« NA CAÇOILA, OS TRONCHOS | Entrada | IDO O AMOR, A PELE MARCADA »

novembro 03, 2007

DAS CAUDAS PARA OS DORSOS

Joerg Warda warda_01b.jpg
Joerg Warda

O blogue melhora a vida das pessoas? Digo: tem dias e pessoas. Quem escreve e quem do lido deixa registo, porque texto sem direito a réplica não me faz o estilo. Gosto da polémica, das picardias, do retorno, de ser desancada quando piso a linha ténue entre o discurso redutor e o objectivo. De saber o que sobre o ideado pensam os outros. Por via deles repensar o que pensei. Ficar incólume ou virar do avesso o raciocínio se a fundamentação da discórdia é logicamente impecável. Ou abrir o leque dos matizes dum conceito. Espevitar o intelecto ao ler blogues alheios. Outra forma de aprender, idêntica no infinito gosto. Maravilhar-me. Tudo recomeçado no dia seguinte. Sem dispensar as publicações tradicionais. Sem penalizar a profissão ou o privado.

Tomados sejam como exemplo o novo “Estatuto do Aluno” e as declarações do Procurador Geral da República sobre as escutas telefónicas. Houve prolixas intervenções. Até há dois pares de anos atrás, reservadas aos políticos, jornalistas e comentadores encartados. O povo confinado ao disse-que-disse e ao silêncio das respectivas convicções. As chaminés que debitam o fumo blogosférico mudaram, definitivamente, o statu quo. Hoje, qualquer anónimo com acesso doméstico, laboral ou público à internet pode dar voz à voz interior que o engasgava. Misturá-la com o fumo doutras chaminés. Transformá-la em bramido duma multidão.

Quem for aqui ou aqui e ler e ouvir o que nas sacrossantas acrópoles é divulgado sobre o novíssimo “Estatuto do Aluno”, conclui não passar de resolução burocrata de dois problemas intrincados: o abandono e o insucesso escolar. Enfeitado com princípio valorado na pedagogia actual: centrar (finalmente!) o ensino no conhecimento e menos no aluno considerado como tábua rasa de aprendizagens, atrás de si arrastando toda a sorte de demissões e desculpas docentes ou institucionais. Um logro o que tínhamos, outro o que o segue. O velho dito “se não os vences, junta-te a eles”. Uma vergonha, digo eu, com o descarado fim de fazer Portugal trepar das caudas para os dorsos dos cavalos de batalha europeus que não alcançamos montar com esforço denodado. Conto-do-vigário sem pingo de imaginação. O despudor oficial.

Publicado por Teresa C. às novembro 3, 2007 09:16 AM

Comentários

Cá se escrevem cá se emendam: logo a seguir à Seia que é Gouveia, tope-se o tropeção no baguinho de arroz:

«De saber o que sobre o ideado pensam os outros. Por VIDA deles repensar o que pensei.»

Mas o fundamental reside no «Ficar incólume ou virar do avesso o raciocínio se a fundamentação da discórdia é logicamente impecável. Ou abrir o leque dos matizes dum conceito. Espevitar o intelecto ao ler blogues alheios. Outra forma de aprender, idêntica no infinito gosto. Maravilhar-me. Tudo recomeçado no dia seguinte. Sem dispensar as publicações tradicionais. Sem penalizar a profissão ou o privado.»

Publicado por: fallorca às novembro 3, 2007 10:59 AM

O desafio dos desafios:
Como ensiná-los a amar?
Ensino e educação... familia, amor, conhecimento e compreensão...
Esta tudo muito tão próximo. E nós nos distanciamos, mais e mais.
Tati, questionar é viver.
Questionar quem nos ama é o mais díficil. Por vezes impossível. Mas devemos sempre questionar.
Tudo. Engraçado como o mundo globalizado nos torna mais e mais diferentes. E em nossas diferenças tão iguais.
A imagem do dia de hoje ( Joerg Warda ) lançou-me imediatamente aqui...
http://www.youtube.com/watch?v=KvTjp7ZUNjQ

Beijos!


Publicado por: Justo às novembro 3, 2007 02:51 PM

Fallorca - Pois agora a localização está correcta. Do "Júlio", claro. "Por via deles" era o que eu pretendia dizer e depois emendei.

Justo - Obrigada pela sugestão. E sim, a globalização exibe de cada um as diferenças culturais, conquanto nos faça constatar como o denominador humano existe e prevalece às múltiplas diferenças.

Publicado por: Teresa C. às novembro 5, 2007 10:25 AM

Comente




Recordar-me?