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agosto 10, 2007
QUANDO A CALIDEZ INSINUA DESEJO

Carlos Cartagena
Folgo em saber, via F.J.V., que a cintura das calças volta às cinturas femininas. Maior o folguedo por um homem que só lido, ouvido e visto, tais são os múltiplos talentos, atentar em minúcias ao gosto do mulherio. Não enjeitando arejar do corpo o possível, ainda que compostinha – o bom senso e o pudor é bonito! -, bastas vezes o gesto de me sentar se revelou delicado. O cós baixa, o fio íntimo sobe e, quando o fresco se insinua por onde não era suposto, o melhor é pôr a mala atrás das costas. Um desassossego. Prazível é o definido ondular da anca e a cintura nua ao caminhar. Como não entender que gramas a mais não impeçam a tantas mulheres igual satisfação? Não é deleite para os olhos, concedo, mas se à própria satisfaz que frua do corpo solto. E depois, há que optar entre cinturas cingidas no meio de pneumáticos, lembrando a velha publicidade protagonizada pelo homem Michelin, e o pingue bambo do peito até ao cós. Dos homens e das mulheres.
Mas são os vestidos que me tentam nos estios. Se um tudo nada retro tanto melhor. À imagem e semelhança dos vintage que os anos não desbotam. Leves, presos por tiras, decote em bico e alças presas no pescoço. Ficam as costas libertas e dispensados interiores. Pernas embrulhadas em calças evito quando a calidez insinua liberdades, acelera o respirar e incendeia a pele. Um vestido é peça única que num simples desfazer do laço aos pés cai sem préstimo. A ponta do pé chega para, num toque breve, o afastar.

Publicado por Teresa C. às agosto 10, 2007 09:42 AM
Comentários
há imagens que, assim insinuadas a meio da manhã, garantem ao resto do dia a leveza e o mel.
Publicado por: troblogdita às agosto 10, 2007 10:39 AM
Confesso que me minguam os talentos que atribui ao senhor que lhe inspirou o escrito de hoje.
Em contrapartida, sobra-me o prazer da visão insinuada! Repito até, porque concordo plenamente, a definição que da beleza deu S. Tomás de Aquino: "Pulchra sunt quae visa placent"...
E por aqui me fico, não vão alguns castos olhos que por aqui aparecem ficar, uma vez mais toldados, com alguns escritos mais livres...
Beijos de mim para a nossa amada serra.
Publicado por: j às agosto 10, 2007 11:21 AM
Uma é loira... outra morena...! P'ra me decidir teria de, primeiramente, flar ao ouvido a ambas...! Bjo e BFS
Publicado por: Viajante às agosto 10, 2007 05:53 PM
De mão dada com o texto todos temos furgurações das duas mulheres da imagem que se emulsionam com alguém que conhecemos, que vimos, com quem vivemos e que de certa maneira povoam o nosso imaginário infantil refulgindo em instantes de mistério e glamour quais momentos de estética perfeita congelados nas retinas cristalizadas por caleidoscópios de emoções tónicas.
Publicado por: JG às agosto 10, 2007 07:04 PM
É bonito o que diz MAS lugar comum, coisa sem aplicação notável; déjà vu, passe o français... mulher, note-se, dito por mulher de saber, ouvi e já aprendido hoje não dispenso (pareço o ditirambo aqui da autora...) mulher, dizia ela, "é de saia e sem calcinhas"!
Publicado por: -pirata-vermelho- às agosto 10, 2007 10:32 PM
Troblogdita - para quem sabe apreciar o ouro e a doçura do mel puro caindo em fio sobre requeijão que a pastora confeccionou bem cedo.
J. - E terra recebeu-os inteiros, cheios da sua sensibilidade.
Viajante - Lol Bom fim de semana!
JG - um touché digno de D'Artagham... ;)
Pirata-Vermelho - mas ainda supunha que sou original?
Publicado por: Teresa C. às agosto 11, 2007 09:44 PM
D'Artagnan, sorry.
Publicado por: Teresa C. às agosto 11, 2007 09:45 PM