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outubro 14, 2007
BEN-U-RON, OK! E MARTAS

Keith Garv
Fim de semana soalheiro com desfrute fora-de-portas. Contrariedade: gripe, virose ou menu completo duma constipação (pingo, corpo moído, tosse, arrepios e febre). Há um par de anos que me passeava sã e rija como um pêro, espantando a Influenza sazonal. Ganho o recorrente desafio dos cabelos torcidos e derramados pelas costas ao sair do ginásio nos dias de briol, tinha por certas defesas eriçadas ou ruindade celular que os microorganismos saltitões recusavam como pasto. Quem na arrogância chafurda, mais cedo do que tarde recebe ensinadela de truz - garganta dorida, nariz arrolhado, latejos na cabeça como tambor rufando num tatoo militar, pela dores os ossos proclamando, um a um, a existência. Achando mal empregue a cama para imobilidade doente, conhecendo dos sofás o (des)conforto estimulante para jogos e várias brincadeiras, prefiro calmarias aconchegantes. Mais eficazes que Ben-u-ron, chutam para um canto os sintomas.
Diminuída a energia do físico, o paracetamol exponencia a do espírito corrosivo. Calhou à OK!TeleSeguro a vez. Na parte de um dia (in)útil, obriguei-me a tirar senha para uma Marta imprimir uma documento. Três mulheres aviavam duas freguesas – uma era manifesto caso de incontinência nas teclas. Tirei a senha vinte e oito, excedendo em seis a última em atendimento. Não me pareceu mal. Decidi entreter a espera “limpando” o telemóvel. Nem saquei do livro por estar a leitura em “ponto de pérola” e não merecer a desfeita de interrupção abrupta. Dez minutos voaram. Esmiucei as funcionárias. Marta nem uma. Sorriso avaro, olhar mortiço, tédio na atitude e na fala. Duas horas depois, quatro clientes aviadas. Mau rácio. Por essa altura, na leitura chegara ao “ponto de estrada”. Homens só os que arribavam e sumiam vindos das entranhas da sede, um deles, convenho, bem servido de traseiro e figura condizente. Duas horas de espera para enfiar na pasta o papelucho.
Perplexidade 1 – a Marta açucarada dos spots publicitários atende primorosamente os homens enrascados. Tudo resolve em menos da queima de um fósforo. Pela mensagem subliminar do anúncio era suposta predominância masculina na clientela. Será que as respectivas os substituem na ida à OK! temendo das Martas os encantos?
Perplexidade 2 – desmentida a suposição anterior, as burocracias domésticas estão a cargo delas? Que farão eles entretanto? Almoçam e cavaqueiam amenamente no interlúdio do trabalho? Aproveitam para abastecerem a despensa familiar, poupando-as a pesos esforçados? Servem o almoço aos filhos?
Perplexidade 3 – se a rapidez na resolução de incidentes é o leitmotiv da companhia e da publicidade, façamos contas: duas clientes aviadas por hora, dezasseis por dia saindo com fúria e desilusão nos rostos. Por isso a Marta existe na publicidade. Sorri delico-doce. E atende homens. E é eficaz. A Companhia também, assim a Marta estivesse ao serviço. Que não está. Daqui o documento de rescisão do contrato.
Publicado por Teresa C. às outubro 14, 2007 11:23 AM
Comentários
1 - a Marta, sabe-se, morre farta!
2 - a pior das confianças é a que se confina às embalagens: o produto bom adia investimentos cosméticos!!
3 - pese embora a(lguma) diferença de marketing, o negócio tele-seguro é mais tele que seguro, refinando uma indústria especializada nos riscos... dos outros!!!
em resumo, a realidade impõe-se: basta acordarmos...
;->
Publicado por: O & K às outubro 14, 2007 03:46 PM
boas melhoras!
de tudo !!
caso seja útil, vai um conselho modesto e empírico mas crente e sincero: o segredo é uma boa dose de recolhimento, chá e paciência !!!
mas por falar em remédios, uma constipação devidamente tratada demora menos a curar e há aí uns medicamentos maravilhosos resultado da mais avançada tecnologia farmacêutica, disponíveis apenas nos melhores estabelecimentos
pelo que não vale a pena deixar andar e esperar que passe - sempre são só 30 dias, em vez de 31 !!
ah... e são quase tão bons como limão e mel !!!
Publicado por: Ben & Ron às outubro 14, 2007 03:57 PM
"Abifa-te, abafa-te e abinha-te", dizem aqui os pisa-torrões que rebolaram p'a serr'abaixo.
Era capaz de dar... no tempo do Intendente; mas agora, que já não tem a voz d'outrora (e o esforço para não escrever 'voz d'ótrora'!?) melzinho e leite quente e fica boa na hora.
(coitada...)
(quem a biu e quem a bê...)
Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 14, 2007 06:23 PM
ERRO!
desculp.
como s'eu não soubesse qu'a mnina é gourmet...
(ou será gourmette!?)
Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 14, 2007 06:26 PM
As melhoras, antes de mais. Reitero o conselho que alguém já lhe endereçou, sabendo como sei que receitas do zé-povo beirão é coisa que a "nossa" querida Tati bem conhece.
Acerca das Martas, querida Amiga, até concordo com o envio do papelucho da recisão. Mas olhe que a concorrência não é nada melhor, não... Ainda há quem acredite em Companhias de Seguros? Apareça o primeiro, por favor, que nos dê algumas orientações...
As melhoras, querida Amiga.
Publicado por: j às outubro 14, 2007 09:23 PM
:o(
Publicado por: Justo às outubro 14, 2007 09:33 PM
Mesmo os mais ruins de nós cedem de vez em quando à maleita. Mas a experiência (e a minha ruindade) dizem-me que não devemos ceder e continuar a provar ao mundo ( ou a nós mesmos ) que o corpo enrijece com as maldades que lhe fazemos e não se vai abaixo com a primeira gota de chuva ou a corrente de ar que nos apanha nos corredores.
Beijos "Mens sana in corpore sano"
Publicado por: apenas um gajo e nada mais às outubro 14, 2007 09:54 PM
Quem já percebeu o custo associado à poupança numa loja do chinês deveria hesitar na subscrição de um contrato que promete o mesmo que outros por metade do preço.
Um chinelo made in china calça pés como um outro, mais caro mas produzido por operários especializados (e adultos) e com materiais mais resistentes e menos susceptíveis de provocarem alergias.
Nos seguros, onde a estatística (mais do que noutras actividades) tem uma lógica que não é a da batata, a poupança só pode acontecer com base nas sempre falíveis "filtragens" de clientes, em reduções de custo nos canais de distribuição (inexistência de mediadores) e, voilá!, na mão de obra contratada...
Existem diferenças entre as companhias de seguros, como as existem em todos os ramos de negócio.
E essas passam por pormenores aparentemente tão insignificantes mas afinal tão relevantes como o que este post tão bem descreveu.
Publicado por: shark às outubro 15, 2007 10:54 AM
O & K - "indústria especializada nos riscos... dos outros" e que os inocentes julgam defendê-los. Mas não. E se a cosmética é acrescento falso, nos bancos e seus derivados o abismo entre o prometido e o devido, o obtido ainda mais é intransponível. E nestes enganos torpes o cidadão vai caindo, sai de um e mergulha noutro equivalente ou pior.
Ben & Ron - "melhoras de tudo", desejou-me, com toda a afabilidade. O "tudo" caminha bem, porém nunca a salvo das moléstias de somenos que derrotam a boa disposição. Obrigada.
Pirata-Vermelho - sou gourmet, "gourmette", gourmande e gourmandise quando o apetite sugere e o nariz é mais do que torneira com bucha solta. O mel e o limão vão comigo - dois lados da minha personalidade - e até curam e desentopem e atenuam o mau-estar. Tentei, mas nada de resultados. Estou tal qual.
J. - Vim das Martas com essa convicção. Agora entreguei-me ao computador de um bigode façanhudo. Veremos se os deuses me protegem. Obrigada, Amigo.
J. - pois...
Apenas um gajo e nada mais - concordo que a domesticação do físico por via das patifarias tem limites que o bom senso dita. Não sei se desta vez aprendi a lição, por ser o meu incómodo causado por um vírus arreliador que circula por aí. Vou cuidar da sensatez no estar físico. Beijo distante, não lhe pegue a maleita. ;)
Shark - Ora nem mais! Tenho sobre o consumo de "marca" teoria muito própria que o seu comentário me fez ponderar. E, mais uma vez, seguirá em formato de post a minha reflexão.
Publicado por: Teresa C. às outubro 15, 2007 11:18 AM
ALTO!
GOURMANDISE !?...
Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 15, 2007 01:28 PM
Pirata-Vermelho - gourmandise = gloutonnerie. Est le septième péché capital, vous savé?
Publicado por: Teresa C. às outubro 15, 2007 01:40 PM
Não, não... gourmandise = guloseima.
Você come-se?
No sentido de ser de comer, para comer ou ...
(Vê?
deu barracada, a cumbersa!)
Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 15, 2007 03:27 PM
Pirata-Vermelho - comer não me como, mas posso sentir-me gourmandise a ofertar. ;)
Publicado por: Teresa C. às outubro 15, 2007 04:55 PM
De forma nenhuma estava a incentivar à sensatez ;)
A irreverência mantém o 'sangue a correr e o cérebro oxigenado'.
Beijos aconchegados
Publicado por: apenas um gajo e nada mais às outubro 15, 2007 09:03 PM
Sei que não. Exprimi-me mal, pela certa. Não envio beijinhos por lhe querer bem e não merecer ficar contaminado. ;)
Publicado por: Teresa C. às outubro 16, 2007 08:53 PM