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novembro 29, 2007

CHAMA-LHES “VACAS”

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Mark Harrison

Choca-me que chames vacas às mulheres que te oferecem afectos como flores. Troces dos cuidados com os filhos. Delas. Rias dos olhos azuis e da loira com dinheiro que to coloca aos pés (bazófia tua como, de imediato, comentei); da baixinha - pés roliços, sutiã branco e cuecas desirmanadas (palavras tuas), corpo de deusa e cujo marido te encalacra; da funcionária da saúde que usas em part-time; das que “só não emprenham para me prender por escolhê-las com a menopausa a caminho ou passada.”

Choca-me o teu arquivo das fotografias íntimas. Que as exibas com sarcasmo. Mulheres desprevenidas. Crédulas por em ti verem o amor. Que contes da náusea ao sabê-las, de manhã, ao teu lado na cama, enquanto delineias a fuga ou lhes deixas passar uma camisa, iludindo-as com a partilha das vidas. Que as deixes em suspenso por afazeres que não tens, com as tuas fugas mentirosas de caixeiro viajante. Com a que te espera numa cama do mundo abaixo do Equador. Que digas respeitar todas por, na presença de cada uma, silenciares o telefone.

Chocas-me. Por violentar a minha natural tolerância ao impor-te não mais fazeres de mim tua confidente e, por isso, cúmplice do sofrimento que adivinho nas tuas mulheres. Por teres consciência e a negares. Pela infelicidade que te engelha o rosto. Entristece-me que te acobardes entre o verso e o reverso do teu ser. Despede o anjo vingador que te habita porque uma, duas mulheres te enganaram cruelmente, dizes, gelando para as outras a bondade e a ternura que a um cão espontaneamente ofereces. Sobe do inferno que te dói. Ganha a paz que desejas. Aceita as cãs e a queda do cabelo e o arredondar do abdómen que por ora te atormentam. Cala o demónio que te faz sentir inferior.


CAFÉ DA MANHÃ

Muito obrigada me sinto pela atenção que dispensa ao que escrevo.

Publicado por Teresa C. às novembro 29, 2007 08:47 AM

Comentários

Uh lá lá

Um link directinho ao meu "terra-natalense" "site"!

Fico todo babadinho :-)

Obrigado

Vítor

Publicado por: Minderico às novembro 29, 2007 12:02 PM

Cara amiga:
Parabéns pela clareza com que denuncias um determinado tipo de ser humano: aquele que projecta nos outros a sua própria mediocridade. Pior ainda quando se trata de alguém que usa o sexo oposto para camuflar frustrações ou vida mal vivida.

Publicado por: Ela às novembro 29, 2007 02:41 PM

Ela;
Seria um homem isto? Há aberrações na natureza. Tão somente.Para mim, o triste é ver tantos e tantos milênios de submissão da mulher a estas "aberrações" tão somente pela opressão do "mais forte" para com o mais fraco.
Há, quero crer, um elo tão forte dos opressores, como que a treinar com as mulheres o que fariam (farão? Fazem?) com os demais "fracos".
Mas, querida. Aberrações há nos dois sexos.
Talvez por isto ainda estamos infestando nossa querida Gaia!
Beijos.

Publicado por: Justo às novembro 29, 2007 06:34 PM

Há pessoas assim. Que bem vistas as coisas, não são pessoas, são bichos. Talvez uns bois. Coitadas das criaturas, agora que pensei melhor, talvez até seja insulto. Para os ditos bois, claro. Se bem que um par de cornos ou outro até lhes fique bem com o tom de pele, com o abdómen proeminente ou a queda do cabelo.

Publicado por: Marta às novembro 29, 2007 06:38 PM

Marta me fez sentir culpa por estar perdendo cabelos.
:o(

Publicado por: Justo às novembro 29, 2007 08:02 PM

Minderico - Ora ainda bem que um homem que as palavras não teme subscreve o escrito. Quanto ao resto, prevalece a minha gratidão;

Ela - Porque ouvimos e sabemos das histórias e do sofrimento de tantas mulheres nas mãos de habilidosos, é demasiado o horror que sentimos ao ouvir estas e outras enormidades que, por pudor, não foram mencionadas. Mais detalhes, dos passíveis de serem contados, há neste retrato - sexo sem a prevenção indispensável no tempo em que o HIV crassa - sendo esta responsabilidade de ambos os parceiros -, e a delação dos actos íntimos. Grata pelo teu apreço. É mútuo, minha querida.

Justo - é um homem e antes disso pessoa - o estereótipo descrito não tem sexo. Admitindo que cada "defeito" associa uma "qualidade", o que me interroga seriamente é saber qual a "virtude" que a este modo de estar estará associada.

Marta - que acrescentar a síntese tão perfeita?

Justo - Não se preocupe amigo, que mais cabelo, menos cabelo não é problema para quem sabe destrinçar o importante do acessório. :)

Publicado por: Teresa C. às novembro 30, 2007 12:43 PM