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dezembro 21, 2007

DOS VIKINGS AOS BECHAMEIS

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Thierry Beaudenon

O bacalhau está caro. Caro desde a primeira vez que me vi sentada em frente a uma televisão. Muito caro. Nas minhas memórias infanto-juvenis das Festas, Boas e Prósperas como é tradicional desejar, pontificam o Natal dos Hospitais e as sondagens de rua dos telejornais sobre a carestia do "fiel amigo" português. O povo entrevistado lamuria, conta da incompreensão do custo acrescido, mas compra. Peixe seco inteiro, ou à posta, ou em lombos congelados livres de espinhas e da maçada do demolho mais o consequente fedor – a nossa atávica pelintrice tem quê de requinte que nos confere o estatuto de pobretes snobes. Alegretes menos, apesar do talento colectivo para, no segundo imediato a uma tragédia, das lágrimas fazermos anedotas.

A crer na história da televisão natalícia, há décadas que o bacalhau devia ter sumido da mesa da Consoada. Mas não. E é contraditória a permanência. Hoje, abastardado por luxuosos molhos com natas, coentros e camarões; ontem, mais barato, somente proibitivo nos queixumes sazonais, vinha à mesa com couve tronchuda, batata, cebola e ovos cozidos. Legumes e tubérculos arrancados à horta de subsistência, ovos honestamente postos por galinhas alimentadas a farelo. Com a migração do interior para o litoral, ficaram ao Deus-dará as hortas e finados os pintos de galinheiro. Foi o tempo épico dos mini/supermercados e do deslumbre perante a iluminada, diversa e confortável oferta. As catedrais do exagero, vulgo hipermercados, transformaram em roteiro turístico o abastecimento doméstico. Também o bacalhau pagando a conta das luzes de feira.

Embora os vikings nos tenham levado a dianteira na descoberta da espécie, desde as grandes navegações portuguesas do século XV que nos amancebámos com o bacalhau. A cada ano, arrisco pela teima ancestral, sujeito à pública choradeira. O custa-os-olhos-da-cara incompatível com bechameis piratas - a esmo confundidos com molho-branco - e as procissões estagnadas de gentes que aguardam metades de horas para mãos, expressamente contratadas e presumidas geniais, executarem a dificílima(?) tarefa de atascarem os presentes com papel e fita-cola. Mãos e adereços que encarecem o bacalhau.

CAFÉ DA MANHÃ

- Mui honrada me sinto pela nomeação do "Sem Pénis, Nem Inveja" para “Melhor Blog de 2007”. A apresentação dos nomeados está fantástica! Parabéns.

- O H2O Tinto teve a gentileza de nomear este blogue para Melhor Blogue. Fico muito grata.

- Por favor, caríssimos leitores: participem na votação para o melhor conto integrado nos Jogos Florais de Natal. Obrigada.

Publicado por Teresa C. às dezembro 21, 2007 11:56 AM

Comentários

Tati;Não consigo ouvir a música do teu site.
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Publicado por: justo às dezembro 21, 2007 02:55 PM

Justo - já está remediada a situação. Obrigada pelo alerta.

Publicado por: Teresa C. às dezembro 22, 2007 01:34 PM

Parabens e bom Natal!

Publicado por: anita às dezembro 23, 2007 12:27 AM

Anita - Obrigada. Tenha um Feliz Natal.

Publicado por: Teresa C. às dezembro 24, 2007 05:37 PM

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