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novembro 08, 2007
DOS ATRIBUTOS CONTAM-LHE OS HOMENS

Luis Royo
Mulher atraente não precisa ser bonita. Ou esbelta. Ou angélica. Mulher atraente tem imperfeição que à perfeição acrescenta o “je ne sais pas quoi” que às outras falta. É feminina desde o peito do pé suavemente arqueado até ao progressivo enrolar da meia que da coxa desce lentamente. Quando se despe. Tem miolos laboriosos. Sustenta, activo, o intelecto. Não desdenha o humor. Solta gargalhada pronta. Ou sorri indefinida – complacência, gosto ou irónica leitura do que vê? Caminha com a coluna direita, conquanto se lhe adivinhe flexibilidade de junco. Ergue o queixo. Sem o apontar ao alto, mas de frente para o horizonte. Luzido o olhar. Ri e chora e hesita e nele reflecte o que vai dentro. Jamais estático. Porque da acuidade dos receptores sensoriais faz uso harmónico com a atitude. Nunca banal. A vida exalada por cada poro. Frágil ou decidida consoante o momento. Que não esconde. E porque silenciando revela, atrai. Também pela sensualidade de quem aos cinco sentidos costumados parece somar outro. Invisível. Como campo magnético que às leis da Física desobedece – são inexistentes forças repulsivas.
Mulher atraente não tem facilitado o caminho. Se acresce exigência e prioridades alinhadas, as dificuldades aumentam. Dos atributos que dizem pertencerem-lhe, contam-lhe os homens. Uns bajulam. Mentem, portanto. Outros aspiram ao bibelot que o dinheiro não compra. Presunçosos. Usam a mulher para aos demais crescerem na importância. Alguns querem-na pelo desafio. Pelo Evarest da escalada sedutora. Os restantes, e são estes que importam, vêem-na como pessoa. Amável. Arisca. Meiga. Maliciosa. Perspicaz. Plural. Generosa. Granítica.
CAFÉ DA MANHÃ
“À misteriosa Teresa C. do Sem Pénis nem Inveja” endereçou o Manuel S. Fonseca o desafio da página 161, parágrafo quinto. A jeito estavam os “Contos da Montanha” do Miguel Torga. Raro é o Outono em que o não releio. Pelas memórias que do escritor tenho por ter privado com ele, pelas raízes beirãs, mal os dias encurtam apetece-me prolongá-los na companhia dele.
Escreveu: “No ramerrão da Igreja, a gosma acabou por já nem causar impressão aos fiéis.” Palavras sem tempo no tempo. Por isso tanto preciso delas.
Se da primeira vez foram cinco mulheres as desafiadas, agora faço semelhante com o Bruno Sena Martins, o James Stuart, o Justo, o Rui Cerdeira Branco e o Shark. Se acaso os mencionados se dão ao trabalho de me lerem, sejam uns queridos e façam a fineza de não quebrar o elo. Obrigada.
Publicado por Teresa C. às novembro 8, 2007 06:34 AM
Comentários
Como a sensação tantas vezes sentida de já ter percorrido caminhos ainda virgens, assim penso que a querida Teresa consegue, por vezes, ler os pensamentos de alguns, como eu, que a lêem quotidianamente.
Hoje, nem de propósito!!!
Publicado por: j às novembro 8, 2007 09:23 AM
Já eu, que venho cá todos os dias, fui apanhado de surpresa com este "testemunho" e, nem de propósito também, não sei que lhe faça pois já tive esta bota para descalçar e fi-lo há dois ou três dias...
E agora? Ainda estou a ler o mesmo livro que citei na altura, Diplomacy, do Kissinger, versão inglesa(!) e por isso não sei como devo proceder para não te desiludir.
O que faria no meu lugar? :)
Publicado por: shark às novembro 8, 2007 03:24 PM
"O que faria no meu lugar" deveria estar entre aspas, pois era a citação de um pensamento do comentador.
E aproveito para referir que concordo (com o teor do texto).
Publicado por: shark às novembro 8, 2007 03:34 PM
J - O que se passa, julgo sem querer passar por arrogante, é que vou dando corpo ao trivial do quotidiano. Daí essa harmonia entre o que escrevo e num ou noutro momento por muitos constatado ou reflectido. A atracção e suas regras ou falta delas surgiu-me como propósito do texto por um acaso ontem acontecido. Ao J foi sugerido por outra qualquer intimidade. Mais uma vez se prova que entre homens e mulheres nada de fracturante os distingue no sentir.
Shark - "O que eu faria", e porque o refere citando o autor, era pegar no livro mais à mão e ficar-me pela frase que o elo sugere. Quanto ao texto fico feliz por um homem e uma mulher sobre a atracção terem conceitos semelhantes. Não há, e de novo sublinho, clivagem no pensamento e sentido por ambos os sexos.
Publicado por: Teresa C. às novembro 8, 2007 03:51 PM
Ora, cara Teresa, fineza a tua fazeres-me constar entre os destinatários da corrente. Confesso então que já aqui (http://avatares-de-desejo.blogspot.com/2007/11/pgina-161-quinta-frase.html) tomei o meu lugar na corrente e, mas confesso que não lhe dei a devida continuidade(shame on me).
Beijinhos
Bruno
Publicado por: Bruno S. Martins às novembro 8, 2007 06:32 PM
Parece uma receita de cozinha.
Sei lá o que é mulher atraente...
O que é atraente?
Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 8, 2007 06:52 PM
Pirata-vermelho?
Então lês quase todos os dias sobre a mulher mais atraente que existe não consegue saber quem é?
Tati é a atração fatal personificada.
É tão forte esta força de atração, que a sua autora por vezes confunde-se entre ser a Tati ou não ser.
Esta mulher que ronda o imaginário masculino e que se personifica é dentre todos os mistérios do mundo aquele que nem mesmo a personagem pode entender.
Mas com certeza, quando te depara-res com tal criatura poderá compreender.
E ai... bom ai... será tarde demais!
:0)
Publicado por: justo às novembro 8, 2007 09:43 PM
...corpo do qual não se consegue despegar o olhar, sentido de humor que se anseia ouvir, companhia que se antecipa na planificação...
Teresa, é uma mulher assim? :)
Um beijo
Publicado por: apenas um gajo e nada mais às novembro 9, 2007 12:07 AM
Concordo com este perfil da Mulher Atraente, aplaudo o texto confesso que achei engraçadíssimos os apontamentos entusiásticos dos comentadores masculinos deste blog ;)
Publicado por: Alba às novembro 9, 2007 12:24 AM
Bruno Sena Martins - Makl posso crer que quem escreve como tu dispense algum tempo a dar pelas palavras da Teresa C. Os teus dois últimos textos são fabulosos. Que maravilha é esta coisa dos blogues!
Beijinho
Pirata-Vermelho - quando encontrar uma mulher realmente atraente saberá do que falo.
Justo - pasca atracção fatal a minha que só me traz o Minderico para falar do Serra d'Aires. O que escreveu? Muito e bom. Os deuses o conservem a pensar assim. ;)
Apenas um gajo e nada mais - Sim e não. Depende de quem me observa e quer.
Beijo
Alba - os seus comentários, vindos duma mulher que admiro, são o contraponto indispensável à perspectiva masculina de quem me lê. E mais contente fico pelo enunciado estar em sintonia com o pensar duma Mulher
Publicado por: Teresa C. às novembro 10, 2007 10:23 AM