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dezembro 02, 2007
FISGAS DE ARROZ DE PATO

Jack Vettriano
Fim. Finitto. Fin. The end. Acabou a eficácia das fisgadas culinárias aos solteiros com casa própria, solteirões (à beira dos quarenta e daí em diante), aos viúvos e divorciados - já não vendem a liberdade por um prato de lentilhas, desde que bem temperadas, claro.
Na secção dos congelados de qualquer (super)minimercado a oferta é diversificada: esparregado, favas com entrecosto, morcela e chouriço de vinho, carbonaras e feijoadas. Juntando as sopas “caseiras” em lata ou liofilizadas, mais a venda ao grama do bacalhau à Gomes de Sá, decorre concorrência (des)leal às (man)obras gastronómicas femininas.
À revelia da tradição, fisgam-nos alguns agora. Um arroz de pato à transmontana, dos mil bacalhaus uma dúzia, aletria, leite-creme preparados com mestria, após as primeiras dentadas, subvertem os propósitos de médio-prazo de mulher ajuramentada às delícias autonómicas. Pior: na generalidade percebendo mais de vinhos do que nós, regam-nos – real e metaforicamente – com requinte inigualável.
Sendo a conversa condizente, uma mulher vacila. Argumenta consigo que não pode ser tão perfeito assim – “vai-se ver e ouve canção diferente da minha, não gosta de ópera ou teatro, de bailado ou viagens com mais de dez horas de voo”. Ateia a esperança de pôr defeito. Mas não. Mas ouve. Mas gosta. Conhece de cor as árias que idolatramos. Foi ao cabo-do-mundo para conhecer uma sala de teatro mítica. E, desvalida, a mulher já está por tudo. O golpe de misericórdia chega quando o “tudo” confirma o arroz de pato.
Publicado por Teresa C. às dezembro 2, 2007 12:51 PM
Comentários
Já lhe disse que você é uma engraçadôncia MAS! deixe-se fanfarronadas...
(allum... elle!
Você.)
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 2, 2007 01:54 PM
Ai...que matou a fome!
Publicado por: Justo às dezembro 2, 2007 02:16 PM
Pirata-Vermelho - fanfarronadas? Eu? Tadinha de mim que no texto nem sou falada!
Justo - Também já não era sem tempo... Ando eu empenhada em saciá-lo com sugestivas pinturas e a fome só aumentava. Concluo que o Jack Vettriano foi "le plat de résistence" que o satisfez finalmente. Mas deixe, não tarda, publicarei trabalhos cujo condão será abrir-lhe de novo de novo o apetite. ;)
Publicado por: Teresa C. às dezembro 2, 2007 02:17 PM
Sra d TC, olhe que já esteve mais longe de poder ser acusada de fomentar e encorajar um voyeurismo infantil e masturbatório, meramente imagético e ilusório, que caracterizava os Anos da Mordaça - os fifties-sixties dos vetriannos e ca.
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 2, 2007 03:56 PM
Tati, eu seja ceguinho se quando abri o blog não vi uma bandeira portuguesa estampada nas costas da cadeira! Juro-lhe!
Publicado por: fallorca às dezembro 2, 2007 07:03 PM
Pirata-Vermelho - OK, OK, vou analisar sob essa respeitável perspectiva os escritos. Thanks na obediência à velha máxima - "quem me avisa, meu amigo é."
Fallorca - Pois não é que ao seleccionar a imagem tive impressão semelhante?!... Ora ainda bem, mais ela se adequa ao produto nacional e de altíssima qualidade referido no texto. Que diabo!, algumas vez neste canto a gravidae havia de puxar para cima.
Publicado por: Teresa C. às dezembro 2, 2007 07:38 PM
Tati?
Tenho um pequeno arquivo em SWF (Flash) para te enviar. Ainda funciona o teu e-mail do concurso?
:o)
(PS:Por óbvio que cabe a capacidade de cada qual e a sua fantasia. Penso que somente o ser livre pode expressar sua obra de forma completa.)
Publicado por: Justo às dezembro 2, 2007 07:49 PM
Justo - deixei de ter acesso a esse endereço sem que faça a mínima ideia do porquê. Mande-mo para o que consta no canto superior direito da página, por favor. Aguardo. :)
Publicado por: Teresa C. às dezembro 2, 2007 08:00 PM
Merci!
Publicado por: Justo às dezembro 2, 2007 08:01 PM
ao grama
Publicado por: D. às dezembro 3, 2007 01:06 AM
Ah, mas essa é uma visão de um mundo perfeito, ou melhor, de um mundo onde cada homem é perfeito para cada mulher. Ou cada homem será perfeito para várias mulheres e assim o mundo já não é tão perfeito?
Está bem, é um mundo onde existem mais hipóteses de encontrar alguém com imaginários analágos aos nossos. Já é um ponto de partida. Falta o resto, o que ultrapassa o "tudo" do seu texto. A matéria mais subtil de que são feitos os afectos, por exemplo.
Publicado por: Alba às dezembro 3, 2007 01:24 AM
Quel peintre intéressant, ce Vettriano ! Avez-vous encore d'oeutre oeuvres de lui ?
Publicado por: Pierre às dezembro 3, 2007 08:29 AM
D. - grata pela correcção, sendo o erro tanto mais grave por respeitar à minha área.
Alba - a perfeição, ou a subjectividade do que cada um entender por ela, acontece. Uma rotação da fortuna e surge um mundo novo que se desdobra à nossa frente. Horizontes aos poucos desvendados. Como camadas de fina neblina progressivamente dissolvidas na atmosfera. E surge, esplendoroso, um íntimo julgado impossível, quase mítico porque jamais acontecido. O falado no texto é humorado. O (in)tangível requer pudor.
Pierre - mais oui, j'ai beaucoup d'oeutre oeuvres de Vettriano que je peu partager avec vous.
Publicado por: Teresa C. às dezembro 3, 2007 02:07 PM
Fica-se c'a impressão de que o DeltaMan está atento, de que sabe... não é TC?
A ver s'um dia diz, constroi...
do nada...
como você, não é TC?
Mal empregado tempo qu'o meu pai esteve...
DESCULP!
(foi a fingir dsabafo-d'imitação do Portugall porfundo)
Publicado por: -pirata-vermelho- às dezembro 3, 2007 05:33 PM
Pirata-Vermelho - muito atento, indeed. E eu não fiz do nada, mas sim, no que ao referido concerne, de uma ideia que um dos seus imrescindíveis sublinhados me forneceu.
Publicado por: Teresa C. às dezembro 5, 2007 09:32 AM