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setembro 09, 2007

ROUPAGEM DE UM HOMEM ELEGANTE E SEDUTOR

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Tom Albert

“A roupa utilizada por um homem elegante, charmoso, sedutor, deve ser incondicionalmente discreta. Ser recordado por um específico objecto ou cores, provavelmente resultará numa tendência cíclica viciosa de memorização negativa, porque se fixa num determinado detalhe e não no conjunto.” Estas e outras detalhadas recomendações sobre a indumentária masculina dão corpo a uma deliciosa dissertação do James Stuart. L'oeil d'un connaisseur que assume com naturalidade ser a preocupação com a embalagem do corpo independente do género masculino ou feminino da pessoa. Refrescante, por atribuir ao apuro na indumentária um carácter respeitoso para com o próprio e os outros.

É corrente o pré-conceito de associar o trajar meticuloso a frivolidade. Da mulher, sobretudo. Aos homens é comum ouvir perorarem sobre o desprendimento do “comezinho” cuidado no vestir. Os mesmos que prodigalizam esmeros na combinação das peças de roupa com tanto de improváveis como de infelizes, ao ousarem fuga à farda convencionada. No entra-e-sai dos serviços, mais parecem meninos de colégio interno do que gente crescida - anónimos, pardos, inseguros no gosto, falhos na criatividade. E os bolsos? Pingões, a abarrotar de utilidades como fragmentos de mala de uma mulher repartidos pelo fato. E se a precisão de um objecto chega, apalpam-se do peito ao rabo, conquanto não se coíbam de nos admoestarem por demorarmos a encontrar na mala o desejado. Mas quem tem os pensos-rápidos para o calcanhar dorido, agulha e linha para cozer o botão finado, o comprimido para a dor ou que catalise a digestão? Nós, no mal-afamado apêndice pesado como chumbo.

“A sedução, charme e elegância de um homem prende-se muito mais com o seu comportamento, postura e discurso do que com a roupa.” Assunção que partilho e abrange a mulher. De pacotes vistosos há fartura; todavia, uma nesga basta para escorrer vacuidade ou incoerência entre o ser e o parecer. Não fossem as intempéries ou os danos solares e mais leal seria corpo ao léu. Os trabalhadores da moribunda indústria têxtil não merecem, mas os cirurgiões plásticos, que por ora já atafulham as contas bancárias, agradeciam, tenho certo.


CAFÉ DA MANHÃ

Mal posso acreditar que o Katraponga se apreste a despedir este fumo blogosférico. Publicou alguns dos melhores textos que já li. A sensibilidade afinada e amável presente das primeiras às últimas linhas. Não nos digas adeus. Ainda...

Termina hoje o prazo de envio dos textos para o “Veneno com Açúcar.” (correio electrónico concursotati@hotmail). Que venham mais. Que venham muitos. A minha gratidão é certeza.

Publicado por Teresa C. às setembro 9, 2007 11:22 AM

Comentários

Sim, no geral aparece bem argumentado ou, au moins, bem enquadrado, o tema; banal, volátil, acabado; a não merecer reparo, de tão estafado...

Quem a viu e quem a vê...
'isto' é da vida perdida ou é do fado?

Publicado por: -pirata-vermelho- às setembro 9, 2007 05:55 PM

Olhe, assim-com'ássim
e já que está em maré de espreitadelas, vá ali
http://velharias-traquitanas2.blogspot.com/
ver o Cziffra e o Helder...

Publicado por: -pirata-vermelho- às setembro 9, 2007 06:14 PM

Tati, vou tentar enviar-te um e-mail hoje ou amanha o mais tardar! :)


Beijo

Publicado por: Katraponga às setembro 10, 2007 07:54 AM

Pirata-Vermelho - as suas sugestões foram espreitadas. Aliás, das Velharias e Traquitanas sou fã. Uma iconografia deslumbrante.

Katraponga - Aguardo-o com prazer. Beijo.

Publicado por: Teresa C. às setembro 10, 2007 08:14 AM

Katraponga, vc livre-se de deixar o moleskin atafulhado de notas/textos que desistiu de partilhar com quem o lia e para onde a Teresa fez o favor de me linkar. Ou será que decidiu fazer tábua rasa das palavras de Confúcio e amordaçar o coração?

Publicado por: fallorca às setembro 10, 2007 10:58 AM

Fallorca - este correu-lhe muito bem. Que tal um abaixo-assinado, demasiado banais, sei, ou um assalto, à sorrelfa e por por todos planeado para surripiar ao Katraponga a moleskin e talões de compras quando a malvada ficou no carro ou em casa?

Publicado por: Teresa C. às setembro 10, 2007 05:55 PM

Teresa, bora nessa..., seja ela qual for, e primeiro as senhoras. Mas aquele moleskin obeso junto do teclado e a caneta (Mont Blanc?), são uma verdadeira tentação. Outra tentação que lhe proponho é este texto de Manuel Consciência, A Mocidade Enganada e Desenganada (parte III, tomo IV): Lisboa Ocidental, Na nova oficina de Maurício Vicente de Almeida, 1737, disponível no http://frenesi-livros.blogspot.com/

Publicado por: fallorca às setembro 11, 2007 10:54 AM

Fallorca - Ah seu malandro! Então tem um blogue "Daqueles" e andava mudo, quando muito sorrindo e assobiando para o ar? Sobre isto peroro amanhã, esteja certo. Que grande partida nos pregou a todos! Mas olhe, como sou uma querida perdoo. Sabe porquê? Adorei a sugestão.

Publicado por: Teresa C. às setembro 11, 2007 11:57 AM

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