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dezembro 19, 2007
DO QUE TAPA E DESTAPA

Michel Gourdon
Início de uma melodia.
Entrega expurgada do vil sentimento do retorno.
O primeiro passo de esplêndida coreografia dum pas-de-deux.
Que tapa e destapa o corpo, os sentidos e a alma.
Aqui.
Inteira.
Corpo que se oferece e deseja ser tomado.
Ao jeito dos sentidos.
Ao jeito do tempo que passa.
Porque o amor não se programa ou é súbita luz que encandeia.
Porque o amor precisa de pele, de cheiro, do olhar.
Precisa de tudo e nada quando um ser encontra outro e sobe das entranhas o grito - "É este!".
Que pode ser um logro, precariedade outra, ou durar uma vida.
Nota: esta "coisa" não pretende ser um poema. Jamais me atreveria. É tão-só um texto alinhado à esquerda.
Publicado por Teresa C. às dezembro 19, 2007 02:56 PM
Comentários
Ainda que dure apenas uns instantes, após a constatação do "É esta!". Ainda que o "corpo que se oferece e deseja ser tomado" nos fique entre os dedos abertos, ansiosos, como recordação doce.
Publicado por: j às dezembro 19, 2007 04:03 PM
...e não se trabalha? Não se vai à música ou ao beija mão à Byblos? E não se dá tempo aos amigos, parceiros e conhecidos? (tudo com aquele @ no fim)
Cineminha? (bem ...isso eu sei que é penoso). Eu, cá por mim...
sem querer ser falacioso...
mesmo com hesitações...
sempre vou metendo conversa d'ilustrar c'as mninas das livrarias, à medida que mudam, â medida que sai uma e entra outra -Atão a sua colega?! (com abertura desportiva comose o sol estivesse 'cá dentro') -Ah, ela já cá não está... (sorrisinho a sublinhar) -E você!? Acha que vai ficar aqui muito tempo? (sublinhado de chic'esperto bem formado) -Não sei! Talvez... (sublinhado sonda, a a ferir...)
E segue! Tapa-destapa e -Fazes o p'quen'almoço?
-Tá um dia tão bonito...
.
.
.
-podiamos ir dar um passeio...
..............
Os autores votam no seu próprio texto, nos florais?
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 19, 2007 04:09 PM
Ali o sublinhado sonda é 'a inferir'; 'a ferir' parece-me disparate.
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 19, 2007 04:12 PM
De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
...
...
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Dizia o Vinícius de Morais.
Agora acho que a poesia se completou...
Publicado por: justo às dezembro 19, 2007 07:23 PM
J. - nunca por entre os dedos se escoam as memórias que entesourámos. Nunca muitas, não vá a abrangência resvalar para um Inatel de recordações. Por mim, influência laboratorial, presumo, decanto e filtro depois as que tenho por menores. Às que. pelo método de separação, ficam como resíduo no gobelé e no papel deito fora sem culpa ou prurido.
Pirata-Vermelho - É danadinho! Entendi a mensagem - olhe, vá dar uma volta, não nos polua com patéticas deambulações. De lamechices estamos fartos e da fala dos afectos também. Pois... Tem razão: as "mninas" assitentes de lojas divertem e fornecem beleza e riso e o doce perfume do será-que-vale-a-pena. Mas que quer? Delas, a versão masculina não vale um caracol. Vai daí, esta «piquena», por óbvia falta de musos comerciais, de quando em vez debita o experimentado que a inspira. Bem ou mal. Mal, julgo... ;)
Justo - Mangífico poema! Depois de o ler, apetece ir lá acima e, num clique, apagar "aquilo".
Publicado por: Teresa C. às dezembro 20, 2007 12:49 PM
(...e de onde apareceu, inesperadamente, a latitude para considerar poluente o que quer que eu diga?)
O coloquial 'vá dar uma volta' incomoda menos; ou nada. O 'nos' de 'não NOS polua'... oh TC, vá dar uma volta, você.
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 20, 2007 05:01 PM
Pirata-Vermelho - o "vá dar uma volta" é o que supunha ser a sua mensagem codificada, dita de modo brincalhão, da minha parte. Jamais de me ocorreria qualquer tipo de grosseria com alguém que tanto prezo como o Pirata-Vermelho. Se fui ambígua e, por isso, suscitei a sua reacção, penitencio-me desde já. Eu era lá capaz de o mandar para onde quer que fosse, salvo para aqui onde a sua análise crítica tanta falta me faz!
Poluente? Onde e quando lhe forneci tal ideia? O Pirata brinca e eu também. Só isso. Bora lá apertar as mãos por via das teclas e deixarmo-nos de desentendimentos que não nos fazem o género?
Publicado por: Teresa C. às dezembro 20, 2007 10:11 PM