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janeiro 08, 2008
JÁ NÃO HÁ GALDÉRIAS

Autor que não foi possível identificar
Falta situacionismo em Portugal. Falta aroma levemente anarquista na vanguarda artística e política, apoiada em teorias críticas à sociedade de consumo e à cultura mercantilizada. Falta a crença (utópica?) dos indivíduos construírem as situações das próprias vidas no quotidiano, cada um explorando o seu potencial de modo a, prazenteiramente, romper com a alienação dominante. Sem comunismos a prazo. Recusando o autoritarismo do Estado e a gaiola burocrata.
Um par de jornais e noticiários, outros tantos debitados pelas televisões, e confirmo que a vidinha nacional é como novela cujo fio da meada se agarra num piscar de olhos - o BCP, o Joe, a CGD, as interpelações parlamentares pelo tem-que-ser, leões e águias em crise – olha a novidade! –, os aumentos ridículos dos pensionistas. Lá por fora a coisa não melhora. Nos States, a Clinton e o John Mccain continuam a perder pontos a favor dos respectivos competidores, Barack Obama e Ron Paul. Estes delinearam estratégias online, autênticas máquinas de guerra “hi tech”. Parecem resultar.
A bomba noticiosa não vem da velha Albion, mas de França – o Sarkozy pediu em casamento a Carla Bruni. Segundo dizem, para evitar confusões. Estando prevista visita oficial à Arábia Saudita, um alto diplomata saudita pediu ao presidente francês que não leve a namorada. Alegou “motivos religiosos”. De facto, a estrita interpretação da lei islâmica proíbe ficarem sozinhos um homem e uma mulher que não sejam legalmente casados. Vários hotéis negam-lhes mesmo hospedagem. Ora, fosse a Bruni uma galdéria com respeito pela casta e tradição, mandava os sauditas às malvas, não casava e fruía da divina condição de amante sorridente e divertida entre lençóis. Ou fora deles, por que a galdeirice não escolhe ocasiões. Mas não. Vai casar. Após um matrimónio e vinda a prole, repetir a dose. Tornar-se, oficialmente, uma mulher honesta. Perder lugar na história francesa pelos bons ofícios de galdéria. Comme il faut.
Publicado por Teresa C. às janeiro 8, 2008 06:21 AM
Comentários
Na mouche!
Publicado por: minderico às janeiro 8, 2008 07:33 AM
galdérias!
de facto, cara amiga, acertou em cheio! parabenteio-a pela certeirice do seu dizer: galdeirice é mesmo o que anda faltando e olhe, estimada Teresa, que nem é apenas, e nem tanto, nas pinderices de um presidente francês que não resiste à inveja desses homens de saias, desses corões... A falta de GALDÉRICA(que bem me soa o nome) anda no que se fuma e come e não demora até no que se fode! Já viu a menina, que bem que sabe o gáldérico carapau assado numa grelha que tantos grelhou entre um sol e outro encostada na parede de uma entrada de restaurane de praia, ou seja, nada mais que quatro tábuas de uma barraca? Galdéria, ainda, a fumaça deitada em rodinhas na cabeça penteada da madame bebendo o chá em chávena de mesa com toalha? ( e nem falo no velho fumarado que entontecia qualquer recinto fechado fosse sala de cinema ou teatro: quer coisa mais galdéria que esse ambiente? que saudade!)
Mas aonde falta galdeirice quanto baste é nas gentes do governo e sus muchachos: menina, não seria bem mais relaxante, cuido que mais agradável,estimulante, mais fácil ao povo que somos todos aceitar tanto disparate, se por exmplo, a ministra que nos rege se apresentasse vestidinha a rigor com um desses fatos de moulin rouge e pudessemos encontrar (saber ao menos nos jornais ao pequeno almoço) a dita com um deles, do nosso primeiro, a um dos deputados da bancada( o Louçã ia-lhe mesmo bem, eu acho!) de perna traçada num bar do bairro alto ou, numa esquina, numa rodada e, tarde da madrugada, sendo fodida por dois matulões que nem ministro fosse um ou outro e nem sequer com nome em qualquer Banco.
Diga-me se não falta uma pitada de Galdério por estas paragens?!
A França que se cuide que essa de casar e fazer da galdéria dama...a Teresa tem toda a razão e eu acho que o país perde ocasião de voltar a ser a nossa luz e ficaremos nós a um passo de ver um nosso presidente de mão dada com uma galdéria entre um voo a Bruxelas e um cantar de janeiras em Belém. Mal feito. A pena que isto me dá.
Obrigada pela reflexão!
PS e olhe que a imagem de hoje, minha querida, merecia a sua habitual ousadia! que a palavra que lancei um destes dias, não lhe sirva de inibição: para AZAIS já basta...
Publicado por: mcorreia às janeiro 8, 2008 09:07 AM
hahahahaahah!
Adoro isto , de verdade!
Publicado por: Justo às janeiro 8, 2008 09:40 AM
É verdade, caraças, e nem elas sabem a falta que fazem... É só triciclos reciclados e umbigos insuflados. A idade não perdoa, eu sei, e ainda bem, mas também não estou pitosgas ao ponto de comer lebre por gata... fiufiufiu
Publicado por: fallorca às janeiro 8, 2008 10:05 AM
Justo, adorei o seu gargalhar, que adivinho brejeiro quanto baste.
Eu também adoro isto.
A essência da questão aqui, a meu ver, é que uma qualquer Carla Bruni, supostamente galdéria, passará a ser na realidade uma GRANDE GALDÉRIA, se casar mesmo com o Sarkozy!
Meu Deus, reparem. Enquanto a Carla Bruni andou a "brunir" por aí, junto de Micks Jaggers, Erics Claptons and so on, ninguém se lembrou de lhe atribuir "facetas" de galderice.
Ela "galdeirava" e muito bem com quem queria.
Ao juntar a suposta galderice com os interesses do Estado (Sarkozy) - L´État cest moi! - transformou aquilo que não passavam de umas boas kekas com outros "jet-sets", em kekas políticas, estas sim passíveis de classificação de GRANDE GALDERICE.
Haja Deus!
Publicado por: minderico às janeiro 8, 2008 10:40 PM
Minderico - sabe que mais? O seu comentário lá mais abaixo tem qa sua razão. Sendo o Sarkozy como o descrevem, olhe que só a troco de muitas e boas galdeirices - não com ele, está visto! - uma mulher pode configurar casar com ele. Por outro lado, e sendo assim, para que precisa então do marmanjo? :)
MCorreia - Ai que que ultrapassa na loucura!... E olhe que presidente houve, não digo qual, que, uma vez chegado a um país da América Latina, pergunta ao nosso embaixador no país, mal era saído do aeroporto e liberto dos adenames formais, o que lhe estava reservado quanto a mulheres. Como vê, a galdeirice vem de longe, e as que referiu, sabem os deuses, como lhes adoro os prazeres.
Justo - Também eu, também eu... ;)
Fallorca - o Amigo vê longe e bem. O mesmo com alguns homens na "flor da idade" - acrobacias para cá e para lá, e, vai-se ver, falta a galdeirice maior. Uma tristeza!
Publicado por: Teresa C. às janeiro 10, 2008 10:57 PM