« CHAMPANHE ATÉ BARRIGAS-DE-CIMA | Entrada | HOMENAGEM AO BLOGUE DA TATI »

dezembro 04, 2007

JÁ TE CONTEI?

sunshine.jpg
Autor que não foi possível identificar

Já te contei de uma menina de olhos e cabelo cor de terra cujo brinquedo maior era a evasão para o mundo inventado? De como se aninhava no cadeirão de verga do jardim ou no sofá do quarto e adormeciam as tardes enquanto lia? E como lia tudo a que as mãos e os pés esticados chegassem? Das fugas solitárias para o areal molhado pela maré-cheia?

Dessa menina veio a mulher. Feita para amar e voar. Amar pessoas e voar para o mundo de faz-de-conta que nunca quis perder. Porque no regresso sempre trouxe reservas de ideal e vontade para lhe oxigenarem as horas. Que orientam carícias, que fazem esvoaçar os lábios na pele dos que ama. Gostar, dar, receber são verbos de que não abre mão. Em fatias iguais.

À jovem que antecedeu a mulher não poderias ter amado. A ilusão arrebatava-a, o quotidiano comprimia-a até ao insuportável. Ela não quadrava nas posturas recomendadas; era rebelde, insubmissa e vivia no contraditório. Obrigava-se a exibir o molde certo, para que o «eu», dela apenas conhecido, permanecesse como água e silêncio. Até um dia.

No primeiro dia da vida dela, já muitos haviam passado. Ao identificar a fartura de encenação e a míngua de coerência, abanou o seu pequeno mundo. E tudo tremeu. Ela também. Teve medo, foi forte, fraca, chorou e riu. Aos poucos, da crisálida surgiu a mulher que sente, e como sente!, amares. Dizem-na forte, segura, de queixo erguido desafiando o mundo. Mas não, tão somente desafia quem julga ser. Rejeita a obediência a normas patéticas. E ri, sofre, é insegura e forte. Até ao sempre num qualquer dia.

Publicado por Teresa C. às dezembro 4, 2007 06:26 AM

Comentários

Pois essa Mulher-menina (ou não será Menina-Mulher?!) é ainda mais forte quando confessa os seus medos e dúvidas, quando expõe, de modo tão terno e verdadeiro, a sua alma aberta aos Amores.
Gostei. Muito.

Publicado por: j às dezembro 4, 2007 09:23 AM

Tão comovente, Teresa!

Publicado por: Alba às dezembro 5, 2007 12:42 AM

J - a eterna menina-mulher, sim, reconheço. Para o bem e para o mal, porque nisto de viver os extremos coexistem num mesmo ser. Beijinho muito amigo.

Alba - texto bem intencionado, conquanto sofrendo de erros na respectiva construção. Mas a intenção, genuína e pessoal, entendeu, como a sua sensibilidade sempre consegue ao saltar a forma e atender ao conteúdo.

Publicado por: Teresa C. às dezembro 5, 2007 09:44 AM

Comente




Recordar-me?