« IDO O AMOR, A PELE MARCADA | Entrada | JACTO DIVINO RUMO AO CÉU »
novembro 05, 2007
EU-NÃO-SOU-MENOS-DO-QUE-ELE-MAS-SOU

Barndog
Os portugueses têm falta de sexo ou disso estão convencidos. Invejam quem tem mais e melhor. Cobiça. Ciúme. A revolta íntima do “eu-não-sou-menos-do-que-ele-mas-sou” quando um jogador da bola desfila no descapotável ou uma lindona é capa de revista.
Eles em especial, que elas, ganhando o salário mínimo, seja pela sensação de vitória dos cortados 100g de fiambre, de trazerem para casa os precisos abaixo de vinte e cinco euros por semana, pela remoção da nódoa de refogado na camisa, são momentos de prazer superiores ao “tirano vem,/ tirano vai,/ no vai-e-vem sempre cai,/ não há tirano que não caia. /Vive no cai-que-não-cai.” E depois, cartesianas de nascença, habituaram-se a dividir o bolo da vida em partes e analisar o préstimo de uma por uma. Sendo o balanço positivo, que se lixem os cincos minuto de “com sua lei, sua laia,/ há o homem que vai, / e o homem que vem / e vaia.” Para requintes sexuais mulher precisa de vontade. De um parceiro que aprecie. Que a mime, seja gabando o estufado ou beliscando-a e dizendo-lhe ao ouvido “quero-te!”. De tempo. De aveludar o corpo e o desejo. De apuro. Trocar a confecção do bacalhau à Brás para o jantar por uma pizza sorridente que no congelador aguarda uma falta ou a preguiça. Receber do homem olhar cúmplice. Brindar com vinho de um euro como se fosse um vintage. Deitarem a dois os miúdos cobertos pela manta de afecto familiar. E depois eles. O casal. O desejo a crescer. Húmido. E o sofá, o tapete, a cama. E o brilho nos olhos na noite e na manhã seguinte. As dificuldades iguais. A penúria a mesma. Outra a força para as defrontar. Porque há riquezas que aos ricos não estão garantidas.
Publicado por Teresa C. às novembro 5, 2007 06:10 AM
Comentários
Pois há! Mas não são essas...
Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 5, 2007 05:53 PM
Olá :-)
Não sei o que significa «recordar-me» mas deixei lá a bolinha. Vim aqui por causa dum cartoon do Bush e depois fui vendo os blogs da lateral, como sempre faço. Alguns despertam-me a atenção e vou vê-los e desses passo a outros. Este tem efectivamente um título apelativo, seja para machos, seja para fêmeas. Fui ao 1º post e gostei. deambulei pelos outros e procurei em vão descobrir o autor da gravura de abril 25, 2005, pois com o zoom a imagem perde definição.
Voltei ao princípio e deixei-me levar pela apreciação das imagens, mais do que pela leitura, não por demérito teu mas por cansaço e falta de disposição para ler. E de repente lembrei-me de duas histórias. No tempo em que conversava nos chats, as minhas interlocutoras por vezes referiam a javardice e ordinarice do viril macho lusitano. Mudei de nome e entrei com um nick nada provocatório: «Gatinha Doce». Em menos dum minuto tinha montes de luzinhas a piscar. Dois convidaram-me logo para a cama e outro até me enviou uma pretensa foto dele com o seu iate. Outros dois «apaixonaram-se» e os restantes tiveram uma conversa banal.
A outra história, também verídica, é a de uma amiga minha engenheira que foi nomeada chefe duma sala de desenhadores (projectistas). Estes, tal como em muitas oficinas de quintal ou em balneários masculinos da classe D ou E, tinha as paredes cheias de mulheres mais ou menos despidas, em poses mais ou menos eróticas.
A minha amiga foi parando em frente de cada foto, como se estivesse a admirá-la, e chegando ao fim disse que tinham bom gosto, mas como ela era mulher e gostava de homens, especialmente nus, entendia que a partir do dia seguinte, por uma questão de igualdade, nas paredes também deveria haver fotos de homens nus e similares.
No dia seguinte as paredes estavam vazias!
Não há qualquer moral nestas histórias, verídicas, é certos, mas simples carreirinha de letras ou códigos uns a seguir aos outros.
Da vista gostei. Do 1º post também. Noutra altura passarei à leitura dos restantes.
Um abraço
VM
Publicado por: Victor Nogueira às novembro 5, 2007 06:37 PM
este post tem uma toada bem bossa nova, a fazer lembrar as belas composições do Chico Buarque...
Publicado por: Alba às novembro 6, 2007 02:04 PM
«De apuro»... essencial para ninguém se meter em apuros. ;)
Publicado por: fallorca às novembro 6, 2007 02:38 PM
Pirata-Vermelhas - Muito agradecida ficava se me indicasse algumas além das óbvias.
Vítor Moreira - elucidativos os exemplos que escolheu. Mas o que me tocou mesmo foi o propósito de ler o que por aqui vai ficando. Alguns textos com poeira visível, outros nem tanto.
Alba - E não é que lido em voz alta o escrito tem um pouco dessa cadência! Sabe, o mais curioso é que ao escrever «ouço» as palavras. Só pode ser esta a razão de algumas cadências que me surpreendiam pelo que eu chamava acaso. Quem me diz não ser aquela a razão?
Fallorca - Seu grande malandro!... Não era «desse» apuro que eu falava, mas que a tirada veio a jeito da ambiguidade da frase é evidente. ;)
Publicado por: Teresa C. às novembro 6, 2007 08:43 PM