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janeiro 22, 2008

CRENTE. APOSTÓLICA. ROMANA?

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Jim Warren

Sou crente. Católica. Apostólica. Romana muito pouco, malgré o meu gosto por Roma, cidade de muitos retornos. Este detalhe, para muitos essencial, faz de mim uma católica desnaturada, incoerente ou dúbia? No meu entendimento a questão nem se põe. Nada e criada numa família tradicional pouco frutuosa em rebentos por via dos “consagrados” à vida religiosa – sou espécime único em três gerações –, tive a fortuna de um crescimento assistido por uma tia freira. Menina e adolescente lindíssima, foi completar os estudos secundários no Colégio do Sagrado Coração de Maria na Guarda. Afastada da família, namorico adolescente para trás, já da Ordem não saiu. Mulher belíssima, dona de um espírito profundo e vivaz, culta e viajada, enternecia-a a sobrinha curiosa. Devo-lhe a abertura precoce de horizontes intelectuais. Não lhe toldava a fé o espírito crítico que também contemplava a hierarquia católica. Então, como hoje. Numa comunidade religiosa francesa e em França, continua o que entende ser a respectiva missão no meio operário. Com alegria e sem desfalecimento. Esta resenha tem por fim explicitar o meu entendimento liberal do que é “ser Igreja”.

Ser ateu – descrer de qualquer deus ou entidade divina. Aceito. Não é questionável o meu respeito por aqueles que se afirmam ateus. Divirjo quando acusam as religiões de originarem guerras e terrorismos. Aceitaria a afirmação das crenças espirituais terem constituído a desculpa perfeita para adquirir, consolidar ou alargar poderes recorrendo às armas. Divirjo quando fundamentam o ateísmo na incoerência ou na ditadura das cúpulas hierárquicas religiosas. Quando olham, sobranceiros, para os crentes como intelectos débeis apoiados numa bengala divina. Quando afirmam, como se deles fosse exclusiva pertença, a fé nos humanos. Que partilho, não sendo ateia.

Os agnósticos não entendo. Defino um agnóstico como alguém que não acredita ser possível a prova da existência de um poder superior – Deus. Provem e acredito; não provando, espero para ver. A altivez dos agnósticos é servida em dose dupla – ateus e crentes uns pobres de espírito por julgarem ter resolvido o problema da existência de Deus. Como se um sim-ou-sopas respondesse a inquietação tão profunda nos humanos, dirão eles. Este é, a meu ver, o erro maior do agnosticismo - o sim ou a recusa do divino não se explicam, sentem-se. Os argumentos lógicos são habilidades. Científicas também. Mas a fé não é, nem será nunca, o símbolo químico do Ferro, como afirma Onofre Varela.

CAFÉ DA MANHÃ

- A celebração do Dia Mundial da Religião teve início nos Estados Unidos há 53 anos por iniciativa da Assembleia Espiritual Nacional. Inicialmente estabelecido para o terceiro domingo de Janeiro, foi ontem comemorado.

- “As religiões surgiram para tentar responder a uma série de perguntas que sempre estiveram presentes:

- de onde vim?
- para onde vou depois que morrer?
- viverei mais de uma vez?
- como foi gerado o Universo?

Publicado por Teresa C. às janeiro 22, 2008 06:42 AM

Comentários

menina que eu me apercebia a seriedade imaculada que é o respeito pela vida, o sublime respeito que é pensá-la no seu todo de que o etéreo ( se é disso que se fala quando de espírito, de alma se trata...)o endeusamento dos corpos que por aqui se distendem diáfanos, quase divinos de tanta vida que deles se exala! eu me apercebia que era de um muito fundo dos tempos que lhe vinha esse gosto pelo rebelde, ou lhe chame atrevido, mas é bem mais do que isso quando se torna libertino e é afinal o bafo dos deuses (deles todos unidos em só um com mãe maria ou seja ela xiva)era um templo afinal o que aqui me atraía. Ateia eu, mas de uma Fé sem mundo que ela percorre, alheia ao meu apelo, o universo todo, eu fico embevecida de vos saber senhora crente. Cresce deste modo a minha fé no mundo e eterneço-me a saber que igreja para vós é ...que dizer...igreja é também isto!

Publicado por: mcorreia às janeiro 22, 2008 09:07 AM

Cara Teresa,

Concordo plenamente consigo no que concerne às teorias de Onofre Varela. Não li o livro, mas ouvi, ontem, a entrevista na TSF e fiquei atónita-como é que alguém se pode dar ao arrojo de negar a complexidade dos outros, minorando-os, de acordo com as teorias que construiu para si próprio como se de verdades absolutas se tratassem? Mas se até génios como Einstein tinham consciência das suas limitações perante o divino, como é que este senhor descobre a pólvora, enunciando teorias que são mais gastas que o sabão azul? É que por mais que insista que respeita os crentes, só o título é um claro desrespeito às crenças alheias.
Que alguém seja ateu e que escreva um livro sobre a sua própria concepção do mundo é algo que se revela totalmente legítimo. Agora, que se arvore o direito de se tentar superiorizar pela suposta racionalidade objectiva das suas teorias é outra. De facto, o seu dogmatismo é tal que se revela similar ao fanatismo do lado oposto da barricada.
Não Foi Deus o Culpado das barbaridades que foram cometidas transcultural e intemporalmente em Seu Nome, foram os homens, foi a sua natureza terrena que os levou a usarem o "Seu Nome em vão". A vitimização é sempre cúmplice da desresponsabilização e, mais uma vez, se comprova que os extremos se tocam e bem!

Publicado por: Isabel Metello às janeiro 22, 2008 08:13 PM

TENS UMA SURPRESA

Publicado por: mcorreia às janeiro 23, 2008 02:17 AM

MCorreia - rejeito espartilhos que a consciência individual não dite. "Ser Igreja" é modo de estar de que não abdico. Sem espírito sisudo ou radicalismos de qualquer espécie. E todo o lugar é templo onde dar testemunho.

Isabel Metello - poderiam ser minhas as suas palavras. Não conheço o livro do dito senhor Onofre Varela, conquanto me pareça um pouco rústico na arrogância das respectivas convicções.

MCorreia - Muito obrigada, minha querida.

Publicado por: Teresa C. às janeiro 25, 2008 12:17 PM

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