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janeiro 05, 2008
NEM ODE, NEM SAI DE CIMA

Barn Dog
Continuam magras as vacas. Pela seca dos pastos, pela atávica pelintrice nacional em recursos humanos e materiais, pela miopia politiqueira, pelo ramerrão social. Mudanças auguradas, desconfiança dobrada – assim fomos, somos e seremos. Depois, há a rija como um pêro, tradição do “nem ata, nem desata” que a riqueza vernácula traduz pelo magnífico “nem fode, nem sai de cima”. Isto para quem copula com vagar, porque demoras no coito dos arrumados por contrato ou instalação habituada, é celebração anual. Quando é.
O zelo fiscalizador dos novos polícias de costumes, os técnicos da ASAE, está em alta. Olhando de baixo para cima a quase totalidade da Comunidade Europeia no que é recomendável, para trás têm ficado medidas coerentemente estruturantes. E, bem à moda do galo de Barcelos, agigantamos a crista para distrair da lama patilhada. Na fúria da normalização para o faz-de-conta que somos o que não somos, vão à lamela e medem-se com craveira e palmer as castanhas dos vendedores de rua, os próprios vendedores, os enchidos e mais o tudo que seja artesanal. Não tarda, serão catalogadas as desobediências ao tamanho médio europeu das mamas, rabos e pendentes-entre-pernas dos cidadãos. E mais o que vier a seguir, por que dou por certo só parar esta tendência padronizadora quando, por pessoas, forem entendidos uns humanóides rigidamente iguais, saídos das linhas de produção industrial.
Escreveu um comentador: “E que tal padronizar a escrita de modo a que, p'a próxima, eu possa ler o que o distribuidor de correio me deixa grafolhojado no aviso de correio registado? Chamava-se caligrafia, permitia que todos escrevessem de modo a serem lidos - excepto o médico, o d'antigamente...- e está completamente abandonada porque é trabalhoso e também porque, tal como na Idade Média, estamos a assistir à (re)condução das pessoas comuns a um estado de iliteracia e de analfabetismo –homólogos - que as afastará dos privilegiados dominantes? ó rait... yá!”
CAFÉ DA MANHÃ
Publicado por Teresa C. às janeiro 5, 2008 12:19 PM
Comentários
Bom Ano, querida Tati!
Beijos grandes
Publicado por: rititi às janeiro 5, 2008 12:56 PM
A ASAE não quer normalizar nada.
No caso da restauração, zela apenas pela segurança alimentar.
A comunicação social, bem assim como alguns "opinion makers", têm exagerado quanto aos requisitos legais.
Exº: as bolas de berlim nas praias podem ser vendidas, mas deste que cumpram a lei quanto à higiene.
Bom fim-de-semana.
Publicado por: Nilson Barcelli às janeiro 5, 2008 05:52 PM
ó menina eu tenho andado pra lhe dizer e inibo-me
eu lhe explico
é que a sua literatura é um mimo de escritura, literatura de sumo
límpida
curta e sinuosa
doce
mas eu confundo-me, perturbo-me, extasio-me e distraio-me da dita
e detesto
e sabe porque é que me acontece?
eu descubro-lhe
é por via dos bonecos
tão intensos
tão entre o real e o desenho
e coloridos, carago!
olhe hoje
os bicos das maminhas a rasar a folha
uma posição tão entre o aquilo e qualquer outra coisa
por exemplo
pode a gente imaginar "coitada que ainda se magoa na esquadria do quadro!"
distraem-me da sua bela escrita, sabe?
não podia colocar apenas o link para cada quadro?
assim, clicava quem queria...
eu por exemplo, primeiro lia-a e depois Zás "deixa cá ver se é de baby dol se embrulhada num lençol ou se está hoje de robe pintando o unhedo...ah! hoje temos bichos de conta entre o arvoredo!"
mas, entretanto, já tinha eu degustado o principal do prato, atenta, lambendo os beiços que nem gata lendo cada palavra
me entende?
então, aceite o meu proposto que lhe faço
creia lhe agradeço
Publicado por: mcorreia às janeiro 5, 2008 09:55 PM
Querida Rita - Bom ano e que a sua verve brilhante continue a servir-nos momentos destes. Beijinho e tudo, tudo o que de melhor a vida lhe puder dar.
Nilson Barcelli - deve ter imensa razão, mas irrita-me o excesso de proibições e normas e rol comprido do deve-não-deve-fazer. Sou uma irreverente nata. Insensata, de quando em vez. Gostei de o ler por aqui.
MCorreia - deixou-me sem fôlego. Puxa que escreve bem demais! Até num comentário, que bem podia ser coisa menor, fiquei esverdeada de inveja - sentimento pouco bonito, sei! - pelo modo como o seu discurso flui.
Porém, e dando o devido peso à sua argumentação, acontece que as reproduções de pintura que aqui publico me dão infinito prazer. Logo encimando o texto, ainda mais. A ilustração de hoje peca por improviso, já que a belíssima destinada, não abriu. Tentarei ser mais contida. Juro! :)
Publicado por: Teresa C. às janeiro 6, 2008 08:51 PM