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novembro 09, 2007
A NOSSA MARIA QU’ABAIXE A SAIA!

George Schmidt
Notícia que foi notícia pelo avanço na idade dos intervenientes. E nem são velhos nos cânones actuais, confusa que está a fronteira entre o velho e novo. Idos houve em que era desgosto admitir o sexo entre os pais, os avós e entre quem, no mínimo, nascera vinte anos antes de nós. Esse era o tempo do sexo-prazer para o homem, sexo-obrigação para a mulher, fosse pela maternidade, ou pela norma da serviçal conjugalidade no feminino. E nada é mais desmotivador que o embrulhado em preceitos e pré-conceitos. Como esperar empolgamento numa regra estafada? Desde que o sexo guinou para actividade saudável, dizem fazer bem a quase tudo – é difícil esquecer amigo de um amigo, nos quarenta o primeiro, que, após sessão com a amante, sentindo-se mal, pede que ela o vista, segura o volante e durante a travessia da 25 de Abril implora “aqui não, Deus!, só perto de casa e passada a ponte, não desconfie de tudo a minha Maria”; Deus deve ter escorregado para ele o olhar por ter caído redondo, vítima de enfarte, em cima do capacho do lar. A moralidade da estória é a do sexo culpado ser factor de risco coronário. Uma maçada para corações propensos à auto-punição.
Quarenta e dois por cento dos nossos idosos sobrevivem sós. A estes falta tudo o que revigora os humanos – partilha, afecto amiudado, diálogo e, quantas vezes, dignidade elementar. O sexo é mais uma falta no rol que as prioridades desvalorizam. O enamoramento para os maiores de setenta e picos/oitenta, de preferência abandonados em lares e dando em casamento, tem direito a prime time nas televisões. No entanto, se aos inventores de notícias for perguntado se amar tem limite de idade, a resposta pronta e tida por correcta é um vigoroso “Claro que não!”. Ah que o hipócrita “olha para o que eu digo, esquece o que faço” não sai da ponta da língua e do recheio do pensamento! A mais me aventuro: quantos de nós têm repulsa pela visão de peles caídas, intervaladas por varizes, papos e gestos trôpegos na satisfação sexual? Muitos, asseguro, e desculpada me seja a arrogância de botar fala por multidão. Fantasiamos idosos castos, entretidos, eles, com cartas ou dominó, elas com o tricô e a converseta. Esquecemos que, com sorte, muita sorte, não venha por aí solipampa, para o mesmo caminhamos. E queremos acreditar mantermo-nos sempre inteiros nesta coisa de viver.
O sexo e o associado com dois pesos e duas medidas. Para os actores gozo legítimo, para os de fora, e afastado o espírito voyeur, por vezes nojento. E lembro a cena beirã duma família pobre, tão pobre como quase todas, em que o fedelho recusava a tigela de sopa. Diz-lhe a mãe: “Come o caldo António!”. Resposta dele: “Ou!... Se quer que coma o caldo diga à nossa Maria qu’abaixe a saia!”
Nota: "a nossa” é código carinhoso para irmã.
Publicado por Teresa C. às novembro 9, 2007 10:21 AM
Comentários
(Ena cum carassssas!)
Ganda coment, não pelo sexo (qu'esse é common) mas pelo tema.
Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 9, 2007 11:07 AM
E a ilustração?!
Parece a tertúlia da Sand Bovary, c'a pianola ao canto e aquelas luzes, amarelentas de deseijo e enseijo...
oh mnina vista lá a saia à danseuse!
Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 9, 2007 11:16 AM
Ou será mais Paris-1900-et-20-et-quelque-chose?
A Kiki de Montparnasse et ses admirateurs, avec des lumières jaunes de lascive et le piano-présence de Satie, mort 'par la foi(e)' depuis déjà quatre ou cinq ans...
Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 9, 2007 11:24 AM
Seria engraçado, não o fosse trágico. Mas não somos uma tragi-comédia? E entre quatro paredes (
No escurinho do cinema Chupando drops de aniz
Longe de qualquer problema Perto de um final feliz) o que se pode pensar? Ou sentir? Sei lá onde reside a idade. Mas como bem é ilustrado, houve até aqueles que acreditavam que as ostras pudessem ser afrodiásicas.Hoje as indústrias farmacêuticas disputam esta primazia.Mas ainda somos uma sociedade de hipócritas.Ainda achamos por bem, aqui no Brasil, que o termo mulata é bem vindo, quando na verdade a mula era a negra da senzala que por vezes paria uma cria da casa grande.
Gosto deste humor sarcástico da Teresa, quando ela diz para o mundode forma elegante o que eu só consigo dizer de forma chula.
Beijos.
Publicado por: justo às novembro 9, 2007 11:58 AM
E havia quem dissesse que o mar abria o apetite. Nada como a falta de mar beirã para abrir o apetite. À nossa...
Publicado por: fallorca às novembro 9, 2007 02:38 PM
Fallorca
Estou a tratar do Serra D'Aires ;-)
Um abraço
Vítor
Publicado por: Minderico às novembro 10, 2007 07:54 AM
Pirata-Vermelho - vestir a menina que o talento do inesquecível George Schmidt pintou? Jamais. Uma pergunta: se o tema era um "Ganda coment" porque não o desbravou? Enriqueceria o tratado e haveria debate. Assim ficámo-nos pela decadência das luzes amarelas.
Justo - é trágico, sim. Pelo menos é a minha opinião sobre o que abordei. Não fui mais longe no escrito. Que merecia. Com pena o digo.
Fallorca - "À nossa..." Já agora - tenho andado à sua procura e nunca o vejo. Pela noite, tenho passado por lá. Mas... nadica de nada. Qual a altura que lhe dá mais arranjo?
Minderico - adoro vê-lo por aqui, nem que seja para mandar às malvas os meus escritos e entabular negociações com o Fallorca. Aqui está a prova de como uma escriba é trocada por um canídeo! ;)
Para todos - impressão minha ou fugiram deliberadamente a comentar o tema do texto?
Publicado por: Teresa C. às novembro 10, 2007 10:33 AM
Primeiro as Ladies, mesmo sem flûte: Tati, tenho noites... durante o período laboral sou mais constante.
Minderico!!, abraço recíproco e não se deixe intimidar. Quanto à 4 patinhas, que seja uma delas e o peso (em adulta) não exceda os 10 kgs. Não é para assar, eheheh... é por comodidade. SEI que há Serra d'Aires com essa dimensão, como os Schneuzers... Vou-lhe chamar..., adivinha?
Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 11:47 AM
Schnauzers, bolas... Faz amanhã dois anos que morreu a Angie (a westhighland terrier) e aceito sugestões para o nome da próxima mimalha... Tenho um "debaixo da tecla", mas arrisco-me a levar com o teclado na moleirinha... fiufiufiu :P
Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 11:54 AM
Tati!!! está a acusar-nos de fugirmos com o rabo à seringa? Ai a menina....
Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 11:57 AM
Tati; Talvez eu possa ainda apenas dizer que nós damos tanto valor a juventude. Aos bicos dos seios elevados. A pele lisa sem rugas. Aos cabelos sedosos e esvoaçantes. Às curvas delineantes dos glúteos e esquecemos a essência. Veja você nossos objetos de desejo o que são? Carros novos, modernos. O mais novo celular. A moda que todo ano se renova. O novo computador e o novissimo sistema operacional (que irá dar os mesmos velhos problemas).
Temos medo da velhice querida. Temos medo de envelhecer, fenecer e morrer. Por quê? Se não há como nem porque escapar disto?
Voltamos às vaidades , querida. A vaidade das vaidades. E o nosso interior não se transmite, nas nuances das aparências. O que vale é o que temos e não o que somos? Assim moldamos esta nossa modernidade. Mas quer saber? Só os com estofos sobrevivem com dignidade. Mas estofo de qualidade, é claro.
Beijos.
(PS:Continuo a afirmar que prefiro te ler. O que diz, diz com maestria.)
Publicado por: justo às novembro 10, 2007 12:19 PM
Fallorca. Minha cadela de 22 anos de companhia, Bataglia, já faz anos que faleceu. Coisa de 3 anos. Ainda quando volto para casa, por vezes assovio na esperança de vê-la a sorrir-me com a cauda.O nome Angie é mesmo um nome e tanto... Que a nova escolha esteja a altura.
Publicado por: justo às novembro 10, 2007 12:25 PM
justo - um abraço pela solidariedade e obrigado :)
Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 02:42 PM
Fallorca - para si e para a Nico um beijo solidário. Vi-me afastada do Tobias vai para três anos. Um desgosto que não esmoreceu. Quanto ao resto, das duas uma: ou o escrito estava mau, ou o tema foi incómodo de tratar. Sou pespineta, já sabe! ;)
Justo - e numa penada deu-me tema para tratar. Tudo o que diz é dramaticamente verdadeiro para quem não sabe da vida tirar o melhor: gozar cada dia como se fosse o último. Procuro caminhar neste sentido. Beijos. Muitos.
Publicado por: Teresa C. às novembro 10, 2007 04:54 PM
1 - Teresa C. ...... Não li este seu texto ... mas longe do meu espírito mandar às malvas os seus escritose e, muito menos, a Teresa!
2 - Fallorca ..... com que então alguém nos acusa de andar a "negociar" ... pois seja ... vou tentar fazer o meu melhor. Depois apresento a factura à Teresa C.
3 - Fallorca, de novo .... sugestão para o nome da próxima mimalha - Tati (ui, esconde-te Minderico, que vem aí artilharia Tatiana da grossa! :-)
Bom Domingo, fellows
Publicado por: Minderico às novembro 10, 2007 06:58 PM
Minderico Vitor, na mouche!!! Intimamente, o nome da futura mimalha é uma homenagem, mas, oh diabo, estarei a ficar ou sou assim tão previsível? Fiu, fiu, fiu...
Publicado por: fallorca às novembro 11, 2007 11:25 AM
Minderico - eu brincava, claro! Acho lindamente que por esta via cheguem a este ou outros entendimentos. A sua sugestão? Deliciosa!
Fallorca - baptize a bichinha de Tati com uma condição: sou a madrinha. Temos de combinar isso, caríssimo, não julgue que escapa assim sem mais... A Nico, o Fallorca, e mais um grupo de amigos aqui pelas bandas de cima. Mas a Tati, a bichinha, será a rainha da festa.
Publicado por: Teresa C. às novembro 11, 2007 09:24 PM
Tati será :)
Publicado por: fallorca às novembro 11, 2007 09:32 PM
Eu posso ser o padrinho por procuração :-)
Ah, ganda TATI .... desta é que o teu "papá" vai levar umas garrafitas de Serra D'Aires, que por acaso é um vinho do Douro e não da Serra de Aire ;-) (fiu, fiu, fiu)
Publicado por: Minderico às novembro 11, 2007 09:59 PM
Ai ai ai ai ai!
Tal cadelinha quando vier o cio irá dar um tremendo trabalho !
Estou até prevendo...
ai ai ai ai ai !!!
:o)
Publicado por: justo às novembro 11, 2007 11:51 PM
Justo - Ai, ai, ai, ai! Olha o malandro! ;)
Publicado por: Teresa C. às novembro 12, 2007 07:59 PM