja”.

6 – Prémio: uma t-shirt preta ou branca, à escolha do vencedor, estampada com a cópia de um ensaio da Teresa C. na pintura a óleo, após votação dos leitores entre cinco propostas.

8 - O envio de trabalhos e a participação neste concurso implica a aceitação destas bases.

Publicado por Teresa C. às 09:12 AM | Comentários (8)

agosto 24, 2007

J M. V., HUYGENS, EINSTEIN E MENEZES

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Edward Hopper

Retomo o Princípio da Incerteza – não é possível prever com rigor o comportamento de uma micropartícula. Lembro as teorias da Relatividade - energia e massa como semelhantes na essência, espaço e tempo interligados. Apelo à Mecânica Quântica – a matéria é em simultâneo onda e partícula. Os electrões e outras partículas subatómicas dançando em harmonia com os átomos, estes com os ajuntamentos que constroem (as moléculas) e com os planetas que pulsam ao ritmo do sol e com ele o cosmos. A nossa biologia diariamente prova a coreografia perfeita do universo – o sémen que ascende ao óvulo, a circulação sanguínea, os ciclos menstruais harmonizados entre mulheres que durante algum tempo permanecem juntas, a sincronia do coração e da respiração. Até os relógios de Huygens acabaram por oscilar em simultâneo e desprezar o desacerto inicial. Os saltos precisos do átomo de césio de um nível energético para outro definem, nos relógios atómicos, a unidade de tempo (no SI – Sistema Internacional de Unidades). Erro de compasso inferior a um segundo em vinte milhões de anos. A matéria – viva ou não – bailando ao mesmo ritmo. Um caos síncrono, irrepetível, organizado por formulação matemática. Por isso determinista. Passado, presente e futuro como resultado da imparável e susssurrada comunicação matemática e física e química entre partículas.

Ontem, o J.M.V., como rábula bem disposta aos putativos plágios do blogue do Menezes, resumiu pontas da teoria unificadora dos campos – zonas do espaço onde forças gravíticas, eléctricas ou magnéticas existem – que Einstein perseguiu. Um visionário, um louco, um excêntrico, segundo contemporâneos. Genial, diria, pela intuição lógica e suporte científico. As vidas encaradas como perspectivas individuais duma realidade única. Julgadas distintas pelos humanos, não o sendo enquanto são. Espectadores de um palco que pensam cheio e onde impera o vazio.

“Vazia e calma e livre de si
É a natureza das coisas.
Nenhum ser individual
Na realidade existe.

Não há fim nem princípio,
Nem meio.
Tudo é ilusão,
Como numa visão ou num sonho,”

Poema budista na “Fórmula de Deus” – José Rodrigues dos Santos


CAFÉ DA MANHÃ

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Anna Halldin

Copiando descaradamente o “Concurso Rosa-Cueca de Posts de Amor (ou da falta dele)” da Rititi – minha querida, não me esqueço da t-shirt! - o “Sem Pénis Nem Inveja”, por via da Teresa C., convida os leitores a participarem no “Concurso Veneno com Açúcar”.

A partir do dia 26 de Agosto e até dia 2 de Setembro, em vez de textos serão publicados trabalhos do Gil Elvgren cuja legenda deixará pistas sobre a despedida de Agosto da “Tati” – ao petit nom que assinou este blogue durante três anos e meio devo uma homenagem. É pretendido que a sequência das imagens, a fantasia e das palavras o jogo de cada autor ganhem forma num conto. As bases do Concurso serão publicadas amanhã.

Publicado por Teresa C. às 09:16 AM | Comentários (7)

agosto 23, 2007

À PROCURA DO «HOMEM»

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Julie Bell

Por todo o Ocidente as evidências assustam: violência conjugal associada a morte, elevadas taxas de suicídio masculino, particularmente de homossexuais, dificuldades escolares dos rapazes, jovens assassinos nas escolas, movimentos de pais contra a justiça(?) que os afasta dos filhos. Estes e outros dados – mudanças profundas nos papeis sociais e afectivos – sugerem como oportuno reflectir sobre a condição masculina.

Recuando quarenta anos, situaria o começo do declínio do patriarcado. Formal, por que à mulher eram reservadas competências no “lar” e educação dos filhos, seguramente tão decisivas e dominadoras como as atinentes aos “chefes de família”. O acesso generalizado à pílula contraceptiva e, posteriormente, ao divórcio para os casados pela Igreja Católica, a entrada massiva das mulheres no mercado do trabalho e o dinamismo dos movimentos feministas abalaram definitivamente as tradicionais estruturas do homem e da família – pai e mãe como iguais, diferentes, porém, quando a relação acaba e é atribuída a guarda dos filhos.

Se na condição feminina a clareza existe, a masculina é tíbia. Atentando em Portugal, embora o problema ignore fronteiras, trinta e três após a revolução de Abril é periclitante o sistema social, económico e político. Mudada a legislação, as mulheres rapidamente integraram atitudes e expectativas por outras conquistadas mundo fora. Existem abrigos e protecção para mulheres em crise. E quanto aos homens? Aceitam o mesmo ou prevalecem os preconceitos machistas (deles e delas)? Em 1995, as Nações Unidas empenharam-se numa análise diferenciada pelo sexo. Hoje, presta maior atenção ao sofrimento masculino.

Publicado por Teresa C. às 09:09 AM | Comentários (10)

agosto 22, 2007

VEGANSEXUAIS

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Greg Hildebrandt

Li proliferar uma subespécie humana designada por vegansexuais . Mal saímos dos metro e tecnossexuais, vêm agora mais estes confundir o por demais confundido. Quantas saudades de antanho!... Havia «homo» e «hetero»; mais estes do que aqueles. Agora, diz o mulherio à la recherche de l’homme perdu, que heterossexuais disponíveis – em desespero até incluem os comprometidos – são vestígios cuja extinção a prazo antecipam. Ora aqui está potencial atentado à tradicional solidariedade feminina (pelo vivido, não cedo um mícron à rivalidade atribuída às mulheres).

"Os vegansexuais não comem carne nem produtos animais e recusam ter proximidade sexual como parceiros não-vegans, cujos corpos, dizem eles, são feitos de animais mortos". Acho bem. Como diz o sabedor povão, “não se estragam duas famílias”. Que se fiquem com a soja e o tofu e os tubérculos e as couves. Que se cruzem os impolutos. Que dispensem as costeletas grelhadas de porco preto. E as plumas. E o cabrito no forno. E o arroz de pato à moda do meu clã – a receita inclui pedaços miúdos de presunto e cenoura cozidos com a ave. Não fosse a criatividade da “minha Cila” resistir ao treino esforçado em que me empenho e seria infalível pitéu. Assim… depende. Nada que uma admoestação risonha não devolva ao bom caminho.

Quem não dispensa um tradicional cozido, se à minhota melhor – carnes salgadas demolhadas de véspera em vinho tinto -, uma feijoada a preceito, favas com «mouras», vê o mercado confinado. «Astrologomaníacos», wiccas, super dragões, juve leo, diabos vermelhos, workaholics, sisudos, arrogantes, impostores e lerdos são pesada baixa no total dos humanos equilibrados. Logo agora que 44,2% das mulheres portuguesas declaram como frequência ideal para o sexo três a quatro vezes por semana, enquanto eles se ficam pelas duas ao mês. Depois, queixem-se.


CAFÉ DA MANHÃ

- A não perder duas leituras sobre o tema de hoje. Encontrei-as aqui e aqui,

- Deleite que aconselho sobre míticos medidores do tempo. Aqui.

Publicado por Teresa C. às 09:17 AM | Comentários (21)

agosto 21, 2007

“ESTÚPIDA! UMA PANCA DANADA...”

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Deborah Poynton

Não sei se na altura era casada. Nem o detalhe importa no caso. Tiveram um affair que, mais a ela do que a ele, mudou o curso dos dias. Um cínico de gelo, como todos os impudentes. Amou-o, odiou-o e tentou pretensa amizade não sabendo com quem lidava. Ou sabia, porque algumas mulheres conhecem por dentro ao conhecer de verdade. Sem que o confessem, não vá a sapiência varrer dos dias amores que o sussurro da consciência antecipa desnaturados. Melhor fora a higiene, porém, a insanidade por um afecto condiciona a aceitação do lúcido desenho que a alma compõe a carvão. Com ela foi assim. Deixou-se ficar. Foi ficando, enquanto ele desbravava, com desdém, a selva feminina. Preferia as mulheres cheias de carnes e, como ele, de fraudes. Inseguro e desconfiado – os piores dos tresmalhados. Condescendia ter com ela ambiguidades ocasionais para obter sossego precário. E calá-la. Tolhê-la numa esperança vã.

Num arrepio de glaciar sujo, acusou-a de indiscrições que o incomodavam. Inocente ou culpada? Na (in)certeza do veredicto, a arrogância de deus-menor considerou-a culpada. Ela suicidou-se nessa noite. Deixou um filho. “Estúpida... Uma panca danada!”, comentou. E prossegue de olho posto no umbigo. O dele.


CAFÉ DA MANHÃ

O venerando Arcebispo mudou de residência. Nada de somenos, já que perder-lhe as curtas prédicas é pecado sem remissão. Ao inferno do tédio irá parar, direitinho, quem lhe ignora o siso.

Publicado por Teresa C. às 08:27 AM | Comentários (7)

agosto 20, 2007

AS ZANGAS DE HURACAN

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Blake Flynn

Segundo a mitologia Maia, o deus Huracan era tormentoso - incumbia-se de destruir e reconstruir a natureza. Da má fama não se livrou, ficando para sempre associado a tempestades, meros estados de confusão na atmosfera. O vocábulo “Furacão” deriva do nome desse irrequieto deus. Como ingredientes conhecidos destas tormentas naturais, há os ventos coléricos, a demência da chuva e a ocorrência cíclica. Mal é chegado Junho e até ao final de Novembro, os furacões instalam-se nas costas leste e do golfo dos Estados Unidos, no México, América Central e Caribe. Têm bom gosto.

Um furacão tem génese simples: numa região tropical com água aquecida (no mínimo 27°C), nível adequado de humidade atmosférica e ventos equatoriais convergentes (que se movem em direcções diferentes), começa por ser incipiente depressão tropical (turbilhão de nuvens e chuva com ventos de velocidade inferior a 61 km/h), cresce como tempestade tropical (vento de 55 a 118 km/h) e só faz jus ao nome quando a velocidade das massas de ar zangadas atingem os 119 km/h.

Não tenhamos por frívolo impetuoso o nosso lado do oceano. A maioria dos furacões do Atlântico têm início ao longo da costa ocidental da África. Em nada desmerecem a fúria dos que “vão a ares” para as costas mais elitistas. Como eles possuem três partes principais: o “olho”, o centro de baixa pressão, a “parede do olho”, área ao redor do olho com ventos rápidos e fortes e as “raias de chuva” que, ao circularem para fora do olho, alimentam a tempestade através do ciclo de evaporação/condensação. Estarmos a salvo, por enquanto, tão rápida se tem revelado a mutação climática, é favor da natureza. Convém agradecê-lo como as todas as graças, e são muitas se bem contadas, do nosso quotidiano.

Nota - para conhecer a anatomia e nascimento de um furacão o “Hurricane Creation” permite criar um e brincar com os vários factores que o influenciam.

Publicado por Teresa C. às 10:16 AM | Comentários (9)

agosto 19, 2007

AMANDADA PARA O CORRUPIO

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Como lugar de férias, Portugal é lindo, barato e recomendo. Problema – preciso de repisar sítios que amo e descobrir outros tantos. Remédio – oito dias no Carnaval, igual dose agora, e regresso aos sítios e gentes portuguesas mais apaixonada do que nunca. Um adeus e um “ora viva!, estou de volta” deixam-me antes e durante traquina, depois mansa. Olhar lavado, coração ao léu, felicidade no rosto, livros na mala de mão e vinte quilos para trapos e demais necessidades. Uma beleza!, não fora o caos da Portela. Não creio que os oito dias em falta para a partida ordenem os tapetes da bagagem, remendem o pessoal em défice e tragam competência à Groundforce responsável pelo handling às companhias aéreas.

Como qualquer viajante prezo aterrar com forte probabilidade da mala ser, pouco depois, “amandada” por funcionário façanhudo para o corrupio deslizante. Nem importa a espera de vinte minutos, meia hora, vá!, se o mood é magnânimo. Mais do que isso resmoneio pela incapacidade ou desleixo. Por ora, ouço falar em exercícios de paciência tão demorados como a viagem. Ou mais, se foi do Porto ou de Faro a partida. Há pior: chegar e da «valisa» nem vestígio. «Regardar» sem a «trouvar». Fazer apressada convocatória aos deuses do Olimpo para que os meus deliciosos trapinhos e acessórios de espanto não vão parar a Cuba em vez de pousarem no escolhido e finório destino.

À TAP já “fiz cruzinha”, que é como quem diz fujo dela a “sete-pés”. Registou a segunda pior performance no extravio de bagagens em vinte e três companhias analisadas entre Março e Junho. Não me parece que mês e meio tenha sarado a chaga ou alargado a Portela. Doses inimagináveis de material particulado altamente tóxico largado pelos aviões a caírem, direitinhos, em cima dos lisboetas e perante o inferno instalado, a defesa do actual aeroporto tem nome: casmurrice.


CAFÉ DA MANHÃ

Ao Luis Maia devo nova gentileza ao destacar o texto de ontem no Blorganaizer. Averiguei dele outros espaços e “madre mia!”, quanto sabedoria, organização e qualidade... Vivamente recomendo as respectivas leituras.

Musicopera
Sindicato de Operários
Blogoteca
Monte de Notas
Nada Vem Por Acaso
O sítio dos Eurocús
D. Sancho I-2º Rei de Portugal
D. Afonso Henriques 1º Rei de Portugal
D. João V-24º Rei de Portugal
D. Carlos I-33º Rei de Portugal
D. José I-25º Rei de Portugal

Publicado por Teresa C. às 09:22 AM | Comentários (4)

agosto 18, 2007

A MINHA FRÁGIL TRASEIRA

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Alexandra

Considero os automóveis os electrodomésticos mais caros que já possuí. Por eles desembolsei balúrdios para a serventia que lhes dou. Atestados, são em tudo diferentes de um camelo – só têm uma bossa e escoam sem parcimónia o alimento. Piores que um gigolô por conta, presumo, por jamais lhe ter utilizado os préstimos. Perdoado me seja o desvio, mas gostava de saber à conta de quê se valorizam os “acompanhantes encartados” quando a canasta sexual não é opção. Serão cultos e galantes? Lindos e polidos? Sendo tudo isso, o que, além do dinheiro, os motiva na «profissão»? Aos bovinos de espírito não há «V» corporal que compense. Para satisfazer cliente lasciva, bem podem acartar nos bolsos leite condensado e chocolate líquido – li isto algures e pasmei. Fosse comigo e, ao ver tal fornecimento, levava o homem para a cozinha e punha-o a bater claras após testá-lo na separação das gemas. Mediana mousse dali havia de sair, porque artifícios na cama pretextam-me farta risota. Sem ofensa, juro!, mas o “Nove Semanas e Meia” já lá vai há um ror de anos e ainda sobrevivem resistentes apegados ao chantilly ou ao iogurte de morango.

Como condutora sou sofrível. Dou para os gastos, como soe dizer. Odeio buzinas, sou rabina e expedita, sem mimar por aí além os cavalos e a carroça. Circulando em auto-estrada, irrita-me sentir veículo colado à traseira. Vai uma honesta cidadã empenhada numa ultrapassagem a 130km/h – ouvi serem dez quilómetros margem de consentida tolerância -, a via da direita repleta e um energúmeno pressionando a dianteira contra a minha frágil traseira. É lá coisa que se faça? Fartei-me! Adeus aceleração de cedência à pressa alheia. Que esperem. Que aguentem. Que esbracejem. Apenas regresso à direita quando a segurança avisto.

Publicado por Teresa C. às 09:07 AM | Comentários (10)

agosto 17, 2007

LÁGRIMAS E PINTO COELHO

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"É na adversidade que se vêem os homens. É nas obras mais recentes que se vê a qualidade de qualquer pintor.” - José Miguel Júdice

Rematámos a noite na Quinta das Lágrimas, lembras? Antes, os nossos passos estalaram o cascalho do parque rente ao Mondego, pródigo em vetustas tílias e carvalhos. Os papiros antecipavam a subtil corrida das águas serenas. Como nós. Tu debruçado sobre o rio, eu aproximando-me de mansinho. Ontem, ou anos atrás? Confundo tempos e momentos de afectos encastoados. Como jóias de família que aguardam no cofre a luz e a pele.

Na conversa evitámos a avareza. Mas houve silêncios desejados e alegremente consentidos. No velhinho e vazio largo das «Ciências», lembrámos itinerários - as descidas das ruas torcidas com empedrado gasto em que a chuva mais depressa fazia deslizar os pés do que o corpo. O sol poente avivava as cores do casario amontoado até ao céu, entrecortado pela alegria do arvoredo da Sereia. E foi falador o silêncio que tu e eu respeitámos, receando quebrar a magia, como todas, precária.

Concertara-mos um café na Quinta das Lágrimas. Porém, a fartura regada do jantar exigiu cafeína e palavras e caminhada pelas ruas escusas que as tricanas e bandos de capas negras em idos calcorrearam. Dizem. Acredito - o fado como loa à beleza e à eterna crença no amor. Na entrada do palacete da Quinta, a Dona Inês e D. Pedro, figurados em óleos do Pinto Coelho, detiveram-nos. Mais ela do que ele. Mulher sem rosto e com o ventre tingido de sangue. Como o lugar onde a lenda insiste ter sido assassinada e derramado sangue sobre as rochas da fonte até hoje avermelhadas. Tinta periodicamente renovada, sabemos. Vestígio da lealdade duma mulher, prefiro acreditar.

Publicado por Teresa C. às 09:15 AM | Comentários (5)

agosto 16, 2007

A CARICATURA DOS SEXOS

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Robert Mcginnis

"... Há mais tolerância machista, há menos arrogância feminista... E, sobretudo, há uma maior lucidez na análise de composição psíquica dos sexos. (...) Isto é, nem há homens só machos, nem existem mulheres apenas femininas. Em todos nós, seres humanos, há uma certa dose de mistura. Por mim, aprecio o racionalismo macho, mas não deprecio o meu lado feminino. E nem me envergonho de o afirmar.” – J (comentador)

Estendo a mão à palmatória e reconheço ter cedido vezes demais à ironia, quiçá sarcasmo, ao perorar sobre a condição masculina. O filtro da objectividade frequentemente dispensei e foram decantes frívolos algumas dissertações.

Ao contracenar no palco da vida, na essência não distingo homens e mulheres. Neste particular, os acasos da fortuna têm sido generosos. Negar desencontros no carreiro dos meus dias seria mentira. A tal me escuso. Todavia, pelo crivo da exigência a que, em primeiro lugar, me obrigo e por onde também peneiro potenciais amores e amigos, deixo cair quem do préstimo leal duvido. Racional, sim, apaixonada sempre. Uma cartesiana emotiva. O pecúlio de incoerência salta à vista.

Com a ciência aprendi a evitar o «sempre» e o «nunca». Que os extremos conceptuais são limites a que a natureza foge. Ela mescla, destrói para criar, não desperdiça, conserva matéria e energia. Que dos convencionados atributos psíquicos masculinos e femininos todos possuímos, dou por certo. A caricatura corrosiva dos sexos resulta de atavismos históricos. Pela correria da evolução social não é tarefa fácil a integração dos novos papeis e desafios que sujeitam homens e mulheres. E baralhamos e ensaiamos e recuamos e avançamos. Por que a harmonia existe, o refúgio nos clichés, ou em retaliações por contra-poderes, é absurdo que evito. Porém, uma certeza tenho – o gozo pela minha condição de mulher é infinito.

Publicado por Teresa C. às 08:57 AM | Comentários (9)

agosto 15, 2007

DUAS «IDÉIAZINHAS»

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Joseph Canger

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Donna Surprenant

“Se isto ajuda alguma coisa, dizem que sou Gémeos. A ser verdade essa dualidade, se sempre me repugnaram a boçalidade e duvidosa masculinidade dos gajos que bramem, “olhem para mim, pareço uma ilha rodeada de gajas”, reservo a mesma repugnância pelas gajas que não sabem ser mulheres.” – Fallorca ao comentar o penúltimo texto.

Duas «idéiazinhas»,`como diria o Poirot, me acudiram ao pensar a frase. Signos astrológicos foi uma. Neste particular estou como o comentador: existem, há quem neles se fie e após dois dedos de conversa pergunte “qual é o seu?”. A partir daí, o ouvinte fica entalado entre a verborreia de catálogo e a fuga apetecida. Com ligeireza, da vítima dizem ser assim ou assado. Eu, que prefiro frito e cozido – um sável, uns filetes de tamboril com arroz de berbigão à malandro, ou uma cabeça de garoupa com todos -, desconfio e reuno para os fieis devotos da astrologia a paciência possível. Soe juntarem aos ditames dos astros o gosto pelo sobrenatural, condimentado por velas com odores intencionais e incensos para «puxar-amores» ou desengatar quem está engatado. Uma pepineira!

«Idéiazinha» segunda: o currículo dos predadores sentimentais, pela inerente condição de perdedores emocionais, é um misto de sandocha-tapa-buraco e vistoso hambúrguer de minhocas. Divulgam-no com descaro, apresentam-no como vichysoise exquise e, não dando para mais a inteligência caprina, ainda desejam bon appétit! Humanos com sensibilidade entupida têm lá o engenho para sabiamente dosear a cebola, o alho, o alho-porro e as batatas que o azeite quente aguarda para o refogado? Às tantas, adicionavam as natas aos legumes ferventes e serviam de seguida. Uns toscos!

Publicado por Teresa C. às 10:16 AM | Comentários (9)

agosto 14, 2007

CAÍDA A MUSSELINA

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Kamille Corry

Nos sótãos onde julgamos tudo conhecer, protegidos por finas nuvens de pó que da luz coada pelas janelas esconsas riscam o caminho, a surpresa acontece. Do meu subi a escada de granito e por lá me perdi numa tarde. Abri baús, destapei o meu carrinho de bebé amorosamente tapado com fina cambraia, abriguei melhor o mobiliário da «casinha» das bonecas, num merendeiro forrado a chita florida desdobrei os fatos do bebé-chorão, alguns adquiridos na Materna, outros confeccionados por uma prima nos tempos livres da Justiça. Abri gavetas e portas da secretária do avô - lá estavam os álbuns filatélicos e numismáticos, mais as partituras das músicas que compunha. Na estante herdada das tias solteiras desfolhei figurinos de moda do início do século, colecções completas das selecções do Readers Digest e almanaques que os anos amarelaram. Pelo ar abafado dum dia quente, fechei a porta de acesso, despi a musselina, prendi ao alto o cabelo e, como vim ao mundo, destapei um sofá para me refastelar na leitura. Do vinil em fila retirei um LP do Duke Ellington.

Era uma almanaque do ano em que nasci, repleto de conselhos domésticos, regras de etiqueta, mãos-cheias de lugares-comuns e primórdios saborosos dos actuais livros de auto-ajuda. Se não, vejamos:

- Quando alguém fizer uma pergunta a que não queira responder, sorria e pergunte: "Porque quer saber?"

- Diga "Saúde!" quando alguém espirrar

- Case com uma pessoa que goste de conversar. Quando a velhice chega, a capacidade de falar e ouvir é o mais importante

- Confie em Deus, mas deixe a casa aferrolhada”

Intemporais dicas de comportamento! Escorregaram décadas e as atitudes comumente sensatas, seja lá o que isso for!, são as mesmas – a substituição do irritante “santinho”, o rodeio polido da pergunta inconveniente, o essencial duma parceria amorosa, o amanhã que cada humano rege como motor e produto da engrenagem.


CAFÉ DA MANHÃ

Agradeço ao Luis Maia o destaque que deu ao “ Sem Pénis” no Blorganaizer e as ligações para este blogue estabelecidas por via da Coralina e da Eva, pelo Helder Robalo, Joshua, LFM, Mar de Gente, Manuel Ribeiro, Paulo e Zé, Rakel, Rebel e Ronim.

Publicado por Teresa C. às 08:53 AM | Comentários (14)

agosto 13, 2007

ESTRADA, BELEZA E OVÁRIOS

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Colleen Ross

Na comunidade científica há quem defenda a relação entre nível elevado de estrogéneo, a principal hormona sexual feminina produzida principalmente nos ovários, e a beleza da mulher. Por outro lado, estudos criteriosos afirmam o estrogéneo como uma das razões das mulheres terem menos acidentes que os homens. Sem sobrepor a minha dúvida metódica ao que os especialistas concluem, custa-me a crer que uma mistura de estrona, estradiol e estriol, também conhecidas como E1, E2 e E3 respectivamente, tenha o condão de nos poupar aos desconchavos automobilísticos. Mais credibilidade me merece outra razão apontada: a capacidade do cérebro feminino se desdobrar em várias percepções simultâneas.

Não fico surpresa pelo reconhecimento dos benefícios vários da nossa atenção repartida, displicentemente afirmada como dispersa, se não volúvel, que nos confere a capacidade de gestão de uma multiplicidade de tarefas psíquicas num dado momento - executar um gesto profissional rigoroso, enquanto delineamos as faltas na despensa e pensamos na Inês que foi para o colégio com uma pontinha de febre. Como a qualquer virtude está associado um defeito, também aqui o mesmo sucede. Os homens são invejavelmente mais eficazes na separação dos compartimentos psíquicos, nomeadamente no modo como dos alhos arredam os bugalhos emocionais. Já para a mulher, lidar com as emoções é enredo como novela sem happy end à vista.

Das generalizações conhecemos os abusos redutores; todavia, os denominadores comuns existem e aos sexos ajudam ao entendimento. Por isto, distingo pela positiva a atitude bem disposta de alguns homens perante descarada infracção ao código da estrada. Ainda ontem, efectuei inversão da marcha em franco despropósito. Os espectadores da manobra arregalaram os olhos e adivinhei-lhes palavras mal-encaradas ao rematar o quadro estacionando em sítio proibidíssimo – acautelei ninguém lesar com a manigância. Abandono o carro piscando desvairado, e vou-me à compra rápida. Ao passar pelos expectantes rostos, em vez de tirada admoestadora ouço piropo. Assim vai a tolerância entre sexos.

Publicado por Teresa C. às 09:20 AM | Comentários (4)

agosto 12, 2007

"AXÁSTE-LO?" – "AXEI!"

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“São Brás do Coito desafoga um para afogar oito!”, diziam os serranos numa engasgadela de truz. A reza era egoísta e a léguas dos preceitos católicos que os levavam a recorrer aos sacramentos e às procissões em carreirinha de gentes, banda de música e andores. E à missa, ponto alto da semana aldeã. Antes, havia o banho em selha que panelas de água quente enchiam, camisa lavada e calças vincadas. No adro, os homens remexiam as novas – desavenças sobre a partição das águas de rega, futebol, mexericos e, o mais importante, a entrada das mulheres para a Igreja. Fossem moçoilas ou casadas, às mais vistosas endereçavam olhar de carneiro-mal-morto. Pela semana, havias as serenatas nocturnos às meninas cobiçadas pelos que em Coimbra estudavam. Por arte da viola e da guitarra, que as gargantas afinadas ilustravam, mereciam o acender três vezes das luzes da casa – código de agradecimento pelo desvelo. Rosto não podia assomar à janela, ou ficava a rapariga «falada». O romantismo dessas noites até hoje ecoa.

Ao longe,
ao cair da tarde,
quando no mar o sol lentamente se vai apagar,
é que eu penso no teu olhar tão meigo e profundo (....)

Esse foi o tempo das prendadas meninas de família que incluiu a mãe e a tia. Nas sobras do colégio, aprendiam pintura e bordados. Música também, ou não centrasse a casa dos avós tertúlias onde o fado de Coimbra era rei. Mas não só. O Giacometti, o Raul Solnado, o Vergílio Ferreira, entre outros, por lá passaram. Nas férias, conhecido tocador de viola, cujo apelido partilho e a quem a canção coimbrã muito deve, voltava à casa dos avós graníticos no bem ser e melhor parecer. O pobre do rapaz, aos domingos, era compelido a aperaltar-se e, junto à avó, assistir à Santa Missa. Ele preferia o coro onde somente homens tinham assento e lobrigavam as pernas das mulheres ajoelhadas. Mas não!... Davam-lhe rédea curta e ficava rente ao prie-dieu da matriarca. Eis quando ouve atrás de si um sussurro. “Quero fazer xixi”, dizia um petiz. “Não aguentas?”, retorquia a mãe. “ Nãoooo!” respondia o miúdo aflito. – “«Atão» vai ao adro”. Silêncio. Instantes passados, a mesma voz infantil: “Não o «áxo»!” – “Como não o «áxas? Chega-te para te desabotoar melhor os calções. Já está. Desanda!” No entretanto, esganiçavam-se as vozes em salmos cantados que ao tocador o ouvido arranhavam. Silêncio, enfim! Sente o garoto voltar ao assento e ouve a pergunta da mãe: “«Atão, axáste-lo»?” E o petiz: “«Axei-o»!” – “Dominus Vobiscum”, terminou o pároco que havia de ser meu tio bisavô.

Publicado por Teresa C. às 10:05 AM | Comentários (12)

agosto 11, 2007

A CAIR DA TRIPEÇA? JÁ NÃO!

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Edward D'Ancona

A cair da tripeça. Décadas atrás, assim estava a região que por ora me acolhe. Chegar era um calvário de cinco horas de viagem. Seis com parança. A serra de S. Pedro Dias, de Coimbra para cá, era tormentosa empreitada. Curvas mais torcidas que os chifres do diabo, a crer na iconografia ingénua(?) então apresentada às crianças. Os estômagos rebelavam-se e os respectivos utentes “chamavam p’lo Gregório” toda a maldita viagem. O pessoal chegava à terra esvaído de forças e da cor no rosto. Só pelo final do dia, farta sopa de bagudos com abóbora passava pelo gorgomilo mais pedaço de broa cozida em forno comunitário de lenha ao lado do prato. Prato à mesa, porque em miúda escapulia-me para a cozinha e, com a cumplicidade da Luzia, tinha direito a dose servida em malga. Ai como sabia bem!... Isto confessei já adulta à família, beijocando a fiel Luzia que, sem cessar, repetia: “Ai a minha rica menina que pude vê-la de novo!...” E reencontrar-nos-íamos muitas vezes, apesar de em cada uma jurar a pés juntos ser a última.

Em férias, idas “lá fora” obrigavam a travessia de Espanha. Tantas foram, que ainda hoje me é penoso configurar paragem em Espanha. No regresso, havia a peregrinação ao El Corte Inglés e às Galerías Preciados para renovar guarda-roupa e adquirir material escolar. À conta disto, não errarei se afirmar que há uns vinte anos não revejo Madrid – as escalas em Barajas não contabilizo. Em contrapartida, chegar a Barcelona é recorrência sem cura – os navios que prefiro dali partem rumo ao turquesa e à bonomia e ao glamour e às ilhas mediterrânicas. Este ano também.

O trajecto da minha cidade à fronteira, passando por Celorico, era prova de um país pobre, se não miserável, em que o simples acto de viver mostrava a bravura da gente portuguesa. Tudo mudou no presente. Três horas dão e sobram para chegar. A inóspita A1 até ao quilómetro 189 é a parte dolorosa pelo tédio implícito. Daí para cá, há uma hora de... passeio. Compulsivo, claro!, pelos trinta quilómetros percorridos a menos de cinquenta. Têm nomeada as multas pesadas do big brother local constituído por radares, brigadas policiais e semáforos num único sentido (para que servem?, para abrandar, sei, mas o ridículo permanece, pois os peões daquela zona habitada não atendem). E as terras avistadas? Asseadas como as matas e os espaços públicos, casas dignas, apesar dos apertos de espírito causados pelas dúvidas no bom senso de alguns arquitectos.

Nem tudo o que luz é ouro e dá sustento à vida das gentes. Mas que é lindo de ver e merece fruição detalhada, ah!, lá isso é verdade.

Publicado por Teresa C. às 09:19 AM | Comentários (21)

agosto 10, 2007

QUANDO A CALIDEZ INSINUA DESEJO

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Carlos Cartagena

Folgo em saber, via F.J.V., que a cintura das calças volta às cinturas femininas. Maior o folguedo por um homem que só lido, ouvido e visto, tais são os múltiplos talentos, atentar em minúcias ao gosto do mulherio. Não enjeitando arejar do corpo o possível, ainda que compostinha – o bom senso e o pudor é bonito! -, bastas vezes o gesto de me sentar se revelou delicado. O cós baixa, o fio íntimo sobe e, quando o fresco se insinua por onde não era suposto, o melhor é pôr a mala atrás das costas. Um desassossego. Prazível é o definido ondular da anca e a cintura nua ao caminhar. Como não entender que gramas a mais não impeçam a tantas mulheres igual satisfação? Não é deleite para os olhos, concedo, mas se à própria satisfaz que frua do corpo solto. E depois, há que optar entre cinturas cingidas no meio de pneumáticos, lembrando a velha publicidade protagonizada pelo homem Michelin, e o pingue bambo do peito até ao cós. Dos homens e das mulheres.

Mas são os vestidos que me tentam nos estios. Se um tudo nada retro tanto melhor. À imagem e semelhança dos vintage que os anos não desbotam. Leves, presos por tiras, decote em bico e alças presas no pescoço. Ficam as costas libertas e dispensados interiores. Pernas embrulhadas em calças evito quando a calidez insinua liberdades, acelera o respirar e incendeia a pele. Um vestido é peça única que num simples desfazer do laço aos pés cai sem préstimo. A ponta do pé chega para, num toque breve, o afastar.

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Publicado por Teresa C. às 09:42 AM | Comentários (7)

agosto 09, 2007

A GEOGRAFIA DAS CÓPULAS

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Amanda Wachob

Parece que as gentes serranas da Estrela copulam sem eficiência. Do ponto de vista reprodutivo, quero dizer, porque a voluptuosidade implícita desconheço, salvo andarem os casais risonhos e com aspecto de lhes não faltar da carne os deleites. E não falta. Na mesa, estou certa disso. Ainda ontem, o Sr. Matias partiu ao meio cabra de vinte quilos e a metade que amanhou vendeu a uma só família. Enquanto afiava a faca e suprimia gorduras à peça do bicho, pela compradora fui sabendo que a guisaria em panela de barro com capacidade de vinte litros. A refeição opulenta celebrará as festas anuais da cidade e da freguesia onde habita. O modesto cabrito de quatro quilogramas e meio esperou pacientemente – eu com ele – que a potencial chanfana fosse esquartejada e trocada por vinte sete euros. Barata feira! Como um cabrito assado com batatas miúdas no forno não dispenso, a preparação começa no corte da carne – pedaços de porte médio que o forno não mingue ao sofrível. Cliente antiga tem privilégios: encomenda respeitada no tamanho e localidade natal do bicho. A receita? Azeite de excelência sem avareza no tempero, louro, sal, alhos uns tantos, duas cebolas, pimentão doce e leal vinho branco. Disto nada é segredo. Mas a assadura... ah... nessa está o busílis. E mais não digo.

O começo da prosa foi deliberado sofisma. Os beirões copulam tão eficazmente como os demais portugueses. São é poucos. Cada vez menos. E não é justo pedir-lhes procriação maior que aos casais do litoral urbano que centra a indústria e o emprego. As fábricas têxteis finaram-se na maioria, empresas são amostra esparsa, a agricultura é de subsistência e os serviços não absorvem quem procura trabalho. E migram. E desistem da terra que os governantes esquecem. Onde possuem raízes. Da vida tranquila e serena. Das escolas equipadas e dos serviços de saúde básicos, porém atentos. Dos dias que rendem pelas curtas distâncias e apoios da família.

Mas é linda esta terra e amáveis as gentes. Os que ficam lamentam a triste sina dos que partem. Estes anónimos nas cidades onde se acoitam. Sem direito ao “Bom dia, João!, a tua mãe vai melhorzinha?, o menino sarou as anginas?” Acanhados em apartamentos e comboios e autocarros. Betão à porta. Omissos os quintais e os verdes que lhes conheciam os passos no regresso do pão-nosso-de-cada-dia.

Publicado por Teresa C. às 08:07 AM | Comentários (9)

agosto 08, 2007

A ORGANZA DE SCHEHERAZADE

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Camille Corry

Podia fazer como Scheherazade. Sabiamente reservar o mistério deixando por contar, a cada noite, pedaço da narrativa que te cativa. Prolongando a estória pela subtileza dos silêncios. Conservar sob véu de organza os pensamentos e tapar os impulsos com renda embrincada. Do rei persa Xeriar, ela conhecia a raiva pelas mulheres após cilada daquela que muito amara. Sabia que virginal e nova esposa a cada dia ele fazia sua para no final da noite a assassinar. Não cedeu à vontade do pai temeroso e casou com o rei. Porque curiosa e destemida? Pelo desafio de alcançar a aurora onde as outras soçobravam? Por amor ao rei que de si próprio fizera esquife não foi – arguta, sabia da duvidosa valia dos que descrêem na ressurreição do quem são.

Durante mil e uma noites ela contou estórias engenhosas. Edificantes. Cada uma enlaçada com a seguinte. O final sempre adiado para o anoitecer do amanhã. Vieram três filhos gerados em inolvidáveis êxtases, sem que o véu da fina organza resvalasse e da mulher expusesse os segredos. Xeriar cicatrizou a chaga. Progrediu na elevação do espírito. Somente depois reconheceu amar Scheherazade e dela fez sua rainha. A tanto chegou o afecto e a persistência de que ele desconhecia a fala, quanto mais o balbuciar.

Podia fazer como Scheherazade. Mas não faço.


CAFÉ DA MANHÃ

- Um dos blogues femininos de referência completou dois anos. Minha querida: celebro a data e agradeço o que aprendi ao lê-la quotidianamente.

- "Não gosto de hipócritas nem de sonsos: gosto de homens que gostam de mulheres e que as façam brilhar; que não se importem de ser por elas mandados, geridos, governados, só pelo prazer de as terem por perto. E conheço vários. Gosto de homens que sejam capazes de nos achar mais espertas e capazes, e que nem por isso se sintam ameaçados na sua virilidade. Homens seguros de si e sem nojo de, nas certas e devidas circunstâncias, nos explorarem as entranhas e nos beberem os fluidos e a inteligência, agradecidos." Subscrevo e aplaudo. Os outros? Cedo ou tarde nos fartamos.

Publicado por Teresa C. às 09:28 AM | Comentários (7)

agosto 07, 2007

MERENDAS APRESUNTADAS

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“... A infantilização das sociedades modernas, ocidentais, que, juntamente, com o despojamento de conteúdos e com o desmantelamento das instituições conduzirá rapidamente a um obscurantismo generalizado onde, aí sim, vingará la joie de vivre em versão grosseira (basta ir ao Algarve ou às ‘Docas’ qu’o resto é paisagem!) o optimismo de fachada em versão atormentada (basta ver o número de apartamentozinhos à venda...) e um crescente entorpecimento dos sentidos e diminuição da libido e da alegria de estar vivo (atente-se ao estado pastilhado de tudo o que é gente-fina ou empregado).”

Descrição objectiva do nosso tempo feita por comentador mui estimado a um dos textos ali pra baixo. Nem de propósito, tencionava hoje divagar sobre as festas e romarias que em Agosto abundam de Norte a Sul deste rectângulo. Em idos, que não restritos a Março, olhei com sobranceria o gosto duvidoso dos festejos e feiras e das merendas apresuntadas à sombra das carvalhas seculares e das três voltas à capela do Santo Padroeiro dos círios tão altos como quem os transportava. Hoje não. Misturada com a gente que orgulhosamente apresenta “a minha Lucinda que veio de férias com o marido e os meus netos”, rostos luzindo alegria e esperança de “ainda os voltar a ter cá prò ano”, entendo não serem promontórios de alegrias bovinas as iluminações garridas ou a Mónica Sintra ou as farturas ou as bandas nas procissões mais o foguetório que o ar gaseia com o azul do enxofre, o amarelo do sódio e o lilás do potássio. A pretexto das humildes festas das vilas e aldeias, o comemorado é a reunião dos i(e)migrados com os que no canto de origem ficaram. A celebração comunitária dos afectos. Exemplos de vida adulta, vida cheia. Genuína e com a fachada tão limpa como os lençóis onde me deito, perfumados com o cheiro das ervas e dos pinheiros. Gente desempastilhada.

Publicado por Teresa C. às 08:13 AM | Comentários (10)

agosto 06, 2007

A INTELLIGENTIA DA FÓRMULA DE DEUS

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Autor que não foi possível identificar

Quatro baptizados de uma assentada. Valeu o despacho do pároco que conseguiu a proeza de numa hora concluir a celebração. Foi atento aos pais e aos rebentos lindos – um Francisco, uma Inês, um David e uma Vanessa. Casar e baptizar em Agosto é hábito que entendo – amigos e família em férias, maior disponibilidade para tratar das bodas e fatiotas. Ora, foi por isto que a homilia rondou. A confusão entre acessório e essência da vida familiar. Objectos que respeitam o dever, segundo preceito católico que o celebrante enfatizou e eu desconhecia, duma apresentação condigna. Não trocar as voltas e dispersar no consumo energia que falta aos afectos na família, é erro. Grave. Que põe em risco o crescimento saudável de petizes e graúdos. Mensagem transmitida com vocábulos simples e isenta de teologia incompreensível. Até aqui, estava postada em silêncio, aplaudindo conteúdo adequado a quem os filhos baptiza. O pior veio no fim do ritual do baptismo. Pergunta o sacerdote qualquer coisa como isto: “Pai, estás disposto a encaminhar o teu filho na fé e prestar-lhe nesse caminho assistência? Mãe, auxiliarás neste compromisso o teu marido?”

O remate não me foi indiferente. O pai orienta, a mãe não estraga. É isto o pedido pela Santa Madre Igreja? Ainda e sempre a subalternização da mulher em relação ao homem numa Igreja que estraga nos ritos o que na prática defende – cooperação do casal e mútuo auxílio. Porque desistente não sou, rilhei os dentes e fiquei até à benção final. E não por ser convidada dos pais de algum dos neófitos; nada disso! Ali estava num templo, reflectindo sobre um Deus de tantos nomes e diferentes séquitos. O José Rodrigues dos Santos, no “Fórmula de Deus” – uma obra de divulgação científica muito interessante e com erros de pouca monta facilmente desculpados pela simplicidade dos códigos usados -, aborda várias religiões e o Deus que todas liga. É certo o pendor abusadoramente pedagógico revelado desde o primeiro livro. Porém, a divina intelligentia que a ciência poderá clarificar através do arrastado estudo sobre o campo unificado – eléctrico, gravítico e magnético – é teia bem entretecida. Quem do ultramicroscópico pouco sabe, e das leis que o regem ainda menos, tem pela curiosidade determinada do Tomás, também protagonista no Codex, uma viagem romanceada e leve pela teologia, química e física.

Publicado por Teresa C. às 09:12 AM | Comentários (9)

agosto 05, 2007

DA CABANA DO PAI TOMÁS AO SILENCIAR DOS GRILOS

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Alain Aslan

O remanso estival não é à toa esperado o ano inteiro. Não que dispense outras pausas. Uma saída deste jardim atlântico – sim, ainda o é, e já por aqui o fundamentei em recentes estudos científicos - quando a estranja ainda não foi contaminada com seres minorcas, parafernália de foto e vídeo a tiracolo, arrulhando em bandos, é interlúdio no trabalho que não olvido. E estou com este Senhor na malquerença com a feira da Portela. Levem-no para a Ota, para Alcochete, ou qualquer outro sítio que prove vir a prestar pelo menor custo os melhores serviços. Poupem-nos ao pinderiquismo arriscado da cabana do Pai Tomás que serve Lisboa. E os milhões que acabaram de ser lá enterrados entre betão e cimento?

A leitura enviesada dos blogues que mais aprecio merece tolerância. Por este tempo, jardinar, chapinhar descalça nas poças do lajedo de granito enquanto a rega mata a sede da terra e dos verdes e das rosas e gerânios que o ar serrano perfumam, são alguns dos muitos prazeres que me oferta a Beira dos meus enraizados amores. Daqui a distracção da entrevista ao embaixador do Irão feita pela Márcia Rodrigues em Lisboa, com véu, vestida até à nuca de escuro e com luvas pretas. O tratamento da notícia, que só o é pela patetice da season, por esta brilhante Mulher tem muito que se lhe diga. Louvo e aplaudo o que li. Aqui, o comentário foi uma delícia: "Iria a jornalista apenas coberta por uma tanguinha feita de missangas e pulseiras de conchinhas nas pernas se o entrevistado fosse o rei da Suazilândia?” Com parceiras assim, dispenso culpabilidade pelas frivolidades que por estas bandas tenho publicado – como se eu fosse de me penitenciar por gozos merecidos!...

Não fora um gato que adoptou canto térreo para miados de gente que sofre do Inferno as penas, e das noites que suave brisa arrefece o corpo do insano calor do dia, não me queixaria. Mas o bichano, há duas noites, seja pelo cio, seja pela desventura – tenho para mim que os animais contam da vida os arrepios -, não cessa os lamentos depressivos. Do meu quarto, no andar cerce ao jardim, tive o desgosto de me ver obrigada a semicerrar as portadas durante as noites cálidas. E o gato geme, e conta dos desamores e do reumatismo as dores, quase silenciando os grilos.

Nota – as Senhoras cujas leituras hoje recomendo que me desculpem. Mas as rosas e os verdes e as missangas e o nada da tanguinha estava a pedir o revivalismo atrevido do Alain Aslan. É um apontamento de apetecível frescura.

Publicado por Teresa C. às 09:20 AM | Comentários (6)

agosto 04, 2007

DISGUSTING INCONFIDÊNCIA

CAFÉ DA MANHÃ

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Para que não sobrem dúvidas documento a minha decadência. Esta imagem tem um mês, mas daí para cá a ruína tem sido galopante.


DISGUSTING INCONFIDÊNCIA

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Sorayama

“Será que mesmo com a capa do anonimato não conseguimos deixar de tentar 'vender' uma imagem?” – reflexão proposta por comentador assertivo. Divido por três o que a propósito a minha subjectividade entende.

É indiscutível a distância entre as personas e o ser que nelas se desdobra. Todos o fazemos sem que o acto signifique fingimento. Pela infinita capacidade de sermos muitos num – o neto, o filho, o pai, o companheiro, o profissional, o amigo, o portista ferrenho, et cetera – acentuamos componentes da matriz pessoal conforme o papel assumido. O registo único estabelecido entre duas pessoas, ou uma e específico tipo de multidão, cria no(s) outro(s) percepções diferentes do mesmo indivíduo, sem que ele faça por isso. Um colega de trabalho com intelecto superiormente dotado achar-me-á banal. Outro, cujas aptidões encaminha de modo diferente, admirar-me não enjeita.

Há quem a partir de si invente um ou mais personagens. Encene personalidades diferentes. Os mais hábeis conseguem a qualquer delas emprestar coerência. Por rejeição íntima do que em si vêem, ou por cálculo metódico, congeminam outro que lhes habite o corpo e invada o psiquismo. Na literatura e na história abundam exemplos de figuras inesquecíveis que esta categoria ilustram.

O autor de um blogue, anónimo ou não, poderá pô-lo ao serviço de um alter ego fantasiado. Obriga a disciplina, consistência, domínio absoluto da escrita e da orientação imprimida ao espaço. Sou demasiado preguiçosa e espontânea para trabalheira, a meu ver, frívola. Por que fingir é dom que não possuo – nos raros ensaios desminto-me em menos do atear de um fósforo a chama – o prazer da escrita livre de cautelas, que não as do pudor relativo à mui estimada privacidade, deixa livre o fluir do pensamento nas teclas. Omito, observo, reservo aquilo que o senso filtra. Que a consciência brinque à minha revelia, concedo. Máscaras recuso. Abro excepção ao rimmel que adoça o bater das pestanas, e para as cremosas que ocasionalmente me imobilizam e divertem e pintam de cor vistosa o rosto, com quatro buracos que o nariz, olhos e boca assemelham a máscara funerária. Da minha vida secreta acabou de sair disgusting inconfidência. Como construir do que sou ego alternativo se do moto-próprio não abdico?

Publicado por Teresa C. às 08:40 AM | Comentários (30)

agosto 03, 2007

PÊLOS ENTRE-PERNAS, SOCIALITES E QUINTA DO LAGO

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Steve Hanks

“Há gente que, em vez de ter um blog, devia aprender a foder melhor.” Anotei esta laracha durante uma das minhas deambulações virtuais em busca de boa escrita. Comoveu-me! A sério. Escasseiam sínteses tão perfeitas. Escrever e ler e andar por aqui é gosto que outros mais valorosos não deve desfeitear. Se do tempo retira tempo, convém que a subtracção seja proveitosa e sobre o tempo justo para aperfeiçoar outros tempos prazenteiros. Caminhando rumo à perfeição da aprendizagem proposta, no entretanto uso a modéstia do meu saber e cuido de não deixar sem respostas dúvidas epistemológicas tão fundamentais como as de comentador mui caro e frequente.

1 - O que é 'povão'?
2 - O que é 'socialite'?
3 - Onde é a Quinta do Lago?
4 - As mulheres já não têm pelos entre pernas? (Deixaram... ou não? É preocupante... já só faltava acriançarem as mulheres de quem eu gosto.)

Para satisfazer à pergunta primeira, socorro-me doutra síntese que o Sandro Franco deixou ali em baixo - “E os ranchos na praia, ninguém se lembra dos ranchos? A gritaria e os putos a correr vestidos para a água, o paizinho carregado até ao pescoço de artes e artimanhas para comer a tarde toda, ou então não, e grita: Ó Maria traz o lava-loiça ou estás a pensar vir para aqui mandriar? E a avózinha (a única consciente da família) continua a trautear a modinha da terra sem que ninguém a chateie.”

A segunda esclareço. Uma socialite é a modos que um transgénico entre a emergente social por engenho próprio ou do parceiro e a idiotice de um ego que aspira a canibalização pela imprensa-cor-de-rosa.

Quinta do Lago – terreola de aldeias várias (prefiro a de S. Lourenço) que de Portugal acolhe gente boa, as socialites e os figurões à cata de momentos de vã glória. Arrebanham-se na beira-mar e na “noite” por hierarquia muito própria, cuja metafísica é arrevezada para o meu gosto simplório.

Pêlos no entre-pernas das mulheres. Hoje em dia, “vareia” – perdoada seja a private joke familiar. Cansámo-nos de aspirar tanta pelosidade pelo chão da casa, foi o que foi. E vai daí, pronto!, cortámos o mal pela raiz. Quem não gosta come menos e acriançadas não ficamos, garanto. Aliás, sobre pêlos perorou o FNV:“A estação é pouco favorável ao apreciador de pernas femininas. É um exagero. Existe, no entanto, uma vantagem importante: as pernas ficam apresentáveis. Desde que o catálogo da Sears Roebuck ( 1922) explicou às mulheres como se faz, não há desculpas. O tempo frio é muito mais interessante, e é aquele onde a verdadeira hetaire joga tudo: apesar de cobertas e aquecidas, as suas pernas permanecem lisas e macias. Tanto desvelo só pode ser retribuído com amor. Muito amor.”

Depois de rotulada como allumeuse, deito acha para a fogueira onde me queimo: aborto a penugem dos sítios errados, indiferente ao ciclo das estações do ano. Além do mais, hetaire significando galante, vai muito bem com allumeuse.

Nota: hetaire - courtisane, demi-mondaine, femme légère, galant

Publicado por Teresa C. às 09:03 AM | Comentários (13)

agosto 02, 2007

BLIND DATES

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Kenney Mencher

Todos os encontros da vida são, de um modo ou de outro, blind dates, por nunca adivinharmos o futuro. Não são estes que, por ora, refiro. Falo daqueles que a mútua vontade de um par, entre si desconhecendo a presença corpórea, determina. Entre nós, pergunto baixinho: quem nunca os teve? E não, não vale aferrolhar a memória. Aqui somos anónimos e, mesmo que assim não fosse, confessar acasos da fortuna não merece contrição.

Na origem de um encontro-cego, salvo os arranjados por amigos casamenteiros que a esmo impingem bem intencionadas parelhas, existe o apelo do mistério, a fantasia da alma-gémea, talvez um prévio teclar com o potencial date na teimosa esperança dele ser o «tal», a concretização do mito sebastiânico dum amor prà vida.

O problema destes encontros está no que mais alicia: o ignorado. No devaneio antecedente, o outro é esculpido com cinzel hábil e generoso; quando o frente-a-frente acontece, aí só resta aguentar o risco. Afinal, o D.Sebastião toma banho em água de colónia, tem caspa nos ombros, olhar mortiço, mãos sapudas, gagueja de consumição, é prolixo. Enfim, um chato do caraças! Isto supondo não sair na rifa um aluno de Apolo, marialva com bigodinho, ginasta empertigado que o «V» do corpo exibe. Pior: pode usar fio de ouro ao pescoço, vestir calças encarnadas, camisa da Tommy às riscas e pullover branco da Ralph Lauren pelas costas. Muito pior somente o visual à padeiro: calças e camisa de linho branco. Que fazer? Alegar queda de tensão e fugir para casa? “Estou grávida e prestes a vomitar-te em cima?” E se ele é um potencial violador? Estarei disposta a relaxar e gozar a violação ou levo x-acto enfiado no sutiã?

Por estas e muitas outras razões, existe recurso infalível - marcar a "Escape-A-Date Call". Numa dada hora, receber um telefonema previamente combinado com uma desculpa fantástica para fugir do ogre. É fáil, barato e eficaz. O ovo de Colombo para uma fuga polida.

Publicado por Teresa C. às 08:21 AM | Comentários (7)

agosto 01, 2007

UMA A UMA, TODAS AS AMORAS MADURAS

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Juan Medina

Da sedução dizem ser arte. Dom. Talento. Passível de retoques e evolução como a escrita ou a música ou a escultura ou a representação. Por isso envolvendo técnicas que o exercício, e dele a aprendizagem, apuram. Não subscrevo este pensar. A sedução não é arte, é atitude. É um comezinho modo de estar. Seduz quem dos outros quer saber. Ouvir. Arredando artifícios langorosos ou dicas de manuais. Seduz quem não teme a vida, aprendeu a dor e os (des)encantos e a graça de um sorriso. Avareza nas emoções que tudo centra no umbigo, pode usar máscara e simular agrados. Sem tardança, virá rajada que o postiço arranca e o olhar sapudo, frio, egoísta, revela.

Quem a si mesmo ama e dos dias recolhe uma a uma todas as amoras maduras, sabe que arranhadela ao estender as mãos à suculência dos frutos é precisa – de futuro, cuidará de afastar pela extremo tenro os ramos cheios de picos, sem desistir de, amorosamente, sentir na boca o fruto apetecido. E para que existem as amoras se não para serem colhidas? Definharem no arbusto, cobertas de pó e roídas por bicharada imprecisa é desbaratar a perfeição da mãe natura.

Porte que o longe desafia, espírito empreendedor e destemido, vale mais do que saltos-agulha, vestido coleante que o corpo dispa, cabelo brilhante pelo meio das costas nuas, pernas de cetim que fecham e entreabrem promessas, lábios gulosos e olhar fundo. Seduz quem a si e aos outros dá por certa disponibilidade perante a vida.

Publicado por Teresa C. às 08:25 AM | Comentários (7)