« MASCULINOS? RAROS! | Entrada | DAS CAUDAS PARA OS DORSOS »

novembro 02, 2007

NA CAÇOILA, OS TRONCHOS

autumns-sigh.jpg
Autor que não foi possível identificar

Caminhando do litoral para a Beira Alta, é crescida nos plátanos a beleza. Dos verdes amarelados fica aberta a estrada aos ocres e às folhas rubras. Dizem a diminuição das horas de sol responsável pela quebra de trabalho da clorofila que os pigmentos vermelhos aproveitam. Gulosos, precisam de açúcar. Como o tom laranja e o amarelo são subtis reacções à quantidade que ao plátano é concedida. Por isso é doce a subida até à Beira que amo. E rica a paleta. Inebriantes as fragrâncias. Quente o sol, frias as sombras que o ar da serra corta. Rubras as hortenses. Cheias. Folhas desfalecidas amontoadas nos canteiros. Húmus. Cama para o solo e os plátanos adormecerem suavemente.

Piquei o ponto no “Júlio”. A afabilidade abre a porta mal soa a campainha. Em sorriso. E serviço amigo – “aquela mesa é vossa e não interessa estarmos cheios daqui a pouco.” As placas de “Reservado” confirmando o dito. Passámos as entradas guiados pela sugestão do ensopado de cabrito com míscaros. E veio a água, o vinho e a caçoila de barro. O guisado no ponto, dos míscaros a copa laminada, o troncho cortado aos pedaços grossos. Celebrámos a reunião. O momento. Os sentimentos. Os lutos. A alegria do interlúdio da presença. Tantos amigos revistos em tão curto tempo! Dedicação de anos em beijos e abraços apertados. O ritual. O nome dos amados ausentes, porque o amor não se fina por desaparecer o corpo, referido pelos préstimos culturais em vida. Sempre a vida oficiando a morte. Sobrepondo-se a um fim sem fim no coração de quem fica. Dia feliz sem lágrimas. Rubro e doce contentamento.

Publicado por Teresa C. às novembro 2, 2007 08:46 AM

Comentários

O "Júlio" não é em Seia? Se isto é texto que se escreva sabendo que um leitor beirão desataria logo a salivar com a referência aos míscaros. Francamente Tati, há coisas que nem mesmo perdoando lhas perdoo, como esse ensopado. A vingança vai ser terrível, ou pego no Land e vou gamar romãs pelos caminhos velhos, ou desafio a Nico e amanhã vamos a Aracena ou Fuenteheridos repimparmo-nos de "setas"... muy ricas :P

Publicado por: fallorca às novembro 2, 2007 11:24 AM

DOMINGO OU NO DIA QU'ENTREMEIA HEI-D'EU IR ATERRAR A SEIA
HORAS D'ALMOÇO OU MAIS OU MENOS
NÃO HÁ QU'HAVER ALVOROÇO!
JÁ NOS CONHECEMOS...


Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 2, 2007 05:34 PM

Hoje não há § d'excepção - o texto é distinto.


Beijos!

Publicado por: -pirata-vermelho- às novembro 2, 2007 05:46 PM

Gouveia.

Publicado por: D. às novembro 2, 2007 06:13 PM

Fallorca - Sabe lá o manjar que o palato apreciou! Para cúmulo, umas papas de milho a preceito. Assadas estavam as maçãs da quinta do dono, que em nada desemreciam do resto e do arroz doce beirão, sem ovos e de fatia, nada desta mariquice do mesmo nome que se come em Lisboa (com ovos pálidos e uma aguadilha sem jeito). Provei de tudo qu'apetite não me faltaComa as romãs e vá com a Nico às tais «setas» que não faço a mínima ideia do que sejam.

Pirata-Vermelho - deixei lá em baixo um convite para nos conhecermo à séria, que é o mesmo que dizer com as carnes, a pele e o osso.

Beijos!!!!! Do Pirata-Vermelho! Leio, releio e nem acredito! Tome lá meus aos molhos que é para não se ficar a rir.

D - na mouche!

Publicado por: Teresa C. às novembro 2, 2007 06:43 PM

Quem agora ficou verde de raiva ou augadinho de todo fui eu...
Minha amada serra! Meus adorados míscaros!

Publicado por: j às novembro 2, 2007 07:44 PM

Gostávamos imenso de te ter como colaborador do Blogue das Artes, aquele que pretende ser o blogue de referencia em Portugal.

visita-nos..

http://www.bloguedasartes.blogspot.com/

se aceitares é so mandares um mail a dizer qual o mail para onde queres o convite.

abraço

Duarte e Tiago

Publicado por: Tiago Nené às novembro 3, 2007 03:40 AM

Se eu resolvesse fazer um livro sobre: "Fernando Vale na obra de Miguel Torga"
Quem era o autor do livro? Era Miguel Torga?

Publicado por: Lapa às novembro 3, 2007 03:41 AM

j - meu querido e saudoso Amigo, quanta saudade de o ler! E logo havia de o deixar aguado, eu que lhe quero tão bem... Os míscaros e o cabrito e o ensopado e e todas as iguarias da nossa criação aguardam-no. Suba, vá lá cima que os nosssos lugares continuam lindos, tal qual os temos no coração. Um beijo grande como a distância e a minha amizade.

Tiago Nené - grata pelo convite. Irei pensar no assunto.

Lapa - por falta de tempo não pude ler na íntegra o texto que consta da ligação. Mal o faça responderei com a ponderação que agora seria impossível. À partida, arrisco: não, não era. O autor seria quem levou a cabo a investigação.

Publicado por: Teresa C. às novembro 3, 2007 09:35 AM

Gouveia!!!, cabeça desgovernada... "Seia" foi gralha de "ceia", mesmo que o ensopado tenha sido devorado ao almoço. "Setas" são as manas dos (al)míscaros. Quanto ao arroz-doce, podia poupar-nos a tortura da descrição, para não augarmos mais... não é amigo/a j?

Publicado por: fallorca às novembro 3, 2007 10:40 AM

Gostei.
Boa semana de trabalho a todos.

Cpts

Publicado por: Norah às novembro 5, 2007 01:29 AM

Fallorca - as setas aão aquelas espécie de trufas brancas, que apesar da família comum são bem diferentes no sabor e no preço?

Norah - Obrigada pela visita e retribuo os votos.

Publicado por: Teresa C. às novembro 5, 2007 10:28 AM

Tati, essas mesmas... um regalo para o palato e ao preço dos míscaros do outro lado do Guadiana. A vingança dos pormenores no "Júlio" serve-se com um animado "picoteo de setas" em Aracena... Fiu, fiu, fiu...

Publicado por: fallorca às novembro 5, 2007 10:45 AM

Comente




Recordar-me?