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novembro 09, 2007

A NOSSA MARIA QU’ABAIXE A SAIA!

George Schmidt The_Oyster_Dance.jpg
George Schmidt

A newlywed pensioner has been arrested for having sex with his bride while driving away from their wedding reception. Traffic cops in Bergamo in northern Italy pulled the Fiat Punto over after watching it veer from side to side down a busy road. Inside they found a partially naked 70-year-old man behind the wheel and his 59-year-old bride sitting astride him. Ciampini was arrested for dangerous driving.

Notícia que foi notícia pelo avanço na idade dos intervenientes. E nem são velhos nos cânones actuais, confusa que está a fronteira entre o velho e novo. Idos houve em que era desgosto admitir o sexo entre os pais, os avós e entre quem, no mínimo, nascera vinte anos antes de nós. Esse era o tempo do sexo-prazer para o homem, sexo-obrigação para a mulher, fosse pela maternidade, ou pela norma da serviçal conjugalidade no feminino. E nada é mais desmotivador que o embrulhado em preceitos e pré-conceitos. Como esperar empolgamento numa regra estafada? Desde que o sexo guinou para actividade saudável, dizem fazer bem a quase tudo – é difícil esquecer amigo de um amigo, nos quarenta o primeiro, que, após sessão com a amante, sentindo-se mal, pede que ela o vista, segura o volante e durante a travessia da 25 de Abril implora “aqui não, Deus!, só perto de casa e passada a ponte, não desconfie de tudo a minha Maria”; Deus deve ter escorregado para ele o olhar por ter caído redondo, vítima de enfarte, em cima do capacho do lar. A moralidade da estória é a do sexo culpado ser factor de risco coronário. Uma maçada para corações propensos à auto-punição.

Quarenta e dois por cento dos nossos idosos sobrevivem sós. A estes falta tudo o que revigora os humanos – partilha, afecto amiudado, diálogo e, quantas vezes, dignidade elementar. O sexo é mais uma falta no rol que as prioridades desvalorizam. O enamoramento para os maiores de setenta e picos/oitenta, de preferência abandonados em lares e dando em casamento, tem direito a prime time nas televisões. No entanto, se aos inventores de notícias for perguntado se amar tem limite de idade, a resposta pronta e tida por correcta é um vigoroso “Claro que não!”. Ah que o hipócrita “olha para o que eu digo, esquece o que faço” não sai da ponta da língua e do recheio do pensamento! A mais me aventuro: quantos de nós têm repulsa pela visão de peles caídas, intervaladas por varizes, papos e gestos trôpegos na satisfação sexual? Muitos, asseguro, e desculpada me seja a arrogância de botar fala por multidão. Fantasiamos idosos castos, entretidos, eles, com cartas ou dominó, elas com o tricô e a converseta. Esquecemos que, com sorte, muita sorte, não venha por aí solipampa, para o mesmo caminhamos. E queremos acreditar mantermo-nos sempre inteiros nesta coisa de viver.

O sexo e o associado com dois pesos e duas medidas. Para os actores gozo legítimo, para os de fora, e afastado o espírito voyeur, por vezes nojento. E lembro a cena beirã duma família pobre, tão pobre como quase todas, em que o fedelho recusava a tigela de sopa. Diz-lhe a mãe: “Come o caldo António!”. Resposta dele: “Ou!... Se quer que coma o caldo diga à nossa Maria qu’abaixe a saia!”

Nota: "a nossa” é código carinhoso para irmã.

Publicado por Teresa C. às novembro 9, 2007 10:21 AM

Comentários

(Ena cum carassssas!)


Ganda coment, não pelo sexo (qu'esse é common) mas pelo tema.


Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 9, 2007 11:07 AM

E a ilustração?!
Parece a tertúlia da Sand Bovary, c'a pianola ao canto e aquelas luzes, amarelentas de deseijo e enseijo...
oh mnina vista lá a saia à danseuse!

Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 9, 2007 11:16 AM

Ou será mais Paris-1900-et-20-et-quelque-chose?
A Kiki de Montparnasse et ses admirateurs, avec des lumières jaunes de lascive et le piano-présence de Satie, mort 'par la foi(e)' depuis déjà quatre ou cinq ans...

Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 9, 2007 11:24 AM

Seria engraçado, não o fosse trágico. Mas não somos uma tragi-comédia? E entre quatro paredes (
No escurinho do cinema Chupando drops de aniz
Longe de qualquer problema Perto de um final feliz) o que se pode pensar? Ou sentir? Sei lá onde reside a idade. Mas como bem é ilustrado, houve até aqueles que acreditavam que as ostras pudessem ser afrodiásicas.Hoje as indústrias farmacêuticas disputam esta primazia.Mas ainda somos uma sociedade de hipócritas.Ainda achamos por bem, aqui no Brasil, que o termo mulata é bem vindo, quando na verdade a mula era a negra da senzala que por vezes paria uma cria da casa grande.
Gosto deste humor sarcástico da Teresa, quando ela diz para o mundode forma elegante o que eu só consigo dizer de forma chula.

Beijos.

Publicado por: justo às novembro 9, 2007 11:58 AM

E havia quem dissesse que o mar abria o apetite. Nada como a falta de mar beirã para abrir o apetite. À nossa...

Publicado por: fallorca às novembro 9, 2007 02:38 PM

Fallorca

Estou a tratar do Serra D'Aires ;-)

Um abraço

Vítor

Publicado por: Minderico às novembro 10, 2007 07:54 AM

Pirata-Vermelho - vestir a menina que o talento do inesquecível George Schmidt pintou? Jamais. Uma pergunta: se o tema era um "Ganda coment" porque não o desbravou? Enriqueceria o tratado e haveria debate. Assim ficámo-nos pela decadência das luzes amarelas.

Justo - é trágico, sim. Pelo menos é a minha opinião sobre o que abordei. Não fui mais longe no escrito. Que merecia. Com pena o digo.

Fallorca - "À nossa..." Já agora - tenho andado à sua procura e nunca o vejo. Pela noite, tenho passado por lá. Mas... nadica de nada. Qual a altura que lhe dá mais arranjo?

Minderico - adoro vê-lo por aqui, nem que seja para mandar às malvas os meus escritos e entabular negociações com o Fallorca. Aqui está a prova de como uma escriba é trocada por um canídeo! ;)

Para todos - impressão minha ou fugiram deliberadamente a comentar o tema do texto?

Publicado por: Teresa C. às novembro 10, 2007 10:33 AM

Primeiro as Ladies, mesmo sem flûte: Tati, tenho noites... durante o período laboral sou mais constante.


Minderico!!, abraço recíproco e não se deixe intimidar. Quanto à 4 patinhas, que seja uma delas e o peso (em adulta) não exceda os 10 kgs. Não é para assar, eheheh... é por comodidade. SEI que há Serra d'Aires com essa dimensão, como os Schneuzers... Vou-lhe chamar..., adivinha?

Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 11:47 AM

Schnauzers, bolas... Faz amanhã dois anos que morreu a Angie (a westhighland terrier) e aceito sugestões para o nome da próxima mimalha... Tenho um "debaixo da tecla", mas arrisco-me a levar com o teclado na moleirinha... fiufiufiu :P

Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 11:54 AM

Tati!!! está a acusar-nos de fugirmos com o rabo à seringa? Ai a menina....

Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 11:57 AM

Tati; Talvez eu possa ainda apenas dizer que nós damos tanto valor a juventude. Aos bicos dos seios elevados. A pele lisa sem rugas. Aos cabelos sedosos e esvoaçantes. Às curvas delineantes dos glúteos e esquecemos a essência. Veja você nossos objetos de desejo o que são? Carros novos, modernos. O mais novo celular. A moda que todo ano se renova. O novo computador e o novissimo sistema operacional (que irá dar os mesmos velhos problemas).
Temos medo da velhice querida. Temos medo de envelhecer, fenecer e morrer. Por quê? Se não há como nem porque escapar disto?
Voltamos às vaidades , querida. A vaidade das vaidades. E o nosso interior não se transmite, nas nuances das aparências. O que vale é o que temos e não o que somos? Assim moldamos esta nossa modernidade. Mas quer saber? Só os com estofos sobrevivem com dignidade. Mas estofo de qualidade, é claro.
Beijos.
(PS:Continuo a afirmar que prefiro te ler. O que diz, diz com maestria.)

Publicado por: justo às novembro 10, 2007 12:19 PM

Fallorca. Minha cadela de 22 anos de companhia, Bataglia, já faz anos que faleceu. Coisa de 3 anos. Ainda quando volto para casa, por vezes assovio na esperança de vê-la a sorrir-me com a cauda.O nome Angie é mesmo um nome e tanto... Que a nova escolha esteja a altura.

Publicado por: justo às novembro 10, 2007 12:25 PM

justo - um abraço pela solidariedade e obrigado :)

Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 02:42 PM

Fallorca - para si e para a Nico um beijo solidário. Vi-me afastada do Tobias vai para três anos. Um desgosto que não esmoreceu. Quanto ao resto, das duas uma: ou o escrito estava mau, ou o tema foi incómodo de tratar. Sou pespineta, já sabe! ;)

Justo - e numa penada deu-me tema para tratar. Tudo o que diz é dramaticamente verdadeiro para quem não sabe da vida tirar o melhor: gozar cada dia como se fosse o último. Procuro caminhar neste sentido. Beijos. Muitos.

Publicado por: Teresa C. às novembro 10, 2007 04:54 PM

1 - Teresa C. ...... Não li este seu texto ... mas longe do meu espírito mandar às malvas os seus escritose e, muito menos, a Teresa!

2 - Fallorca ..... com que então alguém nos acusa de andar a "negociar" ... pois seja ... vou tentar fazer o meu melhor. Depois apresento a factura à Teresa C.

3 - Fallorca, de novo .... sugestão para o nome da próxima mimalha - Tati (ui, esconde-te Minderico, que vem aí artilharia Tatiana da grossa! :-)

Bom Domingo, fellows

Publicado por: Minderico às novembro 10, 2007 06:58 PM

Minderico Vitor, na mouche!!! Intimamente, o nome da futura mimalha é uma homenagem, mas, oh diabo, estarei a ficar ou sou assim tão previsível? Fiu, fiu, fiu...

Publicado por: fallorca às novembro 11, 2007 11:25 AM

Minderico - eu brincava, claro! Acho lindamente que por esta via cheguem a este ou outros entendimentos. A sua sugestão? Deliciosa!

Fallorca - baptize a bichinha de Tati com uma condição: sou a madrinha. Temos de combinar isso, caríssimo, não julgue que escapa assim sem mais... A Nico, o Fallorca, e mais um grupo de amigos aqui pelas bandas de cima. Mas a Tati, a bichinha, será a rainha da festa.

Publicado por: Teresa C. às novembro 11, 2007 09:24 PM

Tati será :)

Publicado por: fallorca às novembro 11, 2007 09:32 PM

Eu posso ser o padrinho por procuração :-)

Ah, ganda TATI .... desta é que o teu "papá" vai levar umas garrafitas de Serra D'Aires, que por acaso é um vinho do Douro e não da Serra de Aire ;-) (fiu, fiu, fiu)

Publicado por: Minderico às novembro 11, 2007 09:59 PM

Ai ai ai ai ai!
Tal cadelinha quando vier o cio irá dar um tremendo trabalho !
Estou até prevendo...
ai ai ai ai ai !!!
:o)

Publicado por: justo às novembro 11, 2007 11:51 PM

Justo - Ai, ai, ai, ai! Olha o malandro! ;)

Publicado por: Teresa C. às novembro 12, 2007 07:59 PM

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