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dezembro 15, 2007

A CORDA ESTICADA

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Jason Benjamin

CONTO III – Jogos Florais de Natal

A corda esticada entre paredes opostas. Seguram-na duas buchas. São elas que aguentam a tensão do pedaço de fio protegido por um azul plastificado. Sentada no poial da porta do quintal, olho o estendal de roupa. Azul no fundo branco da parede do vizinho.
(O vizinho é um velho simpático. Não vai entrar neste conto, mas que dava uma figura linda de contar que mais não fosse quando aparece, pelo fim da manhã, no quintal defronte, exercitando os músculos retesados nas peles engelhadas, secas, salpicadas de sardas num castanho mais intenso que o bronze que lhe ficou de outros sóis. Em camiseta de alças: um dois, hummm, hummm, respira ele fundo; acima, abaixo, hummm hummm, respira ele de novo. E para os lados, torcendo o dorso e soprando um airoso hummm, hummmm que não me surge onomatopeia que o conte).
Olho o pendural. Eu sem roupa para estender. O estendal azul na luz do fim do dia, corta a parede branca em duas. Esticada entre dois apoios, a corda azul onde eu estendo, de vez em quando, dois pares de meias, umas blusas, o meu pijama, umas cuecas.
Pouca coisa.
Um estendal demasiado. Olho-o espantada da sua demasia. Tão comprido!
No ladrilho amarelo faz-se sombra de ave. Fica o rasto do voo na parede branca que realça o azul vivo da corda esticada. Um estendal de roupa, mesmo quando está servindo de nada.
Uma gaivota grasna poisada no telhado da frente.
E eu grito de lembrada. Nem que eu grito. Eu já só penso que o faço. É um grito por dentro.
Um valha-me deus!
E ergo-me. Sacudo-me de pós do chão batendo no traseiro com as duas mãos.
Repito: credo! várias vezes. Deixo o poial e o ladrilho amarelo e o estendal contrastando no branco. Entro.
Ali está a agenda aberta numa página. Escrito na minha letra redonda e certa: Telefonar à Maria Ana.
No canto superior direito da agenda, posso ler em numeração estilizada: vinte e quatro. E ao centro, o nome do mês: Dezembro.
Marco um número. Sei de cor a posição que o compõe. Falo com um sorriso que envio até ao lado de lá de um oceano.
- Feliz Natal, Maria Ana. Beijinhos.
- Obrigada, mãe.
Caiu a ligação.
Um risco negro corta, de um a outro lado, a parede da frente. Escureceu.
Olho para fora. Estou esticada entre aqui e um para lá de um oceano. E nem me sou corda, nem me tenho apoios de buchas e nem plástico que me faça protecção.
É dia vinte e quatro de Dezembro.
Parece-me que é uma data importante. Não me lembro porquê.
No quintal, dantes, em outros tempos o estendal não era demasiado. Isso sei. Eu, esticada sobre um oceano.

CAFÉ DA MANHÃ

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Catherine Sickafoose

JOGOS FLORAIS DE NATAL

Tema – "Um Conto de Natal"

1 – Os trabalhos enviados devem ser originais e inéditos, com um máximo de 2.500 caracteres É aceite um único trabalho por participante.

2 - O Júri será composto por todos os leitores do “Sem Pénis Nem Inveja.

3 - Os textos devem ser enviados para o correio electrónico deste blogue com um título diferente do tema, sendo publicados pela ordem de recepção até ao dia 18 de Dezembro.

4 - A votação decorrerá de 18 a 23 de Dezembro.

5 – O conto vencedor será publicado no dia 25 de Dezembro.

6 - O envio dos trabalhos e a participação neste concurso obriga à aceitação destas bases.

Publicado por Teresa C. às dezembro 15, 2007 10:40 AM

Comentários

Gostei muito deste conto. O melhor, até agora.

Publicado por: vieira do mar às dezembro 16, 2007 11:04 PM

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