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janeiro 11, 2008
ALCOCHETE, ARMANI, PRADA E PARIS-DAKAR

H. Sorayama
Gosto do Engenheiro Mário Lino. É simples – não confundir com simplório – e mantém simpatia nos contactos pessoais. Entendo-lhe a espontaneidade. O discurso informal. As argoladas institucionais. Perdoo o “jamais, jamais!”, o “deserto” que começa no final da Ponte 25 de Abril e que, de acordo com a famosa boutade, bem podia ter servido para o Paris-Dakar. Com vantagem – os alentejanos são pacífica e hospitaleira gente, pouco dados a guerrilha, raptos, assassínios ou explosões. Aliás, com o “deserto” aqui tão perto, nem sei porque a organização do rally desistiu da edição deste ano. Mudava de sítio e pronto! Sericaias e encharcadas, mais sopa de cação e ensopado de borrego esperariam os estafados pilotos e respectivas equipas técnicas no final de cada etapa. Animavam-se os lugarejos que apenas reconhecem pertença à Europa porque os mapas o confirmam. Viria à rua o povo, os troços da competição teriam arcos com flores de papel e luzes e dizeres de encorajamento. Encimando os chaparros, focos laser cruzariam o céu. Um must inesquecível na história do Paris-Dakar.
Gostei de ver o engenheiro Sócrates – um engenheiro-primeiro-ministro que arrebenta com a tradição do nosso atávico deixa-andar, veste Armani e calça Prada honra qualquer país – anunciando a localização “quase” definitiva do novo aeroporto. De uma cajadada matou três coelhos – escreveu “The End” no guião da novela que há mais de uma década se arrastava penosamente e, en passsant, distraiu o povo do referendo-sim-ou-não, bem como dos cêntimos pagos aos pensionistas em suaves prestações.
O deserto a sul do Tejo está, portanto, em vias de extinção. O futuro aeroporto sito em Alcochete, mais a nova travessia Chelas-Barreiro facilitam a demanda pelas paragens alentejanas. Afiam os dentes as construtoras, as imobiliárias, a Luso Ponte, empresas de hotelaria e serviços. Depois, há o previsto shuttle - uma espécie de foguetão em monocarril seria ideal. Deixaria roídos de inveja os franceses – o que liga Paris a Orly, comparado com o nosso, será peça de museu. Três vivas: dois para os engenheiros Sócrates e Lino, um para o bom senso português. Avante Portugal!
CAFÉ DA TARDE
Há quem tenha a supina e deselegante lata de afirmar menor a escrita das mulheres ao pensarem a sociedade e o tempo em que são. Três exemplos que contrariam o sofisma da senhora com um reizinho ressabiado no umbigo:
- Há qualquer coisa no Obama que, francamente, não, obrigada.
Também conta que nem o blogue ou a sua autora possam com esse discurso zapatero (a política é feita por gente muito má que invade países e mente à fartazana, menos por mim que sou super bonzinho e só quero mudar, mudar, mudar) do Obama. Too much Oprah, que queres que eu te diga...
Publicado por Teresa C. às janeiro 11, 2008 02:02 PM
Comentários
E eu acrescentaria ainda ...
Sócrates fez, mais uma vez, cheque-mate às oposições.
Quem o acusa de ditador, que vai dizer agora?
Que virou o bico ao prego?
Simpatize-se ou não com o Engº Sócrates, a verdade é que tem chegado bem para os restantes lideres da oposição.
O que é mau, porque só revela que as oposições andam muito fraquinhas, olarilas.
Reciclagem precisa-se!
Publicado por: minderico às janeiro 11, 2008 03:17 PM
Já agora, deixo aqui o meu vaticínio para as eleições americanas:
Candidado(a) democrata a Presidente- Hillary Clinton
Candidato a Vice-Presidente - Barak Obama
Se fosse americano e votasse, era de caras!
Vítor
Publicado por: minderico às janeiro 11, 2008 03:28 PM
A classe política que se foda! São todos iguais! Primeiro eles, depois eles e a seguir eles! Teresa deixe-se de incursões pela política. Até posso concordar que o minsitro tem um ar simpático mas...como se pode dizer uma coisa hoje e, amanhã defender-se exactamente o contrário?!...
Publicado por: Viajante às janeiro 11, 2008 03:39 PM
Minderico - Passo dos três vivas a quatro: "Viva o Minderico sem papas-na-língua e que não lê a cartilha costumada!"
Vijante - Homessa! "Teresa deixe-se de incursões pela política", é lá coisa que me diga? Pareço-lhe mulher para aceitar paternalismos venham lá de onde vierem? Acha-me capaz de aturar censuras à liberdade de pensar e escrever? Conselho por conselho, aqui vai o meu: viaje. Viaje muito. Se possível para bem longe deste lugar.
Publicado por: Teresa C. às janeiro 11, 2008 03:47 PM
Viajante
A intolerância é a mãe de todas as guerras. Pessoalmente estou-me a marimbar para os "jamais, jamais" deste ministro ou qualquer outro.
O que me parece é que se escolheu a melhor solução (e note-se que esta NUNCA tinha sido estudada), dado que aquele aeroporto militar estava confinado à estratégia da NATO.
Mudar de opinião é assim tão desprezível, quando se muda para uma solução melhor?
Não me parece, de todo.
Cumprimentos
Vítor
PS: Tereca C. - cada vez gosto mais de pensar pela minha pobre cabecinha, apesar de os neurónios já não serem muitos ;-)
Publicado por: minderico às janeiro 11, 2008 04:37 PM
Os "bem-pensantes" que, afinal, abundam mais do que seria desejável costumam usar um argumento "final": Deixe-se de políticas, que é mal empregado para tal!!!
Minha querida Amiga,
Use e abuse das suas opiniões políticas. Use e abuse da forma sublime como, por vezes, contradiz as minhas próprias opiniões.
Se não pudéssemos ser contraditados no que pensamos, como poderíamos melhorar a nossa forma de o fazer? Afinal, não é esse o método do conhecimento?
Use e abuse da sua "pobre cabecinha", minha Amiga.
É uma enorme hipocrisia dizer mal dos políticos.
(Atenção: eu disse "dizer mal"; não disse "criticar"...).
Mas, afinal, não é neles que todos votamos, quando chega a hora de o fazer??? Então de quem é a responsabilidade dos "maus políticos" que temos???
Ora! Deixemo-nos de atirar para as costas dos outros a nossa própria responsabilidade!
Há muitos que confundem "mudar de opinião" com "ser vira-casacas".
Entendamo-nos: é prova de grande humildade democrática mudar de opinião quando pessoas mais habilitadas nos conseguem convencer que laboramos em erro. Já ser "vira-casacas" é prova de enorme e desprezível oportunismo e egoismo.
Eu continuo a entender que, se Lisboa ganha com o novo aeroporto no campo de tiro de Alcochete, o país perde com o abandono da Ota. Mas concordo inteiramente com os argumentos científicos do LNEC.
Finalmente (at last but not least), sobre o primeiro-ministro.
Estou à vontade: nunca votei nele, nem nunca votarei. Porém, acho que o seu desempenho tem sido, quase sempre, brilhante. E mais não digo... Ou melhor: ainda direi que tenho sido pessoalmente prejudicado por algumas medidas tomadas; mas tenho a certeza que, com elas, ganha o país que somos.
Obrigado, querida Tati, por me ter dado azo a desembrulhar a língua e os dedos!
Publicado por: j às janeiro 11, 2008 05:24 PM
Também acho o Ministro simpático.
E competente.
E irreflectido...
Mas já há quem diga que o ministro disse aquilo tudo para induzir a oposição na solução Alcochete. Porque se o governo naquela altura não adoptasse a OTA, a oposição quereria a OTA...
Eu ainda não tenho opinião. Primeiro tenho que ler o estudo do LNETI. Mas acredito na sua independência e competência (que é antiga), principalmente depois de ontem à noite ouvir o responsável numa entrevista da RTP.
Eu também gosto do Sócrates. Ainda não me desiludiu. Só lamento que ele ainda não tenha dito que o desemprego é uma consequência directa da morte das empresas mas fracas, sem produtividade. Relembro que os espanhóis chegaram a cerca de 18% (mais do dobro que temos agora). E olhem como está a Espanha hoje.
Bom fim-de-semana.
Publicado por: Nilson Barcelli às janeiro 11, 2008 06:05 PM
PS:
Gosto do Sócrates, mas não é pelos Armanis nem pelas Pradas.
Mas ajuda...
Publicado por: Nilson Barcelli às janeiro 11, 2008 06:07 PM
Eu também gosto muito do "Eng". Sócrates, principalmente desde que começou a ser combatido o défice à custa de gente sem hospitais, sem apoio médico, sem educação de qualidade e sem condições de trabalho. Agora que vão ser pagos (a prestações de cêntimos), os retroactivos do aumento das reformas, eu acho que o "Eng" Sócrates, lá porque tomou posição de bom senso quanto ao aeroporto é, de facto de um brilhantismo incontestável. Toda a gente vê isso, claro está!!!! Haja pachorra!
Publicado por: Dobra às janeiro 11, 2008 07:00 PM
Ah, é verdade, também gosto muito dele porque poupa imenso na frota de carros do governo e tem muita atenção com os gastos nas cimeiras e coisas giras dessas. Afinal temos que "apertar o cinto"!!! E... como diz o nosso visitante "viajante", a treta é não haver alternativa. Por causa dessa ausência de escolha é que estamos todos entregues a bandidos porque os sérios querem a politica bem longe! Coisas.
Publicado por: Dobra às janeiro 11, 2008 07:47 PM
Teresa:
Fiquei triste consigo.
Um é incompetente o outro não passa de agente técnico.Não deve avaliar as pessoas pelo que vestem mas sim pelas verdades que não mostram.
Estou admirada como se identifica com esta "GENTE".
Não gosto de "tias" nem de "tios".
Sou de esquerda mas não da "mentirosa".
Fique bem.
Fernanda.
Publicado por: Fernanda Soares às janeiro 11, 2008 08:28 PM
A intolerância assentou arraiais nos comentários do Sem Pénis nem Inveja?
Que giro.
Foi longa a longa noite obscurantista e deixou marcas!
Vítor
Publicado por: minderico às janeiro 11, 2008 09:20 PM
Intolerância de quem? É capaz de se explicar melhor? É que o meu comentário foi apagado ainda há pouco. Terei sido incorrecta? Ou já não se pode ser irónica?
(este durará quantos segundos?)
Publicado por: Prada às janeiro 11, 2008 09:38 PM
Como se a minha querida amiga Tati houvesse em algum momento, neste blog, sido outra coisa que não política. Somente incautos temporões poderiam pensar que dar um "conselho" destes a uma mente brilhante.
Quanto a "Prada" que alega cerceamento, estou certo de que Tati terá um explicação totalmente plausível, ou não. Até porque o blog é uma coisa pessoal.Quem quiser falar de liberdade de imprensa que vá a imprensa.(Que por sinal nunca teve liberdade alguma pois tem patrão... ora ora!)
Eu cá no Brasil, nada sei da política de Portugal. Mas sei bem de minha amiga. E se ela deita pau em alguns é porque certamente merecem. E devem merecer muito mais, porque é suave a garota.
Beijos Tati.
Publicado por: Justo às janeiro 11, 2008 10:25 PM
Quando os comentários, não estão do seu agrado,não os publica É feio e pouco inteligente.
Você MEDE as pessoas como andam vestidas. É triste, medir o intelecto desta forma.Voce está muito "TIA" ou é mesmo?
Espero que este também não seja apagado!!!!
Tereza.Com (Z) pois não sou igual a si.
Publicado por: Tereza Maia às janeiro 11, 2008 11:20 PM
Quando os comentários a um post esbarram em ofensas pessoais ao autor(a) em vez de se comentarem apenas ideias, das duas uma: ou não se tem inteligência nem postura ou se anda a ler o blog errado!!!
Publicado por: Dobra às janeiro 11, 2008 11:30 PM
"Sou de esquerda mas não da mentirosa"
Qual será a esquerda verdadeira?
A que governa Cuba, a que governa a Coreia do Norte, a que governa a China ??????
E cá em Portugal? Quais são as esquerdas verdadeiras, os centros verdadeiros e as direitas verdadeiras?
Estou curioso pela resposta hehe
Vítor
Publicado por: minderico às janeiro 12, 2008 08:45 AM
Tati, é assim mesmo. Nunca lhe perdoaria que não fosse (ou deixasse de ser) como é... E quem num gosta, que bote na bordinha do prato, longe do blog... Fiufiufiu ;)
Publicado por: fallorca às janeiro 12, 2008 06:31 PM
Ena, tantas movimentações por aqui!
Será que a expressão de ideias políticas, aqui em sentido mais estrito, (ainda) incomoda tanto, e é justifica comentários tão irritados?
Será que as vozes afins daquela que reputa como menores os temas que parecem agradar mais às mulheres, enquanto autoras, se eriçam quando a Teresa C., brilhante autora deste blog, estende ao campo político actual a sua conhecida sagacidade?
Ou de outro modo: somos engraçadas se falarmos de sedução e diferenças de género e decepcionantes se opinarmos sobre decisões de membros deste governo?
As opiniões políticas (de novo me refiro ao sentido restrito da palavra) serão temas mais melindorosos do que os sexuais? A "política" é o maior dos tabus em alguns blogs?
Publicado por: Alba às janeiro 12, 2008 08:16 PM
Tantas palermices...tantas...!
Perdoai-lhes Senhor! São uns tristes...!
Publicado por: Viajante às janeiro 13, 2008 03:40 PM
Viajante
No que a mim me toca, acredite que adoro "parlemar" de vez em quando.
Faz-me sentir criança,ou seja, melhor ;-)
Vítor
Publicado por: minderico às janeiro 14, 2008 08:21 AM
Talvez tardiamente e para combater o facto dos portugueses adorarem repetirem o que alguma imprensa diz se ler e sem pensar.
O Mário Lino nunca disse que em Alcochete jamais, ele disse que os estudos dos ecologistas que possuia indicavam que em Alcochete Jamais.
São coisas diferentes sejamos justos.
Aviso já que não voto PS, não gosto do Sócrates nem do Mário LIno, também não voto PSD.
Sou português mas não comungo das merdíces da nossa maneira de ser
Luís Maia
Publicado por: Luis Maia às janeiro 14, 2008 10:35 PM
Em Dezembro de 1962, Salazar chamou o seu ministro do Ultramar - tido como uma das figuras mais reformistas do regime - e comunicou-lhe a intenção de alterar a linha de rumo seguida desde Abril de 1961 que levara, entre outras inovações, à abolição da lei do indigenato.
"Nós acabamos de mudar de política", anunciou o presidente do Conselho.
"Então acaba de mudar de ministro", limitou-se a retorquir o ministro, que se chamava Adriano Moreira. Dito e feito: abandonou o Executivo e nunca mais reassumiu um posto governativo.
Hoje é possível mudar de política mantendo inalterado o elenco ministerial. Mais do que possível, é moeda corrente. Mário Lino aí está para o provar.
Publicado por: Biltre às janeiro 19, 2008 11:56 PM