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outubro 05, 2007
FIM-DE-SEMANA-PROLONGADO-P’RA-MIM-ROUBADO

Michael and Inessa Garmash
Feriados à sexta-feira são roubo que não admito. Pese a paixão, insana?, pelo trabalho, um dia a mais sem despertador faz toda a diferença. Sendo de três dias um fim-de-semana usual, aguardo o início de Novembro para fruir dos benditos feriados nacionais Não bastava, acumulei programas, qual deles o de maior encanto. Para hoje, a proposta de dois obrigaram-me a difícil opção: almoçarada em Montalvo entre amigos e amigos que amigos dos nossos amigos são – o grupo do fim de ano de 2006 -, ou final de dia com amigos de viagens estivais. Montalvo é lugar que não perco – sítio lindo numa zona protegida, porto palafítico assente no sapal, por detrás as dunas que de sul acolhem o Sado. A gente é boa, sã, alegre, composta por amigos do peito (a São e o C. da S. J. recebem divinamente!), o palato sai eufórico e o passeio pós-prandial pelo condomínio de vastos hectares é ritual de andança, cavaqueira e gargalhar assegurado. Por outro lado, como recusar convívio de amigos que enriqueceram o lazer deste Verão? Difícil escolha, porém conforme ao gosto maior.
Como aos íntimos afirmo, e agora assumo publicamente, sou muito «mulherzinha» - frívola q.b. (para quem das receitas culinárias não conhece os códigos, significa “que baste”), caprichosa, de quando em vez, e banalíssima. O estereótipo do género desminto em menos do que fazem o favor de imaginar. Capaz de, entre o trabalho e os afectos, intercalar consumo – uma adorável casaquinha, brilhante como verniz, por onde a chuva crie rios se caterva de nuvens conjugarem o pingar, e botas rentes ao joelho, salto diminuído, compatíveis com leggings ou skinny enfiadas por dentro, a garantirem conforto no quotidiano e no dolce far niente. Como neste fim-de-semana-prolongado-p’ra-mim-roubado. Cabelos ao vento e à chuva que vier, rosto lavado, pés bem calçados, doudos por treparem caminhos e pisarem a areia das dunas e dos pinhais. E voltarem enlameados que cuidarei de limpar antes de me recolher ao aconchego das paredes, ao espojar num cadeirão olhando o horizonte de dentro e o de fora, que as portadas são largas e emolduram devaneios. Sem livro na mão, antes caterva de jornais e revistas de modas científicas. Com sorte, talvez o cheiro a terra molhada me inebrie o estar.
Publicado por Teresa C. às outubro 5, 2007 12:16 PM
Comentários
«Com sorte, talvez o cheiro a terra molhada me inebrie o estar.» É um belíssimo alibi, Teresa
http://www.youtube.com/watch?v=4pCXPNkRkfM
Publicado por: fallorca às outubro 5, 2007 12:26 PM
Que texto tão solar, Teresa! Sentimos esse brilho vital , mesmo que o tenhamos lido já depois da meia-noite, como é o meu caso :)
Publicado por: Alba às outubro 6, 2007 12:54 AM
Assim é "estar"...
Publicado por: Justo às outubro 6, 2007 02:34 AM
Fallorca - Grata pelo seu magnífico Alibi. Tal como sugeriu dias antes num comentário, enviarei um mail acerca das sugestões musicais que me tem deixado para que me favoreça com mais.
Alba - tanto significa para mim o texto ter recolhido a sua aceitação.... Obrigada por mo ter dito.
Justo - o «estar» de que gosto mais. :)
Publicado por: Teresa C. às outubro 6, 2007 02:47 PM
Olá,
MONTALVO, a herdade é um espanto... Muitas noites de sono perdido, mas ficou lindo...!
E o restaurtante da ESCOLA, expeimenta era fabuloso, lá está carinho mas delicioso...
beijinhos e continua a tua escrita, poderosa ....
Bjs
Publicado por: Jorge às outubro 8, 2007 05:42 PM