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novembro 10, 2007

UM RENÉ FRESNE PARA VARIAR

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Lindsay Goodwin

Ao fim de semana, muitos limpam a casa. Arredam móveis, sofás e quinquilharia. Enfiam o cabo do aspirador ou da vileda por tudo quanto é nesga, com o pano eliminam poeiras. Eu aproveito para limpar o espírito. Varrer da minha vida o que não presta. Hábitos e dúvidas sem sustento, pessoas. Há oito dias, eliminei um pires de Aveiro lascado pelo uso. Piparote racional por não lhe reconhecer vestígio de bondade. Porque a higiene mental obriga a deitar borda fora o que ou quem à vida traz maçadas. Ou enfados. A alma ganha leveza e tudo cintila como novo. Sem cotão debaixo do tapete. Limpeza séria.

Inaugurei ontem, pelo meio da tarde, o fim de semana. Deambulei na predilecta colina de Lisboa. Por mais uma de muitas vezes percorri as salas e jardins do Pestana Palace. Múltiplos propósitos. Fruir da doçura outonal com o Tejo em fundo. Subir a íngreme escada de caracol até ao terraço das cavalariças. Lá no alto, ver as dobras da cidade até ao Rio. A cascata de folhagens e casario. Sentir a liberdade do cabelo estonteado pela brisa do entardecer. E o perfume voando da roupa e da pele. E a cidade embaciando o dourado. A noite descendo com vagar.

Na sala azul, a que do palácio sempre escolho, flûtes de champanhe. Um René Fresne para variar. A beleza consistente. Do lugar, do diálogo, da suavidade do espírito, dos fios de seda entretecidos. O conforto do canapé que os corpos aconchega. A harmonia. A pele nua sob o casaco do tailleur cuja saia o chiffon finda. A frescura do Brut. A pessoa. A alma. A paz. A bondade da vida.

Publicado por Teresa C. às novembro 10, 2007 09:45 AM

Comentários

Ricas vidas e mais requintado gosto... «A harmonia. A pele nua sob o casaco do tailleur cuja saia o chiffon finda.»
Descurou a capeline? Olhe que este sol prega-as num abrir e fechar de chiffon...

Publicado por: fallorca às novembro 10, 2007 12:01 PM

Fallorca - a Nico já faz parte aqui da tertúlia e os seus termos de "algaravês" adoro. Não levei capeline, imagine!, não fosse o vento roubar-ma. E depois, teria de fazer aquela triste figura de primeiro enfiar, com jeito, a cabeça no automóvel e somente depois o «back». Ora, senhora não entra assim numa viatura... Beijinhos para os dois.

Publicado por: Teresa C. às novembro 11, 2007 09:29 PM

E os dois retribuímos :)

Minderico Vitor, agora tudo depende de si, para a madrinha da mimalha não se ficar pela promessa (bloguisticamente correcta).

Não sei se este termo existe ou não, mas passa a existir e é do domínio bloguíco... fiufiufiu

Publicado por: fallorca às novembro 11, 2007 09:37 PM

Teresa C. - E se não existe passou a existir e a paternidade é sua. Não fico pelas palavras, não! Me aguarrrrdem Senhores...

Publicado por: Teresa C. às novembro 12, 2007 05:38 PM

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