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dezembro 10, 2007
CIENTISTA E ATEU

Jim Warren
É comum pensar os cientistas como seres absortos das interrogações comuns, centrados em congeminações arredadas da ideia de Deus pela ausência do sustento da prova. Todavia, quem pela ciência se apaixona e com ela faz vida, não raro alcança idear o divino, mais não seja pela bondade da natureza que ao animado e inanimado fornece existência, serventia e inteligência adequada à respectiva condição. Não custa subscrever a declaração de Martin Rees: “a possibilidade de vida como nós a conhecemos depende de umas constantes básicas, físicas e sensíveis a valores numéricos. A natureza exibe coincidências notáveis."
Estudos credíveis constatam a inexistência de diferenças substantivas entre os cientistas e o público em geral nas atitudes perante o religioso. A sociedade científica “Sigma Xi”, através de sondagem realizada num domingo, conclui que cerca de 46% dos cientistas doutorados estiveram numa igreja; 47%; da restante população fez o mesmo. Pós-de-pós-graduação em ciência pouco influencia as crenças sobre Deus.
A tentativa de entender a origem do universo, unicamente pela Física e Química, é baseada em três pressupostos: 1º - todo o fenómeno pode ser completamente explicado por leis naturais expressas na linguagem matemática; 2º - as leis físicas são aplicadas em todas as ocasiões e lugares, 3º - as leis fundamentais da natureza são simples. Charlie Townes, que descobriu o laser e mereceu o prémio Nobel, disse: "no meu ponto de vista, a questão da origem parece ficar sem respostas se a explorarmos exclusivamente de um ponto de vista científico. Creio haver necessidade de alguma explicação religiosa ou metafísica. Acredito no conceito de Deus e na Sua existência." A Bento XVI pertence a declaração: “a ciência explica as coisas pelas leis naturais. O acaso é uma medida da ignorância humana e não da inépcia das Física”
Alguns ateus concebem que o Universo e a vida humana foram criados por acaso. Grandioso acaso, certamente, que a complexidade inteligente do universo alcançou.
Publicado por Teresa C. às dezembro 10, 2007 11:42 PM
Comentários
É mais simples, mais funcional e mais adequado admitir que a questão da origem é abstracta e assumir que nunca a conheceriamos por ser parte essencial da nossa própria 'existência' (passe aqui a definição de existência); pode mesmo não haver origem, concreta e discreta, por se tratar de um conceito restrito aplicável no âmbito do que se designa por pensamento e cuja essência, fora de uma perspectiva humanista é inextricável.
A religiosidade e deus são meras construções de natureza emocional e filosófica, resíduos de um primitivismo recente em que a incapacidade de isolar, entender e descrever o fenómeno, associada ao medo da morte -outra abstracção, por construção... essencial- levou ao medo do desconhecido e à efabulação da impressão primária, mais tarde usados com grande oportunidade por proto-organismos sociais de que resultaram as igrejas modernas e todo o seu manancial icónico.
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 10, 2007 02:14 PM
O cientista, fora do contexto 'laboratorial' é uma pessoa que sofre de diarreias ou de incontinências, dá porrada na mulher, se for homem; tem variações de humor mensais, se for mulher e, em todo o resto, é igual a mim ou a si.
Também pode ser parvo ou gostar de futebol ou ir às 'mninas-a-pagar'... pode mesmo ser um religioso, adepto do santo-allah ou do santo-cristo. Há os do Reiki e os da rosa-e-da-cruz. Há de tudo, na 'ciência'!
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 10, 2007 02:21 PM
Toda a ciência quântica aponta para a "consciência" universal.
Tudo é uma questão de fé.
O Pirata (e os "piratas") "acreditam" que D'us não existe. E há os que "acreditam" que sim.
Ambos não podem provar nem uma coisa nem outra.
Enquanto isto, que tal ficarmos por aqui "brincando de amor nos campos do Senhor"?
:o)
Publicado por: Justo às dezembro 10, 2007 03:40 PM
Desculpe corrigir, Justo, eu não acredito em nada disso - tentei apenas interpretar afirmações que subtendem crenças aparentes.
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 10, 2007 04:11 PM
Hum.Pirata? Apenas peguei teu postado como exemplo. Não sei de você. Mas todos temos "crenças". É isto que digo. Você mesmo diz:"eu não acredito em nada disso.."
Ora.Acreditar é "fé". Até mesmo o "não acreditar" exige que se tenha "fé de que não é".
Será que me fiz entender?
Abraços!
:o)
Publicado por: justo às dezembro 10, 2007 05:10 PM
PS:"Fé de que não é" acabou sendo um trocadilho infame. Desculpem-me!
Publicado por: justo às dezembro 10, 2007 05:12 PM
...tal como 'não acreditar que acredito' - são planos diferentes da compreeensão.
('tá desculpado)
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 10, 2007 05:36 PM
Afinal? Acreditas ou não que não acreditas?
Publicado por: justo às dezembro 10, 2007 05:51 PM
Teresa C. - Fantástica confrontação. Agradeço a ambos
Publicado por: Teresa C. às dezembro 12, 2007 06:02 PM