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outubro 22, 2007

DEITADO COM A MULHER DO OUTRO, É O MARIDO QUE DESEJA.

Michael Zavros 1.jpg
Michael Zavros

Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".

O mito de Don Juan representa um ideal masculino e, nalguns segmentos culturais, também um ideal feminino . Padrão de personalidade narcisista, enamorada, sem escrúpulos, amada e odiada, que tudo faz valer para conquistar uma mulher (homem). Ideal em alta neste tempo aberto à liberdade sexual explícita. Um Dom Juan é adicto à sedução, enamorado na aparência, abandonando depois a presa em favor de novas conquistas. Consultei Foucault que afirma arrebentar o Don Juan com duas grandes regras da civilização ocidental: a lei da aliança e a do desejo fiel (há quanto tempo arrebentadas, pergunto?). Foucault confere aos Dom Juans um aspecto contestador que, e sou eu a dizer, vai bem com a aura romanesca que lhe acresce favores.

Procurei ténues luzes na psiquiatria clínica: o desprezo para com o sentimento alheio pode ser critério para o diagnóstico de Sociopatia ou Personalidade Anti-Social. Para o Don Juan só conta o instante do prazer e o triunfo da conquista, principalmente quando a presa tem uma situação civil proibida (casada, irmã ou filha de amigo, etc). Ignora a decência embora, socialmente e pela própria arte da sedução, exiba o oposto. Alguns «psis» defendem haver, além do narcisismo com pendor feminino e imaturidade afectiva, significativos sentimentos homossexuais latentes nesses indivíduos - levando para a cama a mulher de outro, o Don Juan relaciona-se com o marido, o que aumenta o seu prazer.

Compulsivo jogo patológico, este. Apesar da compulsão, o doente de donjuanismo não é mais viril ou mais activo sexualmente, raramente apresentando um desempenho sexual que vá além do mediano. A mestria reside na habilidade de oferecer à mulher o que ela mais deseja. Seduz porque tem a habilidade de intuir os gostos e fraquezas das vítimas. Amantes banais, exímios encenadores teatrais. O mito do “Príncipe Encantado” com final infeliz. Como todos os mitos.

Publicado por Teresa C. às outubro 22, 2007 09:18 AM

Comentários

A teoria também se aplica, e nos mesmos termos, ao contraponto feminino para essa doença como o teu texto a define?

Publicado por: shark às outubro 22, 2007 10:23 AM

Shark - Tal qual! Conquanto em menor número, mas lá chegaremos. A esperança é arribar um vento Suão que torça e destorça os pescoços, chocalhe os meandros cerebrais e os deixe em condições de fruirem de deslize ocasional sem que busquem a dose diária ao virar de cada esquina. Uma canseira!

Publicado por: Teresa C. às outubro 22, 2007 11:37 AM

nâo venho participar nesta discussão mas sim referir o valor analista dos textos que dariam (dão) para construir uma bela história

Publicado por: João Norte às outubro 22, 2007 12:37 PM

Chère madame,
exagera, generaliza e estatui, no seu último §.
Também
contraria alguns discursos anteriores em abono dos encantos do jogo e da sedução...


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PostScriptum
Não confundir jogo e sedução com (jogo de) engate comum e desprovido de qualquer perícia ou encanto

Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 22, 2007 12:55 PM

Todos percebem que é Sarkozy correndo. Só trocou a gravata para disfarçar ! Safado !
Corre "para"....ou corre "de" ? Melhor nem saber...
PS:Acalanto é uma palavra que usamos aqui. Fazemos isto com as pequenas quando queremos mima-las. Acalantar um pouco a tí para que sares o corpo e que continues a acalentar o blog.
(Boi..boi...boi...boi da cara preta... pega esta menina que tem medo de careta...)
Cantigas de ninar feitas por Stephen King.
Rias! Assim sara !

Publicado por: Justo às outubro 22, 2007 12:58 PM

pirata-vermelho (suponho que sem olho de vidro e muito menos cara de mau) não perdoa uma: aparentemente há "contradições" com outros dizeres aqui postados (grrr...) pela Tati Teresa Autora ;) Mas quanto a mim, não há nada como a mézinha preconizada por Walt Withman: «Contadigo-me? Pois bem, contradigo-me.» Fiufiufiu....

Publicado por: fallorca às outubro 22, 2007 03:56 PM

D. Juan, esse mito fascinante! E a Teresa captou tão bem as múltiplas dimensões deste arquétipo...
Um sedutor, claro. Narcisista, muito narcisista. "Exímio encenador teatral", sem dúvida!

D. Juan não ama as mulheres que conquista. Aliás, duvido que ame as mulheres. Ele deseja a sedução. Deseja corpos femininos e joga pela sua posse, Seguindo o troféu apontado pela sua própria vaidade. Para ele todas as mulheres são iguais. No entanto está atento às subtilezas que distinguem o nível de receptividade das fêmeas humanas. E é nessas diferenças de receptividade que ele efectua as suas apostas. E joga.
Para além das mulheres "dos próximos", respectivos maridos, amantes, confessores, Deus(es), existe um outro grupo de mulheres tradicionalmente cobiçado pelo D. Juan - as virgens.

A quem pertencem as virgens? Ao Pai, provavelmente, deste mundo ou do(s) outro(s), caso tenham celebrado votos sagrados.
Logo, o D. Juan é, na mitologia mais celebrada, um ladrão. Rouba as mulheres aos seus donos.
E, comforme depreendemos da leitura deste post brilhantíssimo, "deitado com a mulher (ou a filha) do outro é o marido (ou o Pai) que deseja!

Nota: simplifiquei o raciocínio, eu sei. Muitas vezes o D. Juan ao seduzir a donzela expressa o gozo de enganar alguém no futuro. O marido, mais uma vez.

Publicado por: Alba às outubro 23, 2007 12:32 AM

Com muito respeito, que é todo, não pode passar-se ao lado da ânsia de diferença que caracteriza o donjuanismo (por oposição ao casanovismo). Permito-me afixar neste palácio da razão emocional uma pobre reflexão que pude materializar, há já algum tempo, durante uma crise de lumbago:

http://pornographo.blogspot.com/2005/12/48-as-notas-do-pornographo.html

Com as minhas felicitações por ter abordado, com originalidade, um tema tão candente, e tão das minhas preocupações,
saúde e obrigadinhos.

Publicado por: pornographo às outubro 23, 2007 04:01 AM

João Norte - Bora lá. Que alguém a comece! :)

Pirata-Vermelho - Olha p'ra ele como se não tivesse o olho cheio das minhas contradições...

"exagera, generaliza e estatui, no seu último §." Fiz isso tudo? Juro que a intenção era escrever três linhas!

Justo - foi o que pensei ao escolher a imagem. O Sarkozy sempre numa correria de fuga ou d'apanha da sua Cécilia. Que mulher! Não acha?
Obrigada pelo mimo.

Fallora - Diria mesmo mais: tirem-me a incoerência e fico um pão ázimo que nem eu digiro

Alba - da história de Don Juan só fui até Juan Tenório, ali pelo meio do século dezanove. De tudo o que vasculhei nas obras que foram refazendo o tema, um denominador comum impressionou-me: a "desculpabilização" do "coitado" or via da repressiva educação católica. E não foi apenas Byron que o fez. O Fantasma da Ópera exorciza os seus ódios e terrores num Don Juan que inventa, e, a seu modo, o Ballester volta à carga. Mito fascinante. Outros há. A alguns tentarei chegar.

Pornographo - li o seu artigo. A qualidade da sua escrita não me é nova, mas esse texto está fascinante. O meu, comparado com o seu é peanut. ;)

Publicado por: Teresa C. às outubro 23, 2007 05:35 PM

Tati, depois das t-shirts a menina vai fazer uma novela, como deduzo da sua proposta ao João Norte? Histórias, só se forem bonitas e da carochinha

Publicado por: fallorca às outubro 23, 2007 06:18 PM

Fallorca - o único pedido de envio das imagens para impressão nas t-shirts que recebi foi satisfeito na hora. Apenas a da MCorreia e a do Katraponga, que me encarreguei de executar, esperam disponibilidade minha. Que, infelizmente, não tem havido. Se prometo, faço, não duvide.

Publicado por: Teresa C. às outubro 23, 2007 08:13 PM

Por favor não esvazi... não tente esvaziar de sentido o que digo; terá talvez audiência mas curta.

Publicado por: -pirata-vermelho- às outubro 23, 2007 11:13 PM

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