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outubro 12, 2007

CAPUCHINHO-PRONTO-A-COMER

Keith Garv Val.jpg
Keith Garv

Ontem, cheguei derreada. Uma dúzia de horas fora de casa. Para quem do cocooning é fã, custa. Demais. Num quarto do dia mergulhei em “yottas, zettas, exas, petas, teras e gigas”. Ao baixar a fasquia, passei aos “pico, fento, ato e zepto”. Um desmando intelectual. Computadores bloqueados - máquinas mais imprevisíveis e teimosas que muitos humanos – planificação escangalhada, foram impostos interlúdios que não descurei. Violadores compulsivos. Presos e soltos. Risco social. Que fazer? Avisar a comunidade que os irá receber? Deixar que o anonimato desça como pano de cena e conclua o primeiro de muitos actos? Castração química? Se até a NASA discute a castração temporária dos astronautas privados de sexo em longas missões espaciais, pelo receio de eventual disputa que ponha em causa o sucesso da incumbência!... Alvitre: obrigar os violadores a remediarem-se com os buracos das fechaduras. Parece-me bem. Julgo que muitos deles endoudaram pela exiguidade ou fragilidade ou obstinação dos atributos que não cessam de testar.

Não indo, nem vindo as máquinas – suprimo, pudor obriga!, a deliciosa máxima da queridíssima Margarida em vernáculo expressivo – falada foi a diferença ente liberdade sexual e libertinagem. Estória: ia o capuchinho vermelho cantarolando olari olará, quando se depara com o lobo-mau. Olhar comprido e dardejante, rosna, adocicando o tom: “vou comer o que nunca ninguém te comeu!”. Responde a menina: “Ora, ora, não sejas parvo, só se for o cesto!”. Substância da graçola: o capuchinho pronto-a-comer, o lobo comilão como metáfora deste tempo, de muitos tempos, de todos os tempos. Negar é ocioso.

Foi omissa a reacção do predador. Estou convicta duma gaguejada resposta, de brusca falta de apetite, da súbita pressa em sair dali, alegando outros afazeres. Descosida a ancestral farda, os lobos-maus ficam indefesos perante capuchinhos-vermelhos que de si conhecem o querer.


CAFÉ DA MANHÃ

A química de superfícies “rendeu” o Prémio Nobel de Química 2007 ao alemão Gerhard Ertl. Os estudos que desenvolveu foram divulgados à comunidade científica uma década atrás. Este desfasamento entre o “Eureka!” e o prémio, resulta da necessidade de confirmação prática da teoria desenvolvida. Em qualquer ramo da ciência é semelhante a este o processo de validação.

A romancista Doris Lessing venceu o Prêmio Nobel de Literatura 2007. “Nascida na Pérsia (actual Irão) em 22 de outubro de 1919, filha de britânicos, ela é a mais idosa vencedora do Nobel de Literatura e a 11.ª mulher a ganhar o prémio. A última foi a austríaca Elfriede Jelinek, em 2004, e a primeira, a chilena Gabriela Mistral, em 1945.”

O Prémio Nobel da Paz foi repartido com Al Gore. Mérito indiscutível por desde os anos oitenta, em que somente alguns cientistas se interessavam de modo sério e empenhado pelo ambiente, ser o único político de nomeada a defender corajosamente a poupança energética, o acesso igualitário aos combustíveis fósseis e divulgar ao mundo a Verdade Inconveniente de depender a paz dos povos da preservação do planeta como bem comum.

Publicado por Teresa C. às outubro 12, 2007 09:22 AM

Comentários

Aqui entre nós, como é que a Doris Lessing comentária o seu post? "Gatos e mais gatos" (ed. Cotovia) ou... ou...

Publicado por: fallorca às outubro 12, 2007 09:52 AM

Fallorca - Nem um "minhauuuuu" lhe mereceria. Nada tendo lido da Senhora, em honra do desaparecido Tobias iniciar-me-ei na escrita da premiada precisamente por essa obra. Decisão tomada ontem, após algumas reportagens. Fnac, aqui vou eu!

Publicado por: Teresa C. às outubro 12, 2007 10:01 AM

De como a imagem se não coaduna com a estória...
Ou de como, nos dias que correm, o diálogo poderia ter sido:
- Ó sr. lobo, porque vai tão cabisbaixo?
- Ora, capuchinho, já não há rebanhos!
- Ó sr. lobo! Então não me quer comer?!
Ou, de como os lobos se transformaram em cordeiros.
À excepção daqueles que se mantêm doentes mentais profundos.

Acerca de Doris Lessing, acho que começa bem a sua incursão pelos "Gatos". Quanto a mim, confesso que não gosto...

Publicado por: j às outubro 12, 2007 10:43 AM

J - O diálogo que propõe é hoje mais verosímil que o da estória descrita. Ainda bem. Não me atraem a caça, os caçadores e as presas-coitadas-vítimas-indefesas. E a «piquena» bem poderia despir o capucho, que dos lobos tradicionais nem um sinal entusiasta receberia.

Irei tentar a viagem pela gataria da Doris Lessing. Tenho antecedentes motivadores: entre outros, o "Linguado" do Herman Hesse adorei.

Publicado por: Teresa C. às outubro 12, 2007 11:14 AM

Esta é do tempo em que a menina do capuchinho punha o futuro lobo mau na ordem... olarecas!


http://www.youtube.com/watch?v=8zuTMJISNf0

Publicado por: fallorca às outubro 12, 2007 01:11 PM

Nem sempre!
Andam pr'aí muitos capuchinhos a saracotear o ademane...

Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 12, 2007 05:31 PM

Aqui entre nós, em que é que a Doris Lessing s'assemelha ao Saramago?
Ou,
mutatis mutandis et benigna interpretatio, vice versa?

Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 12, 2007 05:43 PM

(Alô Alô FNAC! Não lhe vendam traduções da Sra Lessing.
'brigado. )

Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 12, 2007 05:46 PM

Pergunta
A expressão "o 'Linguado' do Herman Hesse adorei" deve-se a alguma forma de indução obscura que a tenha levado a respeitar a mania qu'os alemães têm de colocar o verbo no fim da frase, por se tratar de uma referência ao Hesse?

Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 12, 2007 05:58 PM

Fallorca - O que tenho perdido em não ser frequentadora do "youtube"! Até agora fez bingo em todos os cartões.

Pirata-Vermelho - Pois andam e fazem bem, que fartas devem estar das carradas de wolf-gingões em circulação.

Ahhh... Está com medo que fique cliente da Doris? Pois fique sabendo que tenho queda p'ras Dories, a Day à cabeça por herança do lado materno.

E que é lá essa de ser páter-família das minhas leituras, oh Green-Pirate?!...

Publicado por: Teresa C. às outubro 12, 2007 06:13 PM

Desculp!


(Não quero cá traduções corcundas! Nem mesmo da Cotovia...)

Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 12, 2007 07:09 PM

Doris Day ?
(Doris Mary Ann von Kappelhoff )
Que Sera Sera ...
http://www.youtube.com/watch?v=kwDWNKgD_rM

Nada mal. Não disse que tens bom gosto?

Publicado por: Justo às outubro 12, 2007 07:11 PM

Green era você, lá na wilaya do deserto...

Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 12, 2007 07:12 PM

Eu discordo e pergunto:
Como é que pode dar o Nobel a alguém, se esse galardão é atribuido por trabalhos científicos que terá feito, quando esses trabalhos "científicos" enfermam precisamente
de erros científicos (foi o que já ouvi)?
Poderia ele ter produzido um qualquer escrito
de conversa fiada (que qualquer político é capaz de fazer) e, então, vá que não vá...
Palpita-me que aí há gato com o rabo escondido.
Não joga a bota com a perdigota...
Boa noite

Publicado por: vieira calado às outubro 13, 2007 01:03 AM

"wolf-gingões"!!! Mas que bela imagem... posso usar?

Publicado por: fallorca às outubro 13, 2007 07:17 PM

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