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dezembro 12, 2007
SONHO DE HOMENS ACORDADOS

Alberto Pancorbo
CONTO I - Jogos Florais de Natal
"A esperança é um sonho de homens acordados" (Aristóteles)
- Ainda hei-de ser alguém, o sr. vai ver...
Naquele dia estava miserável!
Completamente pedrado, parecia dormir em pé.
Tanto tempo com um ar limpo, lavado, saudável, a ajudar as velhotas vizinhas a troco de umas moedas!... Parecia até que o flagelo nunca o tinha apanhado.
- Ainda vou ser alguém...
A esperança é também um sonho de homens adormecidos, mas que ainda guardam, à flor da consciência, uma centelha de vida, um pequeno fulgor que mantém acesa a luz que mal se avista no longínquo futuro.
- Vai ver, nem me vai conhecer!...
Pois é, amigo...
Mas não é a pequena moeda que se esconde na palma da tua mão que o vai conseguir...
PS. Este homem desapareceu da minha vida, tal como chegou. Isto é, de repente.
Soube que morreu ontem com sida.
Rejeitado por toda a rua e imediações, gostava de me dizer que “havia de haver
mais gente como o Sr.
Algumas pessoas tiveram muita pena! Foram estas que me inspiraram :
"É tão bom sermos irmãos !!!"
Os corações amolecem
Fingimos que damos as mãos...
E os sons que não se esquecem ???
Das vozes dos que nos chamam
Com os olhos abertos sem nos ver ?
Dos gritos dos que clamam
Paz e justiça para viver ?
Do choro silencioso e triste
Dos tristes que a vida criou ?
Dos que fazem o Natal dos outros
E que o Natal rejeitou ?
"É tão bom sermos irmãos..."
Lisboa, quase-Natal de 2007
Publicado por Teresa C. às dezembro 12, 2007 09:52 PM
Comentários
Os contos são publicados anonimamente para que a objectividade de análise seja, no possível, preservada.
Então nem um dedinho move as teclas para comentar este Conto de Natal?
Publicado por: Teresa C. às dezembro 13, 2007 08:52 PM
A época natalícia só me estimula para fazer presépios, enfim, meter o menino Jesus nas palhinhas... fiufiufiu
Publicado por: fallorca às dezembro 14, 2007 10:49 PM
e se eu escrevesse um conto e se eu participasse MESMO SÓ com estes 2500 caracteres? e se... bora lá, Maria!
até podia ser que... vamos nessa, Maria!
Publicado por: mcorreia às dezembro 14, 2007 11:14 PM
Gostei deste conto/poema.
Amargo e imbuído de valores humanistas.
Perturba-nos, claro.
Mas a ideia da criança que nasce numa gruta, numa das noites mais longas do ano, junto de pobres e animais, abarcando o sonho mais profundo de toda uma comunidade gera perturbação. Ainda hoje. Talvez também por isso preferimos atentar no acessório.
Publicado por: Alba às dezembro 15, 2007 01:59 AM